Muito interessante nas suas marcantes cenas que certamente influenciaram muitos diretores que viriam depois! Primeiro filme que eu tenho conhecimento que possui uma cena de nudez total feminina (em 1930!!!).
- caraca! poucas obras trazem personagens tão expressivos, sem diálogo, só nos olhares, dominam demais os semblantes - bastante cru e contemplativo, passa sua mensagem sobre a força da união e a necessidade de reforma agrária para a prosperidade
O cinema mudo soviético é um campo profícuo de obras-primas dessa arte. Neste filme, tido como controverso desde seu lançamento, o cerne temático aborda o primeiro plano quinquenal da agricultura, na então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, em especial onde atualmente se situa a Ucrânia, sob a ótica da coletivização agrária e a consequente hostilidade dos proprietários de terras privadas, denominados "culaques". Formalmente magistral e de tomadas icônicas, o longa não suaviza nem romantiza o processo de industrialização da agricultura cossaca. Seco e simplista, o roteiro apenas mostra e apenas é, sem deixar de lado a ternura poética dos que guerreiam - o discurso caiu mas as imagens falam por si. A cena da dança hopak e a catarse do funeral anárquico saciam qualquer espectador e já fazem valer a pena a sessão de singelos 76 minutos.
Terceiro filme da trilogia da Ucrânia, de Aleksandr Dovjenko, "Terra" mantém a narrativa quase que de fluxo livre de seus antecessores. O objetivo, acima de tudo, é fazer a propaganda positiva da reforma agrária promovida pela União Soviética e a coletivização dos campos. Mas no meio do tom árido e questionável de suas intenções, Dovjenko encontra espaço para a poesia. As cenas dos campos, das flores, das frutas e da chuva trazem uma aura naturalista e idílica ao filme. Apresenta algumas coisas bastante ousadas para a época, como um nu completo de uma atriz ainda na década de 30, e o próprio ataque - fortíssimo, considerando o discurso incisivo - à instituição da Igreja e de suas crenças. E cria um paralelo belo entre morte e vida, resultando na reflexão de todos nós como frutos da terra. Ainda assim, "Terra", bem como seus colegas, sofre pela pouca empatia que provoca para com seus personagens, e a trama excessivamente episódica não conquista.
Como todo o Cinema Soviético da época, serve como forma de propagar as ideias do sistema, assim como obviamente triunfá-lo. Não é um filme de fácil assimilação, as legendas são poucas e na tradução para o inglês, devem ter cortado parte do texto, que já era parco, além de uma edição não convencional.
Mas é impactante nas suas imagens (a metáfora do moribundo Simão que arava com bois para trazer a nova população mecanizada é excelente).
Muito interessante nas suas marcantes cenas que certamente influenciaram muitos diretores que viriam depois! Primeiro filme que eu tenho conhecimento que possui uma cena de nudez total feminina (em 1930!!!).
- caraca! poucas obras trazem personagens tão expressivos, sem diálogo, só nos olhares, dominam demais os semblantes
- bastante cru e contemplativo, passa sua mensagem sobre a força da união e a necessidade de reforma agrária para a prosperidade
O cinema mudo soviético é um campo profícuo de obras-primas dessa arte. Neste filme, tido como controverso desde seu lançamento, o cerne temático aborda o primeiro plano quinquenal da agricultura, na então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, em especial onde atualmente se situa a Ucrânia, sob a ótica da coletivização agrária e a consequente hostilidade dos proprietários de terras privadas, denominados "culaques". Formalmente magistral e de tomadas icônicas, o longa não suaviza nem romantiza o processo de industrialização da agricultura cossaca. Seco e simplista, o roteiro apenas mostra e apenas é, sem deixar de lado a ternura poética dos que guerreiam - o discurso caiu mas as imagens falam por si. A cena da dança hopak e a catarse do funeral anárquico saciam qualquer espectador e já fazem valer a pena a sessão de singelos 76 minutos.
Terceiro filme da trilogia da Ucrânia, de Aleksandr Dovjenko, "Terra" mantém a narrativa quase que de fluxo livre de seus antecessores. O objetivo, acima de tudo, é fazer a propaganda positiva da reforma agrária promovida pela União Soviética e a coletivização dos campos. Mas no meio do tom árido e questionável de suas intenções, Dovjenko encontra espaço para a poesia. As cenas dos campos, das flores, das frutas e da chuva trazem uma aura naturalista e idílica ao filme. Apresenta algumas coisas bastante ousadas para a época, como um nu completo de uma atriz ainda na década de 30, e o próprio ataque - fortíssimo, considerando o discurso incisivo - à instituição da Igreja e de suas crenças. E cria um paralelo belo entre morte e vida, resultando na reflexão de todos nós como frutos da terra. Ainda assim, "Terra", bem como seus colegas, sofre pela pouca empatia que provoca para com seus personagens, e a trama excessivamente episódica não conquista.
Como todo o Cinema Soviético da época, serve como forma de propagar as ideias do sistema, assim como obviamente triunfá-lo. Não é um filme de fácil assimilação, as legendas são poucas e na tradução para o inglês, devem ter cortado parte do texto, que já era parco, além de uma edição não convencional.
Mas é impactante nas suas imagens (a metáfora do moribundo Simão que arava com bois para trazer a nova população mecanizada é excelente).