desde que eu soube que esse filme ia ser produzido, fiquei contando os dias pro lançamento. com o tempo, as minhas expectativas foram diminuindo. depois de ler a sinopse, meu medo era que acabasse sendo só mais uma das várias alegorias da a24 para trauma ou transtornos psicológicos. acho que o conceito das backrooms é tão bom e único que esse meu receio não se concretizou (ufa). gosto muito de olhar para o inconsciente através de uma lente arquitetônica, me soa plausível compreendê-lo como um edifício. assim como o clark diz, tudo o que existiu fica registrado ali. às vezes borrados, sobrepostos, mas pra sempre estarão ali. minha cena favorita (e a que condensa todo o filme pra mim) é a que mostra a sala da infância da mary e, à medida que a câmera vai descendo, ela vai perdendo os móveis, os objetos, os detalhes, até que se torne um cômodo completamente ocluso e vazio. é como se o trauma fosse recalcado para a região mais profunda da nossa mente e se cristalizasse lá. muito se comenta sobre um mecanismo de defesa, o de que memórias traumáticas são frequentemente esquecidas. eu acho que essa cena retrata isso muito bem: nós não vemos mais os detalhes porque assim nos protegemos do evento original. mas será que estamos de fato protegidos, ou apenas presos por/a ele? ficar dentro das backrooms é ser engolido vivo; sair delas é se libertar do passado e retomar a agência sobre a própria vida. acho que o filme teve o azar de estrear na mesma época de obsessão (que acaba ofuscando os demais). também não sei se gostei da cena do embate entre os protagonistas, adoro os elementos lynchianos mas acho que, por se tratar de um momento crucial do roteiro, o diálogo deixa a desejar. de toda forma, fico feliz que eu tenha gostado do filme. ah, eu também queria comentar que fiquei maravilhado com o color grading e que a blusa da mary na última cena lembra muito o papel de parede do nível 0 (adorei essa escolha).
desde que eu soube que esse filme ia ser produzido, fiquei contando os dias pro lançamento. com o tempo, as minhas expectativas foram diminuindo. depois de ler a sinopse, meu medo era que acabasse sendo só mais uma das várias alegorias da a24 para trauma ou transtornos psicológicos.
acho que o conceito das backrooms é tão bom e único que esse meu receio não se concretizou (ufa). gosto muito de olhar para o inconsciente através de uma lente arquitetônica, me soa plausível compreendê-lo como um edifício.
assim como o clark diz, tudo o que existiu fica registrado ali. às vezes borrados, sobrepostos, mas pra sempre estarão ali. minha cena favorita (e a que condensa todo o filme pra mim) é a que mostra a sala da infância da mary e, à medida que a câmera vai descendo, ela vai perdendo os móveis, os objetos, os detalhes, até que se torne um cômodo completamente ocluso e vazio. é como se o trauma fosse recalcado para a região mais profunda da nossa mente e se cristalizasse lá. muito se comenta sobre um mecanismo de defesa, o de que memórias traumáticas são frequentemente esquecidas. eu acho que essa cena retrata isso muito bem: nós não vemos mais os detalhes porque assim nos protegemos do evento original. mas será que estamos de fato protegidos, ou apenas presos por/a ele? ficar dentro das backrooms é ser engolido vivo; sair delas é se libertar do passado e retomar a agência sobre a própria vida.
acho que o filme teve o azar de estrear na mesma época de obsessão (que acaba ofuscando os demais). também não sei se gostei da cena do embate entre os protagonistas, adoro os elementos lynchianos mas acho que, por se tratar de um momento crucial do roteiro, o diálogo deixa a desejar. de toda forma, fico feliz que eu tenha gostado do filme. ah, eu também queria comentar que fiquei maravilhado com o color grading e que a blusa da mary na última cena lembra muito o papel de parede do nível 0 (adorei essa escolha).