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Vejo muitas semelhanças entre a Cabíria do Fellini e a Paloma. No entanto, o que mais aproxima as duas é o fato de serem tão ingênuas e ao mesmo tempo tão determinadas. Em poucos minutos de exibição a gente se apaixona por elas, torce por elas e teme pelo destino delas. Que a realidade não impeça as Palomas e as Cabírias de continuarem sonhando.
Para, K.E.V.i.N. Tem nerdola com mais de 30 anos chorando.
Nos anos 80, as comédias adolescentes de John Hughes conseguiram retratar muito bem a adolescência norte-americana daquele período e se tornaram referência do cinema. Sex Education, por outro lado, é uma série britânica e consegue ir além do aparente. Ao não se restringir ao núcleo dos personagens adolescentes, expondo a fragilidade dos adultos, trata da complexidade humana e a relação corpo/mente/identidade de forma muito sensível, fluida e bem humorada.
O roteiro trabalha muito bem a constituição do “eu” de cada personagem e como eles evoluem em suas relações com o “outro”. Nesse sentido, acompanhar o amadurecimento de Eric, Aimee, Mave e Jean (alguns dos meus favoritos) foi emocionante.
Otis, por outro lado, demonstrou ter sido a figura que menos evoluiu e o que mais se revelou egoísta, principalmente por não apoiar os sonhos de Mave. Enquanto ela passou a acreditar mais em si, se agarrou à oportunidade que surgiu e cresceu a ponto de não caber mais na vida que tinha.
Outro aspecto da série que deve ser destacado é a sua diversidade de representações. Porém, não dá pra ignorar que o contexto da série é uma realidade alternativa muito diferente da realidade social, econômica e, sobretudo educacional de países como o Brasil. Mesmo assim, não tenho dúvidas de que Sex Education, assim como os filmes do John Hughes, continuará a ser uma grande referência.