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Data de lançamento
9 Set. 2003Duração
Dondup é um jovem funcionário do correio que vive num vilarejo no Butão e sonha com uma vida melhor nos Estados Unidos. Quando aparece a oportunidade de partir, ele tem dois dias para chegar à capital do país. Mas a tarefa não é nada simples, pois no Butão os ônibus são inconstantes e as estradas precárias. Para complicar as coisas, ele perde o ônibus e é obrigado a viajar de carona. Durante o caminho, conhece outros viajantes, como o monge que lhe conta a história do fazendeiro Tashi, um estudante de magia que fica prisioneiro de um feitiço. Sonhador como Tashi, Dondup muda seus projetos e sua maneira de ver as coisas durante a viagem.
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Um dos lamas ( Um Lama é um professor do budismo tibetano que demonstrou realização em pelo menos alguma prática e tem, por isso, uma qualificação muito maior em ensinar sobre aquilo. Seu ensinamento é, portanto, considerado muito mais efetivo. Todos no budismo praticam para se tornarem budas — sejam monges ou não) mais venerados do budismo dos Himalaias, Khyentse (conhecido como Dzongsar Khyentse Rinpoche) tece contos paralelos semelhantes a fábulas sobre dois homens que procuram escapar às suas vidas mundanas em Viajantes e Mágicos. O jovem oficial do governo Dondup sonha em fugir para os Estados Unidos enquanto está preso numa aldeia deslumbrantemente bela mas isolada. Quando chega a primeira oportunidade, ele dirige-se imediatamente para a cidade e aguarda um visto, mas as coisas não correm como planejado e ele perde o ônibus que o levaria à cidade, pede carona em um caminhão com um velho vendedor de maçãs. O Butão, cenário do filme, é um pais religioso, com supremacia camponesa e os confortos da vida moderna não se apresentam a todos, ou apenas a muito poucos. Pelo caminho, um perspicaz mas malicioso monge conta a Dondup a história de outro jovem que procurou uma terra distante: um conto de luxúria, ciúmes e assassinato que segura um espelho para o inquieto Dondup e a sua atração desabrochante pela inocente Sonam. O filme é uma mistura mágica de road movie rústico e fábula mística...um potpourri de desejo e suas consequências, ambientado numa paisagem de tira o folego. É difícil para muitos ocidentais viver o momento presente. Há tantas distrações que é difícil manter a mente concentrada no que está a acontecer neste momento. Estamos constantemente a pensar no futuro e a fazer planos, talvez tenha a ver com a religião cristã que nos ensina que devemos sofrer para alcançar a vida eterna, essa sim valerá a pena. Os professores budistas durante séculos deram práticas concebidas para trazer as pessoas de volta ao momento presente por meio da respiração, meditação, e mantras. Mas a mente persiste no seu hábito teimoso de construir terras de sonho que esperamos um dia habitar. Não procuramos a felicidade mesmo à nossa frente, procuramo-la antes no horizonte distante. Neste filme mágico e profundamente divertido de Khyentse Norbu, somos levados a uma maravilhosa exploração da doença da infelicidade criada pelos jogos mentais. Este talentoso cineasta é um lama proeminente na tradição budista tibetana que serviu como conselheiro espiritual de Bernardo Bertolucci no cenário do Pequeno Buda. Neste filme ele nos fala sobre os perigos e infelicidade criados por viver em terras de sonho da nossa própria criação. Dondup é um funcionário do governo numa remota aldeia rural nos Himalaias; ou seja, tem seus privilégios, mas assim mesmo ele está aborrecido com o ritmo lento da vida lá e mantém-se à parte das atividades comunitárias. mal sinal para um aldeão. Todos os dias espera ansiosamente uma carta que o levará à América. Ele tem uma grande consideração por esta "terra de oportunidades", onde mesmo aqueles que apanham maçãs ganham mais dinheiro do que qualquer outra pessoa no Butão ( não está longe do que nós brasileiros também pensamos, de uma maneira ou de outra0. Quando a carta finalmente chega, ele pede ao chefe da aldeia, a quem chama "mosquito barbudo" pelas suas costas, permissão para viajar para a cidade para uma festa religiosa (utiliza a mentira, um mal e subterfúgio que o mostra apto ao ocidente?). De volta ao seu quarto, Dondup embala rapidamente a sua mala e oferece a um amigo algumas gravações musicais e as fotografias de mulheres caucasianas que ele afixou nas paredes do seu quarto. Veste seu tênis Nike e uma t-shirt "I love New York" e leva seu boombox. Quando o amigo pergunta se não está preocupado em cuidar dos seus pais idosos, Dondup diz que tem a certeza de que eles ficarão bem sozinhos. À saída da aldeia, uma mulher para-o e pede-lhe para participar num ritual de inauguração da casa; ele declina, dizendo que está com pressa, mas ela insiste que ele pare o tempo suficiente para que ela lhe dê um presente de despedida. Mais tarde, ele atira-o casualmente de uma ponte. A meio caminho da montanha, Dondup vê o ônibus a aproximar-se e apercebe-se de que o perdeu. A sua única opção agora é conseguir uma carona. O filme é cativante e colorido como nenhum outro que alguma vez tenha sido feito. Os atores, não profissionais, estão todos bem nos seus papéis, e o cenário no Butão é apropriadamente rústico e bucólico. Este conto budista inovador e esclarecedor fala muito sobre a fonte de tanta infelicidade nas nossas vidas. Oferece um olhar espirituoso sobre as dádivas que resultam de viver no momento presente e de estar atento às maravilhas que nos rodeiam. Permanecer apegado a uma ideia sobre o futuro é perder as maravilhas que abundam neste momento. A inquietude é uma prisão real para aqueles que estão escravizados às suas ideias, esperanças, e desejos. É melhor dar um passo de cada vez, consciente de quem é e do que está a aparecer na sua vida.
Filme despretensioso, de baixo orçamento, mas tem algo de interessante nele
Basicamente uma versão budista dos filmes evangélicos e católicos que tentam ensinar uma moral que existem aqui no ocidente. Este filme especificamente se destaca pelas paisagens maravilhosas e pela novidade que é uma produção cinematográfica do Butão, mas, assim como os outros filmes religiosos, acaba pecando com personagens e motivações muito rasos.
Simples e lindamente metafórico (ainda que eu tenha sentido falta de um pouquinho mais de profundidade no decorrer da história). As paisagens butanesas são breathtaking, assim como a fotografia de maneira geral.
tem disponível no youtube com legenda :)