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A franquia Invocação do Mal é a minha favorita no terror. Justamente por isso, não criei grandes expectativas quando soube que seria mais um trabalho do Michael Chaves. E, infelizmente, eu estava certa.
Logo na abertura, o filme
tenta estabelecer uma ligação intimista ao trazer um caso conectado à gestação da filha de Ed e Lorraine. A proposta era despertar afeição e empatia, mas comigo não funcionou. Pelo contrário, fiquei intrigada com as incoerências: Lorraine ensina Judy a bloquear espíritos — algo nunca antes mencionado. Em filmes passados, como Annabelle, sempre vimos Judy completamente vulnerável. A cena até poderia ser forte, mas peca em roteiro e direção.
Esse contraste fica ainda mais gritante quando pensamos que até UP – Altas Aventuras (um filme infantil!) consegue imprimir emoção, amor e empatia em poucos minutos. Emoções que James Wan soube trabalhar tão bem nos dois primeiros Invocação do Mal. Por que Chaves não consegue nos emocionar nem mesmo em um simples flashback de um casal que já amamos?
Quando chegamos às cenas de suspense,
o problema se repete: nada assusta. A boneca que primeiro anda e depois levita do nada é um exemplo quase cômico. Mas não para por aí: temos o fio de telefone sendo puxado, a fita cassete rebobinada, a luz caindo em cima da menina… todas cenas filmadas de forma solta, sem atmosfera, sem tensão. A câmera simplesmente corre pelo ambiente, sem nos dar o prazer de procurar o terror nos cantos da tela, recurso essencial para criar medo psicológico.
A apresentação da família secundária é outro desastre. Sem carisma, sem relevância. A falta de conexão emocional foi tamanha que cheguei a torcer para que alguém morresse só para sentir alguma coisa. E ainda assim, o filme prefere gastar longos minutos com os Warren jogando ping pong numa festa do que construir atmosfera na casa assombrada.
Nem tudo, claro, é descartável.
A morte do padre, sua ida até a casa, e a cena do espelho quebrando — quando a menina vomita os cacos de vidro — funcionam bem. Mas logo o filme volta ao ridículo. O exorcismo do espelho é um show de exageros sem sentido, incluindo uma câmera giratória que sobe até o céu e volta, só porque havia orçamento para isso. Estilo sem propósito não é estilo, é exibicionismo.
E o roteiro…
O espírito do vestido de casamento com poderes de Wi-Fi, que chega até Judy antes mesmo do enterro do padre, foi de cair o queixo. Ele conseguiu possuir o padre, mas não a Judy, porque ela sabe bloquear espíritos (até ser possuída do nada logo depois). Para piorar, enfiaram uma aparição gratuita de Annabelle correndo atrás da menina, em um dos momentos mais involuntariamente cômicos da franquia. Sem contar que o pai da família é claramente possuído em certo ponto e isso nunca mais é mencionado.
Pior: Lorraine, que no primeiro Invocação do Mal foi capaz de sentir uma possessão prestes a acontecer (nos rendendo a impecável cena do lençol ao vento), agora não percebe nada quando é a própria filha em perigo. Conveniente demais.
E como esquecer Ed Warren pedindo a bíblia para repetir frases que ele já usou em exorcismos anteriores sem livro algum? Numa situação em que sua filha está sendo possuída, a pressa deveria ser essencial. Mas não: esperaram calmamente a entrega do Amazon Prime Books.
No fim, o que sobra é a sensação de que Michael Chaves não sabe construir medo, nem emoção, nem empatia. Ele entrega sustos artificiais, sem alma, e uma história repleta de incoerências. James Wan, você é um criminoso de ter abandonado a franquia nas mãos desse diretor.