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David Cronenberg – o diretor de filmes como "A mosca" e "Scanners", dirigiu em 1996 o filme Crash, baseado em um conto de J. G. Ballard. O filme conta a bizarra história de um grupo de fetichistas do automóvel. O clube se dedica a reconstituir acidentes famosos (James Dean e outros), com todo o realismo possível, e seus membros sentem atração sexual por cicatrizes adquiridas em colisões. Alguns dos quais mal podem parar em pé, de tantas sequelas.
A crítica de Robert Kurz diz que o filme é um simulacro e não aponta nenhuma transcendência. Kurz tem razão, mas há mais o que dizer sobre ele. O filme apresenta o automóvel como um fetiche e mediador de relações sociais. Exagera? “Mas só o exagero é verdadeiro” (Adorno e Horkheimer). Afinal, o limite do capital é o campo de concentração, a dominação sem limites, e esse exagero foi bem real. Assim como Sade, ao mostrar o corpo humano como máquina de eficiência (nenhum órgão ou orifício pode ficar ocioso), desnudou a lógica do ritmo frenético do trabalho abstrato, assim como Nietzsche, ao identificar razão e dominação lançou luz sobre o lado escuro do Iluminismo, assim talvez Cronenberg e Ballard, ao escancarar o fetichismo do automóvel, tenham acessado sua verdade mais íntima. Tudo isso, talvez, contra-e-mais-além de sua própria intenção.
Resenha completa em Sinal de Menos #1 - www.sinaldemenos.org (CRASH!, Daniel Cunha)
Ver esse filme com 25 anos de atraso é um experiência interessante. Hoje em dia as operações financeiras retratadas no filme são tão primitivas quanto os celulares-tamanho-de-tijolo que são utilizados. O pano de fundo do enredo - um jovem corretor que é iniciado nas trapaças financeiras por um especulador experiente - é o começo da intensificação da autonomia dos mercados financeiros em relação à economia real. Não há crítica profunda, no entanto: no fim o que se tem é uma apologia moralista de um capitalismo "honesto" e de "trabalho duro", em detrimento da "desonestidade" dos especuladores.
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O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!
Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)
Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
Boa sorte! :)
* Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/
Obrigada Daniel...com certeza irei conferir então...desculpa a demora na resposta, eu em determinadas vezes esqueço que tenho filmow...heheheh
Beijãoooo
Vi agora que está na sua lista de filmes vistos..vc gostou?
Assim como em seu filme anterior "Crash", Cronenberg mais uma vez acerta a mão ao descrever a função social do automóvel no capitalismo. Enquanto em Crash o automóvel é apresentado como fetiche e mediador de relação sociais, em Cosmopolis a limusine do milionário Eric Packer é o cenário e a materialização da atomização do sujeito burguês: dentro dela ele não apenas comanda as suas operações financeiras na economia capitalista enlouquecida, mas também faz sexo, defeca, discute com seus assistentes e faz exame de próstata. Para garantir o seu perfeito isolamento do mundo exterior, a limusine é acusticamente isolada com cortiça. O que predomina, portanto, tanto no personagem quanto na forma do filme, é a apatia. Nas poucas ocasiões em que sai do automóvel, Packard parece perder os seus pontos de referência, e não consegue fazer sexo com a sua esposa de conveniência. No entanto, o que ele deseja ao longo do filme é cortar o cabelo, atravessando com a sua limusine uma cidade atribulada por protestos e manifestações. Uma situação na qual ele poderia sair de sua limusine e experimentar o real, com o qual ele parece já não ser capaz de lidar.