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Gostei bastante. Apesar de achar que o anime ficou corrido demais e meio perdido na teia de informações após
a morte do L.
Um outro aspecto que eu não curti foi ver como as personagens femininas são retratadas no anime. Primeiro cabe apontar que há uma infinidade de personagens masculinos super complexos, mas só duas personagens femininas foram relevantes para a história de fato. Dentre essas duas personagens, a Misa Amane é retratada simultaneamente de forma infantilizada e hiperssexualizada, além de ser uma personagem que vive em função de um personagem masculino, em um nível que só a fantasia da mente masculina pode projetar mesmo, rs. A outra personagem feminina de destaque, que foi a jornalista, também é retratada como alguém que vive aos pés do personagem masculino. Enfim, vai ter gente que vai achar o meu comentário uma bobagem, mas o audiovisual ajuda a construir o nosso imaginário sobre certos grupos, então acho que algumas representações não podem passar despercebidas e livres de críticas.
O enredo em si é interessante, o problema é a perspectiva extremamente misógina da série. Já no primeiro episódio eu não precisei sequer checar os créditos para chegar à conclusão de que o diretor e o roteirista eram homens. A impressão que dá ao assistir cada episódio é de que ambos estavam desesperados para ver as atrizes da série em situação de nudez e em cenas de sexo extremamente vexatórias.
A narrativa masculina também fica perceptível em outros momentos, como, por exemplo, logo no primeiro episódio, em que o estupro é usado como um mecanismo para transformar a personagem feminina mais forte e, após o parceiro dela matar o estuprador, ela recompensá-lo com sexo. Só na fantasia masculina mesmo para algo assim ocorrer. Aliás, essa é a minha impressão geral sobre a série: diretor e roteirista querendo satisfazer fantasias sexuais por meio das atrizes. Outra cena meio sem sentido é o irmão mais novo salvando a irmã mais velha de um possível pedo. É mais fácil para a mente masculina conceber a ideia de um menino (ainda que seja uma criança) salvando uma adolescente do que a própria adolescente tendo sagacidade para salvar a si mesma.
Enfim, uma pena que as atrizes tenham que se submeter à objetificação para conseguir oportunidades na indústria audiovisual.