Everton Gregório
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General Carneiro - (🇧🇷 BRA)
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Últimas opiniões enviadas

Everton Gregório
5 dias atrás

Quando acabei de vê-lo (motivado pela sua presença na lista de "1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer"), me bateu uma sensação de que poderia ter sido melhor: mais engraçado, no campo da comédia; mais dramático, quando a película muda de tom; ou seja, que o filme poderia ter avançado em qualidade e substância através de escolhas mais bem feitas pelo autor. No entanto, quando comecei a refletir sobre ele, no dia seguinte, durante o banho, enquanto comia, enfim, percebi o quanto me fez pensar.

A forma leve como ele é retratado, seja nos passeios de lambreta por Roma ou nas idas e vindas pelas ilhas do Mediterrâneo, é muito gostoso de se ver e, também, meio raro. Nessa pretensa simplicidade reside sua genialidade, pois, pincelada entre as paisagens, aparecem pílulas de reflexões, de provocações, de pensamentos expressos pelo autor que, quando refleti melhor, me bateram mais profundamente. Talvez nem todo mundo se identifique com tais ideias, mas eu sim.

E pensar que a lindeza de um passeio descompromissado pelas vielas da cidade que ama, do vislumbrar de uma alegre dança de estranhos, da dificuldade de se organizar as rotinas e ideias, poderia simplesmente não mais existir por conta da negligência da classe médica. Estou perto dos 40 - tal como o protagonista, e me indaguei se, daqui a pouco, não serei eu que posso perder de viver por ser displicente para com minha saúde.

O filme podia ser mais engraçado, mais melodramático, mais intenso nessas representações. Talvez fosse um melhor filme se tivesse essa pancada emocional. Mas, assim como é, já mexeu comigo e está aí o poder da arte: em como ela ganha sentido através das nossas próprias experiências.

Everton Gregório
5 meses atrás

Seria "Touro Indomável" a resposta de Scorcese à derrota imposta pela Academia ao seu Taxi Driver diante de Rocky? Bem, se querem um filme sobre um boxeador, toma! Até quebrar o nariz! Com toda a fúria do rapaz - e já um genial diretor - nos anos 70.<br/><br/>Depois de mais de uma década, revi-o ontem e para um desmemoriado como eu, o filme seguia vivíssimo em minha mente. Sobretudo em relação à atuação maior-do-que-a-vida do De Niro. Ainda estava lá, no inconsciente, os rompantes de fúria do Jake La Motta. Mas não é só isso, é a complexidade do mundo inteiro encapsulado em um ser. Um lutador vitorioso e derrotado. Egocêntrico, paranóico, violento, sanguíneo. De Niro está completamente assustador no papel e sua famosa transformação física é o sinal do comprometimento para com o ofício. Merecidamente premiada e reconhecida como uma das grandes atuações da história.<br/><br/>Já chamava a atenção, claro, tanto que concorreu ao Oscar de Coadjuvante, mas é preciso reconhecer o quão imenso é o pequenino Joe Pesci! Sua atuação é tão cheia de magnetismo que ele não fica eclipsado pela presença de tela do De Niro. A interação de ambos é ABSOLUTE CINEMA!<br/><br/>Direção, montagem, edição, fotografia, efeitos sonoros. Cada um destes aspectos está entre os momentos de maior esmero que já vi representado em tela. Há um plano sequência que apresenta a saída do Jake do vestiário até o ringue que é de explodir o cérebro, coisa de raro talento. O italianinho sabe das coisas!<br/><br/>Na outra ocasião havia atribuído 4,5 e penso que tenha sido pela falta de identificação com o protagonista. É sempre algo que puxa o espectador, você busca algo que te aproxime, que te marque emocionalmente na figura condutora do filme. Mas, de fato, não tem como gostar do La Motta (embora, reconheçamos, ele representa ainda hoje boa parte da parcela masculina desta esfera cósmica em que habitamos). A despeito disso, não há como não dar nota máxima à técnica apresentada e a qualidade dos envolvidos. O filme é perfeito!

editado
Everton Gregório
6 meses atrás

"O Agente Secreto" me arrebatou, logo de cara, pelo apreço estético do filme. Que retrato de época incrível! Para quem como eu, nasceu e cresceu em cidade pequena em meio aos anos 90 (e numa cidade pequena as mudanças acontecem muito mais lentamente), ainda se via na vida cotidiana os diversos tipos que enchem a tela: seja na estética ou no comportamento. Só aí o filme já mostra ao que veio - a importância dada aos pequenos detalhes.

Talvez seja isso também o que o "auteur" Kleber Mendonça Filho espera de seu público: a atenção dada às minucias de uma obra tão multifacetada, que brinca com vários gêneros, mas sempre com aquela pegada thriller, de fazer o espectador imaginar o que vem pela frente e aonde aquilo tudo vai dar. Embora, pela primeira cena, já possamos imaginar o que possa acontecer ao fugitivo protagonista do monstruoso Wagner Moura!

Para um jornalista que adora história, o filme é um prato cheio. Diferentemente de "Ainda Estou Aqui", que é um filme-denúncia, um ataque direto à política massacrante de estado que é um ditadura (ou um estado totalitário), "O Agente Secreto" apresenta uma micro história do período, o que para mim é ainda mais poderoso, pois mostra como a presença de um estado que banaliza a violência, o abuso de autoridade e de poder se dilui na sociedade, no cotidiano, e faz com que muito do que é perverso não seja percebido pela sociedade, quanto menos (re)lembrado até por quem sofreu diretamente por conta dela.

Os promíscuos interesses público/privados enviesados por quem tem o poder da grana. Matadores com origem militar. Histórias caladas pelo medo de serem (re)descobertas. Mas talvez venha daí a grandiosidade da obra, já que não retrata isso de modo caricato ou para fazer chorar. O seu autor apresenta até questões regionalistas, como a perna cabeluda, retratando a forma como a imprensa pernambucana abordava a violência policial/militar ou perpetrada por quem agia através deles pela permissividade garantido pelo suborno, pela corrupção.

Tudo isso é apresentado por personagens complexos, nada unidimensionais. E que elenco, puxa vida! Independentemente do tempo de tela, todos brilham. Esse é filme para assistir mais de uma vez e pegar cada entrelinha apresentada pelo dito e no não-dito desta verdadeira obra-prima do nosso cinema! É CINEMA EM CAIXA ALTA!

P.S.: Como obra de arte que é, ela se constrói e se ressignifica pelo viés de seu espectador, então longa a vida a todos que possam vê-lo com olhos além do entretenimento tiktoker.

  • Filmow 4 dias atrás

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    Bons filmes!
    Equipe Filmow

  • Breno 11 meses atrás
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  • Breno 1 ano atrás
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