O filme que tropeça no próprio salto. Dar duas estrelas a Jumper é quase um ato de generosidade. O filme é assistível, sim, mas apenas porque a premissa — humanos capazes de se teletransportar — é tão irresistível que até uma execução mediana prende a atenção. O problema é que o roteiro parece ter pulado etapas essenciais: desenvolvimento de personagens, lógica interna e, principalmente, carisma do protagonista. Jamie Bell, como Griffin, rouba todas as cenas. Ele tem energia, intensidade e uma motivação clara na trama, se ele fosse o foco principal talvez o resultado fosse mais agradável.
Tenta ser um thriller sujo e estilizado, mas acaba soando mais como um exercício de excessos introalegóricos do que uma obra coesa ou divertida. A direção aposta em cortes frenéticos, cores saturadas e humor negro pouco ousado, mas o resultado é irregular e muitas vezes gratuitamente sem graça. Dafoe e Nic Cage entregam performances intensas até onde podem, porém o roteiro não lhes dá profundidade suficiente, os personagens parecem caricaturas sem desenvolvimento real, oscilam entre mínimos momentos inspirados e outros de padrões escandalosos. A obra falha, infelizmente, em criar impacto emocional ou narrativo duradouro. É mais barulho do que substância. E eu esperava boas surpresas já que a bagaça é baseada no livro de Edward Bunker (Mr. Blue em "Cães de Aluguel"). Recomendo "Fábrica de Animais", também baseado num livro do Bunker e dirigido pelo Mr. Pink (Steve Buscemi). INFO: O diretor declarou que queria experimentar uma estética “fora da lei”, quase punk, o que explica o tom caótico, que não funciona (muito triste). Foi exibido em Cannes (Quinzena dos Realizadores), mas recebeu críticas mistas, justamente pela falta de equilíbrio entre estilo e conteúdo.
Retrato melancólico de um homem à deriva, vivido com intensidade por Willem Dafoe. Schrader constrói um clima soturno e solitário, onde cada silêncio pesa tanto quanto as palavras. A presença suave de Susan Sarandon equilibra a dureza do protagonista, trazendo uma dimensão quase redentora. O filme é menos sobre a trama policial e mais sobre a busca espiritual de um homem em crise, nada explícitamente, nem tão sutil, mergulho honesto e atmosférico na solidão urbana. Schrader escreveu o roteiro inspirado em sua própria fase de insônia e vício em drogas, o que dá ao filme um tom confessional, íntimo, assistimos pelo buraco da fechadura.
PS: A obra faz parte da chamada “Trilogia dos Homens Solitários” de Schrader, junto com "Taxi Driver" (roteiro dele para Scorsese) e "American Gigolo".
Após o confronto violento, o protagonista sobrevive e termina preso, numa espécie de “cárcere espiritual” que funciona como metáfora: não é a morte física, mas uma suspensão da existência, uma penitência. Essa escolha reforça o que refleti sobre dimensão cristológica, não apontando para o martírio literal, mas a purificação através do sofrimento e da aceitação das consequências.
Abobado, piadas batidas, trilha pop do início dos anos 2000 (ponto positivo) e um mulherio que justifica a nota não ser menor, especialmente por Tania Raymonde (eterna filha de Ben Linus), Sarah Karges (foi um prazer reconhecê-la!) e Jennifer Coolidge (eterna mãe do Stifler,) cujo carisma é altamente funcional sempre.
Nossa, se o primeiro eu precisei de anestesia para assistir, neste aqui precisei de uma camisa de força e muita vodca. Lembro quando uma vizinha comprou o VHS do filme na época e encheu a bola da bagaça. Fui ver e quis bater na mulher devido tamanho mal gosto pra filmes.
Não sabia que era uma duologia, só conhecia o segundo filme. Passava no comercial direto "Megiddo. Já nas locadoras" (pior ainda). Cansativo até a pqp fazer curvas. Prefiro Michael York na franquia do Austin Powers.
Acho que é a primeira vez que Stuart Townsend não me causou incômodo. O elenco salva bastante. Agora... Emily Mortimer? Não sei se brigaria por ela (irrelevante, eu sei). Melhor cena é quando durante uma aula enquanto fuma um cigarro após o outro e bebe café, o protagonista sofre um "insight" forte e diz aos alunos: "Ímpeto. Não-pensamento. Acaso. Não-planejamento. Vocês estão onde estão hoje porque estão num estado de coma. Todos vocês perderam a paixão! Achem sua paixão, ouçam seus ímpetos. Tornem-se um novo ser. Que droga, façam alguma coisa antes que seja tarde demais! Digam 'sim!' ao acaso, digam 'sim!' as chances, digam 'sim!' ao caos!".
Não é um filme para ser entendido — é um filme para ser suportado. E isso não é defeito, é método. A figura de Mr. K surge menos como personagem e mais como anomalia: um corpo deslocado atravessando um mundo que já desistiu de fazer sentido. Não há didatismo, não há arco reconfortante, não há tribunal visível, apenas a sensação contínua de inadequação. O kafkiano aqui não é adaptado, é evaporado no ar: resta o desconforto, a espera, a ausência de resposta. Crispin Glover transforma Mr. K em algo quase indecifrável (colocá-lo como Mr. K não é casting; é declaração filosófica). Ele não atua a angústia — ele a habita. O corpo se torna a metáfora central: uma "matéria pensante" que não obedece às normas invisíveis, que não performa normalidade, que falha em ser funcional. O horror não vem de ameaças externas, mas da constatação silenciosa de que o mundo não foi projetado para todos.
No fim, “Mr. K” não acusa o sistema — ele faz algo mais cruel: mostra sua indiferença. Não há vilões claros, apenas engrenagens que seguem girando enquanto o sujeito permanece estranho demais para ser integrado e lúcido demais para ser salvo. É um cinema que não consola, não explica e não absolve. Como o próprio Mr. K, o filme existe à margem — e nos obriga a encarar uma verdade incômoda: às vezes, existir já é a infração. Destaques para o prédio vivo, como a vida, só vai diminuindo, o cachorro da portaria, a bandinha que sai tocando de pequenos buracos nas paredes e todas as mágicas feitas pelo protagonista.
Então o Bill Cosby ser o Diabo no filme era spoiler da vida real o tempo todo. Fiquei surpreso por ser uma produção da Disney, o lugar mais habitado por demônios no mundo inteiro.
É um filme que não consegue deixar uma marca duradoura. A trama é esquecível, sem ritmo ou impacto, e rapidamente se perde em situações pouco envolventes. Apesar da proposta de adaptar o personagem criado por Luis Fernando Verissimo, o resultado final carece de força narrativa e acaba se tornando mais uma curiosidade do que uma obra memorável. O que realmente chama atenção são as participações especiais, como a de José Mojica Marins, que trazem um certo charme e funcionam como pequenos respiros dentro de uma produção que, no geral, não empolga.
O filme captura a gênese da slapstick comedy: a queda como linguagem universal. Antes de Chaplin, antes de Keaton, antes de qualquer legado — havia esse pequeno tropeço inaugural.
O filme passa longe da qualidade do talk show. Mas serve de passatempo para quem não tiver opção, Keanu Reeves, Brie Larson e Matthew McConaughey ofereceram os melhores momentos. Pelo menos até o instante em que peguei no sono.
Jumper
3.0 1,2K Assista grátisO filme que tropeça no próprio salto. Dar duas estrelas a Jumper é quase um ato de generosidade. O filme é assistível, sim, mas apenas porque a premissa — humanos capazes de se teletransportar — é tão irresistível que até uma execução mediana prende a atenção. O problema é que o roteiro parece ter pulado etapas essenciais: desenvolvimento de personagens, lógica interna e, principalmente, carisma do protagonista. Jamie Bell, como Griffin, rouba todas as cenas. Ele tem energia, intensidade e uma motivação clara na trama, se ele fosse o foco principal talvez o resultado fosse mais agradável.
Cães Selvagens
2.4 48Tenta ser um thriller sujo e estilizado, mas acaba soando mais como um exercício de excessos introalegóricos do que uma obra coesa ou divertida. A direção aposta em cortes frenéticos, cores saturadas e humor negro pouco ousado, mas o resultado é irregular e muitas vezes gratuitamente sem graça. Dafoe e Nic Cage entregam performances intensas até onde podem, porém o roteiro não lhes dá profundidade suficiente, os personagens parecem caricaturas sem desenvolvimento real, oscilam entre mínimos momentos inspirados e outros de padrões escandalosos. A obra falha, infelizmente, em criar impacto emocional ou narrativo duradouro. É mais barulho do que substância. E eu esperava boas surpresas já que a bagaça é baseada no livro de Edward Bunker (Mr. Blue em "Cães de Aluguel"). Recomendo "Fábrica de Animais", também baseado num livro do Bunker e dirigido pelo Mr. Pink (Steve Buscemi).
INFO: O diretor declarou que queria experimentar uma estética “fora da lei”, quase punk, o que explica o tom caótico, que não funciona (muito triste). Foi exibido em Cannes (Quinzena dos Realizadores), mas recebeu críticas mistas, justamente pela falta de equilíbrio entre estilo e conteúdo.
O Dono da Noite
3.5 37 Assista AgoraRetrato melancólico de um homem à deriva, vivido com intensidade por Willem Dafoe. Schrader constrói um clima soturno e solitário, onde cada silêncio pesa tanto quanto as palavras. A presença suave de Susan Sarandon equilibra a dureza do protagonista, trazendo uma dimensão quase redentora. O filme é menos sobre a trama policial e mais sobre a busca espiritual de um homem em crise, nada explícitamente, nem tão sutil, mergulho honesto e atmosférico na solidão urbana. Schrader escreveu o roteiro inspirado em sua própria fase de insônia e vício em drogas, o que dá ao filme um tom confessional, íntimo, assistimos pelo buraco da fechadura.
PS: A obra faz parte da chamada “Trilogia dos Homens Solitários” de Schrader, junto com "Taxi Driver" (roteiro dele para Scorsese) e "American Gigolo".
Após o confronto violento, o protagonista sobrevive e termina preso, numa espécie de “cárcere espiritual” que funciona como metáfora: não é a morte física, mas uma suspensão da existência, uma penitência. Essa escolha reforça o que refleti sobre dimensão cristológica, não apontando para o martírio literal, mas a purificação através do sofrimento e da aceitação das consequências.
O Intercâmbio Cultural
1.8 6Abobado, piadas batidas, trilha pop do início dos anos 2000 (ponto positivo) e um mulherio que justifica a nota não ser menor, especialmente por Tania Raymonde (eterna filha de Ben Linus), Sarah Karges (foi um prazer reconhecê-la!) e Jennifer Coolidge (eterna mãe do Stifler,) cujo carisma é altamente funcional sempre.
Megiddo
2.2 70 Assista AgoraNossa, se o primeiro eu precisei de anestesia para assistir, neste aqui precisei de uma camisa de força e muita vodca. Lembro quando uma vizinha comprou o VHS do filme na época e encheu a bola da bagaça. Fui ver e quis bater na mulher devido tamanho mal gosto pra filmes.
Omega Code
2.2 7 Assista AgoraNão sabia que era uma duologia, só conhecia o segundo filme. Passava no comercial direto "Megiddo. Já nas locadoras" (pior ainda). Cansativo até a pqp fazer curvas. Prefiro Michael York na franquia do Austin Powers.
Teoria do Caos
3.1 49Acho que é a primeira vez que Stuart Townsend não me causou incômodo. O elenco salva bastante. Agora... Emily Mortimer? Não sei se brigaria por ela (irrelevante, eu sei). Melhor cena é quando durante uma aula enquanto fuma um cigarro após o outro e bebe café, o protagonista sofre um "insight" forte e diz aos alunos: "Ímpeto. Não-pensamento. Acaso. Não-planejamento. Vocês estão onde estão hoje porque estão num estado de coma. Todos vocês perderam a paixão! Achem sua paixão, ouçam seus ímpetos. Tornem-se um novo ser. Que droga, façam alguma coisa antes que seja tarde demais! Digam 'sim!' ao acaso, digam 'sim!' as chances, digam 'sim!' ao caos!".
A Seita
1.9 42 Assista Agora"As vezes depois de algum trauma colocamos a culpa em outro lugar, é perfeitamente normal."
Bill Burr: Drop Dead Years
3.6 1 Assista Agora“Cheguei à idade em que posso cair morto a qualquer momento.”
George Carlin: O Sonho Americano
4.2 2“Chama-se 'Sonho Americano'
porque você precisa estar dormindo para acreditar nele.”
Bill Burr: Paper Tiger
3.9 14“Hoje em dia você não pode dizer nada sem que alguém fique chateado.”
Bill Burr: Walk Your Way Out
3.6 5 Assista Agora“Everybody’s offended by everything now.”
Bill Burr: I'm Sorry You Feel That Way
4.2 12 Assista Agora“Hoje em dia você nem consegue ter
um debate sem que alguém fique ofendido.”
You People Are All The Same
4.1 1“Vocês são todos iguais. Reclamam das mesmas coisas.” (Reclamou Bill Burr)
Bill Burr: Let It Go
4.3 2“Perceba quantos grandes homens
começaram sendo apenas um idiota qualquer.”
One Night Stand: Bill Burr
3.9 2“Não existe motivo para bater em uma mulher…
mas eu entendo o impulso.” - Bill Burr (antes de ter uma filha)
Perdidos em Nova York
3.0 52- Estamos malucos?
- Não, só nos perdemos em nossa essência.
- Norman Bates gerenciaria esse hotel melhor que você! 😂
Mr. K
2.6 16 Assista AgoraNão é um filme para ser entendido — é um filme para ser suportado. E isso não é defeito, é método. A figura de Mr. K surge menos como personagem e mais como anomalia: um corpo deslocado atravessando um mundo que já desistiu de fazer sentido. Não há didatismo, não há arco reconfortante, não há tribunal visível, apenas a sensação contínua de inadequação. O kafkiano aqui não é adaptado, é evaporado no ar: resta o desconforto, a espera, a ausência de resposta. Crispin Glover transforma Mr. K em algo quase indecifrável (colocá-lo como Mr. K não é casting; é declaração filosófica). Ele não atua a angústia — ele a habita. O corpo se torna a metáfora central: uma "matéria pensante" que não obedece às normas invisíveis, que não performa normalidade, que falha em ser funcional. O horror não vem de ameaças externas, mas da constatação silenciosa de que o mundo não foi projetado para todos.
No fim, “Mr. K” não acusa o sistema — ele faz algo mais cruel: mostra sua indiferença. Não há vilões claros, apenas engrenagens que seguem girando enquanto o sujeito permanece estranho demais para ser integrado e lúcido demais para ser salvo. É um cinema que não consola, não explica e não absolve. Como o próprio Mr. K, o filme existe à margem — e nos obriga a encarar uma verdade incômoda: às vezes, existir já é a infração. Destaques para o prédio vivo, como a vida, só vai diminuindo, o cachorro da portaria, a bandinha que sai tocando de pequenos buracos nas paredes e todas as mágicas feitas pelo protagonista.
Grande Albert
2.5 31O rap que ele manda "HEY HEY HEY" é bem legal.
Max Devlin e o Diabo
2.6 8Então o Bill Cosby ser o Diabo no filme era spoiler da vida real o tempo todo. Fiquei surpreso por ser uma produção da Disney, o lugar mais habitado por demônios no mundo inteiro.
Ed Mort
2.8 42É um filme que não consegue deixar uma marca duradoura. A trama é esquecível, sem ritmo ou impacto, e rapidamente se perde em situações pouco envolventes. Apesar da proposta de adaptar o personagem criado por Luis Fernando Verissimo, o resultado final carece de força narrativa e acaba se tornando mais uma curiosidade do que uma obra memorável. O que realmente chama atenção são as participações especiais, como a de José Mojica Marins, que trazem um certo charme e funcionam como pequenos respiros dentro de uma produção que, no geral, não empolga.
Megadoc
3.9 2Sem nenhuma sombra de dúvida o documentário será melhor que o próprio filme.
The Tramp's Unexpected Skate
4.0 1O filme captura a gênese da slapstick comedy: a queda como linguagem universal. Antes de Chaplin, antes de Keaton, antes de qualquer legado — havia esse pequeno tropeço inaugural.
Between Two Ferns: O Filme
3.1 77O filme passa longe da qualidade do talk show. Mas serve de passatempo para quem não tiver opção, Keanu Reeves, Brie Larson e Matthew McConaughey ofereceram os melhores momentos. Pelo menos até o instante em que peguei no sono.