Paloma, agricultora, quer um casamento tradicional em uma igreja com o namorado Zé. O padre local recusa seu pedido. Mas Paloma, uma mulher trans, vai lutar por seu sonho.
Existe uma cena em Paloma que resume tudo o que o Brasil faz com suas mulheres trans: ela sorri. Sorri enquanto planeja o vestido, sorri enquanto dita uma carta ao Papa, sorri enquanto o mundo ao redor organiza silenciosamente os tijolos do muro que vai cercá-la. Kika Sena não está apenas interpretando uma personagem — ela está habitando uma verdade que o cinema brasileiro raramente teve coragem de olhar de frente com tanta ternura e sem condescendência. Paloma é negra, nordestina, analfabeta, trans, e o filme de Marcelo Gomes tem a grandeza de tratá-la não como símbolo de sofrimento, mas como mulher inteira, cheia de desejo, fé e amor — coisas que, no Brasil, ainda precisam ser reivindicadas como direito.
O que parte o coração não é a recusa do padre, nem a reportagem cruel, nem o abandono de Zé. O que parte o coração é perceber que Paloma nunca pediu muito. Pediu o que qualquer pessoa tem direito: ser abençoada no seu amor, usar vestido branco, ouvir o sino da igreja tocar por ela. E mesmo isso — mesmo o mínimo, mesmo o óbvio — o país tratou como afronta. Marcelo Gomes filma esse processo com uma câmera que nunca abandona o rosto de Paloma, como se soubesse que desviar o olhar seria uma forma de cumplicidade com tudo que tenta apagá-la. É um gesto ético antes de ser estético.
Paloma não é um filme perfeito — o roteiro tropeça em alguns momentos, e há quem questione, com razão, se uma história trans precisa sempre terminar em exílio para ser levada a sério. Mas Kika Sena transcende qualquer imperfeição narrativa com uma atuação que ficará. Ela carrega o filme nos ombros com a leveza de quem aprendeu que resistir também pode ser sorrir. Como diria Mariah Carey — que sabe melhor do que ninguém o que é lutar pelo direito de ocupar o próprio palco —, às vezes a maior vitória é simplesmente não desaparecer. Paloma não desaparece. E o cinema brasileiro é maior por ela ter existido nessa tela.
Me pergunto de qual mente insana saiu esta premissa imbecil. Por qual motivo uma trans iria querer fazer parte de instituição que a nega, que a persegue? Analogia mais próxima que consigo é um corintiano querendo se afiliar à Mancha Verde. Certamente o cenário de preconceito, intolerância e ódio foram bem retratados, porém o argumento é ridículo , se o quisesse ela poderia fazer uma cerimônia de véu e grinalda em qualquer lugar com qualquer juiz de paz. No fundo é um a tentativa de critica a Igreja católica por não ser inclusiva feita por um grupo que duvido muito queira ser incluído na Igreja.
Existe uma cena em Paloma que resume tudo o que o Brasil faz com suas mulheres trans: ela sorri. Sorri enquanto planeja o vestido, sorri enquanto dita uma carta ao Papa, sorri enquanto o mundo ao redor organiza silenciosamente os tijolos do muro que vai cercá-la. Kika Sena não está apenas interpretando uma personagem — ela está habitando uma verdade que o cinema brasileiro raramente teve coragem de olhar de frente com tanta ternura e sem condescendência. Paloma é negra, nordestina, analfabeta, trans, e o filme de Marcelo Gomes tem a grandeza de tratá-la não como símbolo de sofrimento, mas como mulher inteira, cheia de desejo, fé e amor — coisas que, no Brasil, ainda precisam ser reivindicadas como direito.
O que parte o coração não é a recusa do padre, nem a reportagem cruel, nem o abandono de Zé. O que parte o coração é perceber que Paloma nunca pediu muito. Pediu o que qualquer pessoa tem direito: ser abençoada no seu amor, usar vestido branco, ouvir o sino da igreja tocar por ela. E mesmo isso — mesmo o mínimo, mesmo o óbvio — o país tratou como afronta. Marcelo Gomes filma esse processo com uma câmera que nunca abandona o rosto de Paloma, como se soubesse que desviar o olhar seria uma forma de cumplicidade com tudo que tenta apagá-la. É um gesto ético antes de ser estético.
Paloma não é um filme perfeito — o roteiro tropeça em alguns momentos, e há quem questione, com razão, se uma história trans precisa sempre terminar em exílio para ser levada a sério. Mas Kika Sena transcende qualquer imperfeição narrativa com uma atuação que ficará. Ela carrega o filme nos ombros com a leveza de quem aprendeu que resistir também pode ser sorrir. Como diria Mariah Carey — que sabe melhor do que ninguém o que é lutar pelo direito de ocupar o próprio palco —, às vezes a maior vitória é simplesmente não desaparecer. Paloma não desaparece. E o cinema brasileiro é maior por ela ter existido nessa tela.
27/03/2026.
28/02/2026
ao que se propôs
um bom filme
Um conto de fadas surpreendentemente inspirado numa história real de uma mulher trans do agreste pernambucano.
Me pergunto de qual mente insana saiu esta premissa imbecil. Por qual motivo uma trans iria querer fazer parte de instituição que a nega, que a persegue? Analogia mais próxima que consigo é um corintiano querendo se afiliar à Mancha Verde. Certamente o cenário de preconceito, intolerância e ódio foram bem retratados, porém o argumento é ridículo , se o quisesse ela poderia fazer uma cerimônia de véu e grinalda em qualquer lugar com qualquer juiz de paz. No fundo é um a tentativa de critica a Igreja católica por não ser inclusiva feita por um grupo que duvido muito queira ser incluído na Igreja.