Foi um filme que cresceu em mim. Até gostei, mas não sai do cinema achando tão fantástico. Mas quanto mais penso nele, mais gosto. Um jeito honesto e inteligente de tratar o período da ditadura, sob um ponto de vista que não costumamos tratar. Não estamos falando de dissidentes políticos, estudantes militantes, guerrilheiros... São pessoas comuns, com vidas comuns, que sofreram tanto quanto, em um período em que a corrupção e violência policiais eram normas, carreiras eram tão facilmente destruídas, em que pessoas precisavam viver fugidas, escondidas e com medo, em que era tão fácil encontrar alguém para matar. É um filme sobre a normalização dessa situação e sobre o esquecimento de muitas histórias anônimas desse período que ficaram sem registro, sem acerto. O sogro do Armando nem esconde o final: ninguém vai pagar porra nenhuma. A anistia nos fez um desserviço muito grande. Não há reconstrução séria sem justiça e punição exemplar para quem muito de errado fez. Essa reparação ficou pendente na nossa história, na nossa memória coletiva. Tanto que ainda se vive muito do que se vivia nos anos 1970. A violência policial segue aí firme e forte.
Foi um filme que cresceu em mim. Até gostei, mas não sai do cinema achando tão fantástico. Mas quanto mais penso nele, mais gosto. Um jeito honesto e inteligente de tratar o período da ditadura, sob um ponto de vista que não costumamos tratar. Não estamos falando de dissidentes políticos, estudantes militantes, guerrilheiros... São pessoas comuns, com vidas comuns, que sofreram tanto quanto, em um período em que a corrupção e violência policiais eram normas, carreiras eram tão facilmente destruídas, em que pessoas precisavam viver fugidas, escondidas e com medo, em que era tão fácil encontrar alguém para matar. É um filme sobre a normalização dessa situação e sobre o esquecimento de muitas histórias anônimas desse período que ficaram sem registro, sem acerto. O sogro do Armando nem esconde o final: ninguém vai pagar porra nenhuma. A anistia nos fez um desserviço muito grande. Não há reconstrução séria sem justiça e punição exemplar para quem muito de errado fez. Essa reparação ficou pendente na nossa história, na nossa memória coletiva. Tanto que ainda se vive muito do que se vivia nos anos 1970. A violência policial segue aí firme e forte.