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hahaha Sou usuário raiz do Filmow mas admito que atualmente está mais difícil de aumentar essa lista. Poxa, sua indicação parece ser sensacional e eu indiquei filmes mais simples rsrs. Dos que eu indiquei o terceiro me tocou muito os outros dois são mais para discussão mesmo pois ainda estou definindo se gostei ou não (estou naquela de digerir o filme, sabe?).
Obrigado, volto com o feedback também!
bj
Nossa! Foi um desafio escolher algum pra te indicar, sua lista de obras já assistidas é imensaaaa! haha Bom, escolhi um do Truffaut, que pra mim, é uma das obras mais sublimes dele.
https://filmow.com/os-incompreendidos-t5917/
Depois volto pra dar um feedback nos que me indicou.
Tem na HBO Max. Assisti por lá
De Olhos Bem Fechados: o que não vemos é o que mais assombra
Revisitei esse filme após alguns anos, motivado pelas teorias que apontam coincidências entre sua narrativa e o caso Epstein. Seja ou não uma forma de expor algo, jamais saberemos e a morte de Stanley Kubrick torna essa pergunta ainda mais inquietante. Ele morreu de ataque cardíaco seis dias após exibir o filme para Tom Cruise, Nicole Kidman e executivos da Warner Bros. A Warner insiste que o que foi lançado é o seu corte final, mas cineastas próximos a Kubrick discordam: o que temos, segundo eles, é provavelmente o seu primeiro corte. Para um diretor famoso pela obsessão com edição que reeditou tanto 2001 quanto O Iluminado após exibições iniciais, é difícil acreditar que ele teria parado por aí.
Quando vi o filme pela primeira vez, há mais de dez anos, provavelmente não cheguei ao final. Desta vez, meu olhar foi além da atuação contida de Nicole Kidman que, devo ser justo, tem poucos minutos em tela. Na época, Tom Cruise e ela eram um casal fora das telas, o que torna ainda mais impressionante a ausência de conexão entre eles no filme. Para uma obra de tamanha carga erótica e emocional, essa frieza é quase desconcertante.
O grande acerto do filme está no clima de suspense e na trilha sonora em especial aquelas notas de piano que surgem nos momentos de angústia do protagonista. Uma melodia que não consola nem explica: apenas instala o desconforto. Se ele não entende o que está vivendo, nós, como audiência, entendemos ainda menos.
Já li críticas que apontam situações mal desenvolvidas, mas consigo me colocar no lugar do personagem: a estranheza das situações, o sentimento de perseguição e, mesmo assim, a persistência da curiosidade. Mesmo diante dos riscos ou melhor, sem sequer compreendê-los plenamente ele continua nessa espiral de sedução e perigo. Há algo de profundamente humano nisso.
Afinal, o filme é sobre seitas? Sexo? Traição? Desejos reprimidos? Talvez seja tudo isso ou, melhor ainda, talvez seja sobre como a mente humana nos prega peças e nos arrasta para as piores decisões quando estamos acuados. O enredo externo é quase um pretexto para o verdadeiro drama: o que acontece dentro da cabeça de um homem que, pela primeira vez, enxerga o abismo dos próprios desejos e dos desejos da mulher ao seu lado.
Kubrick sabia como operar no inconsciente do espectador. Em O Iluminado mesmo desprezado por Stephen King, autor do livro original vemos Jack Nicholson sendo devorado por forças que mal conseguimos nomear. O sobrenatural dessa obra não tem nada a ver com De Olhos Bem Fechados, mas a forma como ambos lidam com a erosão da sanidade e do autocontrole permite traçar um fio entre eles.
Em breve veremos Tom Cruise em um projeto diferente: Digger, dirigido por Alejandro González Iñárritu. Depois de anos dedicado às franquias de ação, é satisfatório ver o ator multifacetado retornando a projetos de menor escala e de maior risco criativo.
De Olhos Bem Fechados é um filme para quem quer apreciar e temer a natureza humana. No próprio título há uma metáfora precisa: não é o que vemos que ameaça nossos relacionamentos e nossa razão, mas o que mantemos fechado, reprimido, inconsciente. Kubrick nos convida a abrir os olhos para exatamente isso e nos deixa desconfortáveis.