Diretor e seu amalucado grupo de atores e técnicos tentam a missão impossível de realizar filme independente com baixo orçamento. O set é um manicômio amaldiçoado por todo tipo de acasos, desde ataques de atores neuróticos, até explosões de equipamentos.
É a prova de que se fazem filmes com poucos recursos — ainda que o elenco seja ótimo e segure o roteiro com maestria. A metalinguagem do filme reflete o próprio filme. Quase uma homenagem para si.
DiCillo soube a hora de terminá-lo, sem se estender mais do que precisava, e com um humor sem exageros. Flui naturalmente.
Adorei.
um dos melhores filmes de David Lynch não dirigido pelo David Lynch
filmão!
Desconcertante, divertido e com um elenco querido, geral mais jovem nostálgico isso rs, Catherine Keener a cereja do bolo. Adorei!
É algo realmente fora da curva.Um dos melhores trabalhos de DiCillo e na companhia de um elenco totalmente preparado fica melhor ainda.
>Maratona Steve Buscemi - Assistido em 02 de Maio de 2024
Premiado no Festival de Sundance e indicado ao Film Independent Spirit Awards, o segundo longa-metragem de Tom DiCillo – que antes havia dirigido Brad Pitt em ‘Johnny Suede’ (1991), é uma pérola do cinema alternativo/independente, que custou parcos U$ 500 mil e rapidamente se tornaria cult nos EUA. Aqui no Brasil passou despercebido na época – e confesso que fiquei sabendo da existência dele há pouco tempo.
É um filme metalinguístico por natureza, mostra os bastidores da gravação de uma fita pequena, de baixo orçamento. Quem assiste a making of de filmes, vai entender o jogo aqui criado e rir das piadas internas. Produzir um filme é difícil, e sem recursos financeiros, com atores complicados e uma direção sem pulso firme, piora. As situações no filme envolvem erros de marcação do elenco, atores que esquecem as falas, brigas entre eles, gente que se apaixona no set, irritação do diretor e equipamentos, como câmera, que pifam.
DiCillo, que realmente vinha do cinema independente, trouxe um mundo que conhecia bem com uma linguagem acessível e com humor para contar um dia numa gravação desastrosa. Elencou nomes em início de carreira que depois despontariam, como Steve Buscemi, no papel do diretor (um ano depois faria o excepcional ‘Fargo’), Dermot Mulroney, de ‘O casamento do meu melhor amigo’ (1997), como o diretor de fotografia com um tapa-olho, Catherine Keener, a atriz principal da produção – seria depois indicada a dois Oscars de coadjuvante, por ‘Quero ser John Malkovich’ (1999) e ‘Capote’ (2005), e Peter Dinklage, da série ‘Game of thrones’, como um mágico. DiCillo continua até hoje no cinema independente, realizou, por exemplo, ‘A chave da liberdade’ (1996, com John Turturro, Sam Rockwell e novamente Catherine Keener), ‘Uma loira de verdade’ (1997, com Daryl Hannah e Matthew Modine) e ‘Delírios’ (2006, com Steve Buscemi e Michael Pitt).
‘Vivendo no abandono’ saiu em DVD recentemente pela Obras-primas do Cinema, numa boa edição, com uma hora de extras, incluindo cena deletada, making of e entrevista do diretor e com Steve Buscemi.
POR FELIPE BRIDA - BLOG CINEMA NA WEB