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Depois desta experiência, entendemos que um filme pode ser recheado de cenas fortes graficamente e, ao mesmo tempo, construí-las de forma sutil e encantadora. Muito dessa preoza vem dos diretores de A Quinta Estação trabalharem com infinitas metáforas para incumbir significados implícitos na narrativa.
O prazer em assistir àqueles estranhos personagens e acontecimentos é o que mantém nossa curiosidade acesa num universo inexplicável. Aqui, nos é apresentada toda a consistente força da natureza, com seus ciclos próprios e, por que não, desconhecidos.
Temos a praga, a maldição, a bruxaria e o azar que se apossam de uma comunidade. Junto, os residentes que não compreendem o que veem. O tradicional ritual de inverno não se concretiza; os peixes morrem; o gado é levado embora; a produção de mel some; começa a brotar daí a grande questão que movimenta o filme: como responder ao mundo quando ele não lhe provê o que necessita para viver? Para esses moradores isolados, suas necessidades estão nas mãos da natureza, que não lhes deu o ciclo habitual, conhecido, esperado. Nada mais tem vida dentre os cinzentos moradores.
A Quinta Estação oferece muitas leituras. Uma que embarquei foi refletir o quanto o ser humano é um ser dependente do seu entorno. Quando seus recursos, sejam lá quais forem, são retirados, ele não tem mais nada. Assim, conhecemos um que não consegue reagir facilmente aos novos ciclos apresentados pelo desconhecido.
É, sem dúvidas, um filme recomendado para todos aqueles que gostam de viver experiências estéticas diferentes. Com belos quadros e tocante trilha sonora, o longa atinge o espectador emocionalmente, que desarmado, precisa colocar-se sob novas perspectivas para adentrar nessa realidade.
Wim Wenders cria uma das poesias visuais mais lindas que se possa ver. Asas do Desejo se apresenta como uma obra que brinda à vida, ela se apodera dos pequeninos detalhes que nós, seres desgastados pela rotina, deixamos de perceber. São as mãos gélidas, o vento varrendo os cabelos, o Sol que nasce todas as manhãs e esquenta a pele, pele que sente o toque. O diretor explora a ideia de que os sentidos prevalecem, que viver o descobrir a si é voar.
Quando crianças, com nossos recentes pares de asas, começamos a nos deslocar sobre as experiências acessíveis a nós e o novo nos atrai incessantemente, nos mantendo em movimento contínuo atrás do desejo. E, ainda nesse momento, a mente passa a perguntar quem seria ela própria.
Como seres que pensam a existência, por vezes enrijecemos o par de asas e entramos numa esfera cinza e murada. Não há cor, não há cheiro, não há vento ou vida. Uma existência vista de fora, contada por um Outro, sem experimentação empírica.
O que é mais sedutor ao ser humano... Viver como um anjo e sem dor? Viver a dor e ter a capacidade de sentir? Através dos belíssimos planos da trapezista que se arrisca nas alturas e de diálogos que forçam o mergulho do espectador nas angústias das personagens, o longa oferece uma passagem ao espectador para dentro de si mesmo. Para entrar, basta permitir-se atirar.
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Bons filmes!
Equipe Filmow
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Oi,dá sim.Rs...Já tenho mais de 30 anos,e assisto sempre um filme por dia...É um vício!
Sem a necessidade de efeitos especiais megalomaníacos ou diálogos excessivamente explicativos, o longa se desenvolve com potência através de uma narrativa bem desenvolvida. Uma realidade ficcional (nem tanto assim?), futurística, dominada pela competição no mercado de trabalho, pelo individualismo e pela busca objetiva e explícita pela boa aparência. Uma empresa especializada em complexos procedimentos estéticos - nos quais mulheres figuram como maiores vítimas. E, apesar de aqui termos como motivação o clichê "transferência corpórea de consciência", os pontos importantes para a trama se tornam outros e essa é a grande sacada do longa. Vemos também a discussão a respeito do excessivo corporativismo e a perfeição ligada ao ofício. Perfeição também criticada no aspecto da busca por uma estética particular - nos aproximamos cada vez mais do universo robótico ali expresso. <br/><br/>Contém spolier: Gwen deixaria de ser Gwen para poder melhor atender ao futuro da filha? A filha reconheceria Gwen como sua mãe, mesmo após um processo onde sua aparência fosse trocada radicalmente por outra? Nesse involucro, podemos refletir a respeito da criação dos laços de conexão indivíduo/mundo. A experiência empírica gera uma memória ao corpo diferente daquela armazenada na consciência pensante. Isso aparece quado Gwen tenta aproximar-se do piano, mas pouco som é transmitido. Ou, quando encontra-se incomodada com a música clássica que anteriormente gostava de ouvir. <br/><br/><br/>Advantageous é cheio de pequenos simbolismos, gestos sutis e cenas com nuances surrealistas que tentam trazer o espectador para o ambiente interno e causar certo estranhamento. Uma ficção científica poética e cativante.