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Em contraste com o personagem principal, o filme é até honesto para o que se propõem. Mas não deixa de ser um retrato horrível para homens bissexuais que usam cropped.
Eu adoro temáticas BDSM e afins, então a relação sado/masoquista não me causa nenhum tipo de choque ou repulsa. Ainda assim, é bizarro pensar no contexto em que as outras secretárias foram submetidas sem haver consentimento ou um entendimento prévio do tipo de dinâmica que estava sendo estabelecida ali. O próprio protagonista parece ter uma mínima consciência do peso das suas ações dentro de um ambiente profissional e esse é o ponto onde o filme falha, na excessiva e irresponsável romantização do assédio como uma prática fetichista.
Os temas e diálogos dessa temporada levaram Industry a outro nível de refinamento. Para mim, a força antagônica que existe na relação entre Harper Stern e Yasmin Kara-Hanani é o ouro dessa temporada. Harper, que por tantas vezes foi demonizada por sua personalidade inescrupulosa e por atuar por caminhos eticamente flexíveis, ganha coerência ao revelar por meio do seu novo empreendimento, a lógica de um mundo velho que se dissolve em seus próprios engodos e na obscuridade da hipocrisia. Já Yasmin assume o lugar de personagem mais complexa e trágica da série. Se antes parecia presa a estruturas de poder herdadas, agora se permite ser dissolvida pelo próprio luto para se refazer à imagem e semelhança daquilo que a destruiu. E isso é quase irônico, porque a Harper sempre operou no campo da troca, da estratégia, do ganho… mas ali no episódio final, o gesto dela com a Yasmin é outro. Quando ela estende a mão, não tem negociação, nem tem vantagem. É talvez um dos únicos momentos em que ela oferece algo que não pode ser convertido em poder e a resposta da Yasmin cria uma tragédia muito íntima. Ainda assim, elas continuam orbitando uma à outra como se compartilhassem o mesmo destino, só que por caminhos opostos.