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Data de lançamento
16 Out. 2009Duração
Max é um garoto travesso mandado de castigo para seu quarto depois de desobedecer a mãe. Porém, a imaginação do menino está livre e o transporta para um reino desconhecido. Encantado, Max parte para a terra dos Monstros Selvagens, onde Max é o rei.
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Você se lembra de como era ter nove anos? Não a versão higienizada e colorida que os filmes de animação costumam vender, mas a realidade crua, confusa e muitas vezes solitária da infância? Se a sua expectativa ao dar o play em Onde Vivem os Monstros é encontrar uma aventura leve ao estilo Toy Story para distrair as crianças num domingo à tarde, pare agora. O que temos aqui não é um passatempo, mas um espelho. Em 90 minutos, somos confrontados com uma obra que ousa tratar a criança não como um ser ingênuo, mas como uma criatura complexa. É um filme que divide opiniões: para alguns, uma obra-prima incompreendida; para outros, um exercício de paciência.
É quase milagroso o que Jonze e Dave Eggers conseguiram fazer com um livro de apenas 350 palavras. Eles não só respeitaram a obra de Sendak, mas criaram uma nova história que merece ser lembrada por gerações. Evitando resumos óbvios, comparo este filme a A Primeira Noite de um Homem (The Graduate) para o público infantil. Pode parecer exagero, mas ambos tratam de protagonistas na fronteira entre dois mundos, confrontando as realidades do amadurecimento e fugindo para refúgios de imaturidade. Max, assim como Benjamin Braddock, precisa aceitar que não dá para viver fugindo, uma revelação que vem através das interações com aqueles ao seu redor.
A representação de Max me deixou intrigado e, por vezes, confuso. Ele é retratado como uma criança tão selvagem e problemática que meu primeiro instinto foi diagnosticar algum distúrbio sério, talvez autismo, embora o filme pareça tratá-lo apenas como uma criança perturbada por um lar desfeito. O problema maior, para mim, foi a falta de um objetivo externo claro. A narrativa se resume a Max tentando evitar ser devorado e inventando projetos sem propósito real, como a construção de uma fortaleza esférica. Essa falta de direção fez com que a história parecesse episódica e arrastada. Preciso ser honesto: em vários momentos, senti tédio.
Se há algo indiscutível, no entanto, é a qualidade da produção. A atuação de Max Records é impressionante; ele me convenceu totalmente em seu papel de criança desafiadora e complexa. Visualmente, Onde Vivem os Monstros é um triunfo da textura. Jonze optou por uma abordagem híbrida: atores dentro de trajes gigantescos criados pela Jim Henson’s Creature Shop, com rostos animados digitalmente. O resultado é que os monstros têm peso, ocupam espaço e interagem fisicamente com Max. Sentimos a sujeira, o pelo embaraçado, a luz do sol batendo na poeira. A cinematografia cria uma intimidade quase documental que salva o filme nos momentos em que o roteiro perde o fôlego.
Onde Vivem os Monstros é uma obra de contrastes. É visualmente deslumbrante e emocionalmente ressonante, capaz de despertar memórias adormecidas da infância, mas também é narrativamente arrastado e, por vezes, cansativo. É o tipo de filme que respeito mais do que amo. A coragem de Spike Jonze em não entregar respostas fáceis é louvável, mas cobra seu preço no ritmo. Recomendo que você assista para tirar suas próprias conclusões, mas vá preparado: você pode se ver chorando com a solidão de Max em um momento e, no seguinte, lutando contra o sono enquanto eles constroem mais um forte. De qualquer forma, é uma experiência que não passará em branco.
Filme que aparenta ser infantil, mas é profundo e bem melancólico. Bem interessante a forma que representaram o amadurecimeto do menino.
Nos últimos anos tenho dito que a solidão nos leva à lugares estranhos, tal qual a expressão da necessidade de atenção desse garotinho, a linda representação das suas emoções e como ele lideu, sabe, o princíppio do existencialismo sob uma ótica infantil, sem ter como por em palavras ou como ser compreendido a seu ver, simplesmente sentindo...eu sinceramente acho que esse filme é um forte concorrente aos que fecharam a década 2000 com chave de ouro...um primor estetica e espiritualmente lindo, bra-vo, mr. Jonze!
"— Nós não fomos apresentados. Eu sou o Ira. Eu faço buracos nas árvores. Você viu algum?... Talvez não tenha visto... Tudo bem. É o que eu faço. Não é importante como as coisas que você faz."
Um filme que parece fofo, mas é pura melancolia disfarçada de pelúcia.
Spike Jonze transforma a imaginação de uma criança em um mergulho existencial sobre solidão e raiva — tipo terapia, só que com monstros gigantes e uma trilha sonora depressiva.
É poético, meio confuso e bonito de um jeito estranho.