Últimas opiniões enviadas
Acho que me interessou mais pelas promessas do que necessariamente pelo que decidiu enfrentar de fato. Em vários momentos, parece que o filme vai abrir uma discussão mais incômoda sobre religião, culpa, trauma e saúde mental, que é terreno delicado e fácil de tratar de forma irresponsável, mas ele acaba recuando antes de se debruçar efetivamente. Fica uma sensação estranha de uma oportunidade parcialmente desviada. Ainda assim, há algo nele que funciona. O isolamento, o frio, a casa como espaço de ameaça e confusão, tudo isso é construído com bastante força. A estética tem peso, e o cenário parece pensado como parte do estado mental do filme. Talvez por isso eu tenha ficado dividido, pois o filme mais convincente quando cria atmosfera do que quando tenta transformar essa atmosfera em reflexão. Como experiência de horror psicológico, tem bons momentos. Como mergulho naquilo que ele mesmo sugere, fica um pouco aquém.
É um tipo de humor que parece deslocado de várias formas, e talvez seja justamente por isso que ainda diverte. O filme não tenta se defender com subtexto, comentário maior ou alguma camada escondida esperando ser descoberta. Ele só empilha piadas, gags, situações idiotas, esquetes que por vezes funciona e, por outras, não. Essa falta de ambição quase vira uma qualidade. Fazia tempo que eu não via uma comédia tão interessada apenas em ser engraçada. Não em parecer esperta, não em justificar sua própria existência, não em transformar cada piada em diagnóstico cultural. Só engraçada. E, em alguma medida, ela consegue. Não saí com nada muito forte na cabeça, mas nem acho que havia algo para levar comigo além dessa sensação simples de bobagem direta. Divertido.
O filme tem uma espécie de tensão fria, como se tudo estivesse um pouco fora do lugar antes mesmo de qualquer coisa se revelar de fato. Aos poucos, porém, essa sensação vai encontrando função em como a forma instável acompanha a própria personagem, e os pequenos deslocamentos estéticos passam a fazer parte da maneira como a narrativa entende repressão, desejo e medo.
O que mais me pegou foi essa interconexão entre a história e o modo como ela é contada. Um gesto, uma mudança mínima de clima, uma imagem mais estranha, tudo vai se alterando conforme Thelma também se altera. O filme funciona melhor quando deixa essa inquietação respirar, quando transforma o sobrenatural menos em explicação e mais em sintoma de algo que estava preso no corpo, na culpa, na educação, na família...
Ainda assim, senti alguns limites. Em certos momentos, a construção parece mais interessante do que o impacto emocional que ela produz. Acredito que o filme me manteve mais envolvido do que efetivamente impactado.