lola
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Últimas opiniões enviadas

lola
3 meses atrás

vendo o filme e lendo os comentários eu fico me perguntando o que as pessoas consideram engajante atualmente...tudo é preguiçoso hoje em dia, roteiro faco, não desenvolve, não é dramático...ai eu vejo o filme e ele trata de temas profundamentes espinhosos, não existe uma linearidade, não existe o certo e o errado de modo escancarado, não dá pra tomar partido, as personagens são complexas, não dá pra saber em quem confiar, quem diz a verdade, cada um vive o seu e, como espectador, eu não consigo simpatizar com ninguem. quando um filme me engaja desse modo, onde eu não consigo assistir passivamente, minha mente fica o tempo todo considerando as possibilidades e refletindo, comigo mesma, o que tudo isso potencialmente mobiliza em mim, na minha(s) concepção(ões) de mundo, pra mim é longe de ser chato. mas talvez porque minha experiência com filmes atualmente passa muito por essas reflexões — enquanto assisto, o que faz com que, mesmo em uma cena "longa e enfadonha onde nada acontece" pra mim nunca é longa e enfadonha e nada acontece. entre o que acontece "visualmente" na tela, o que é falado e o que isso possivelmente pode representar para o filme existe um mundo. nem tudo é um reels de 15 segundos produzido pra prender sua atenção ao máximo.

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eu realmente achei que no final tudo ia ficar bem obrigado e todos iam seguir amigos, luca guadagnino puxou meu tapete, obrigada por me fazer experimentar a complexidade sem tentar capturar minha atenção...fiquei com ódio de todos e também me compadeci por [quase] todos. duvidei como a alma, me senti mal como alma, me compadeci dos homens brancos cis por alguns segundos, fiquei irritada com a maggie sendo uma estudante riquíssima em yale, realmente, a vida é bem complexa.

lola
3 meses atrás

vim aqui esperando comentários sobre o como esse filme é genial e me deparei com comentários como "filme preguiçoso", "filme lento", etc e isso me surpreendeu muito [não estou dizendo que esses comentários estão errados, é válido...eu só me pergunto se não dá pra ir um pouco mais além dessa maneira de se relacionar com um filme que é só pela palavra, existem outros modos de contar uma história].
mas eu achei muito curioso mesmo o quão diferente foi a experiência das outras pessoas porque eu experimentei o exato oposto: pra mim, não tem como esse filme ser mais do que extremamente detalhado e cuidadoso em um nível que faz muito MUITO MUITO tempo eu não vejo em um filme. pra fazer um filme com esse nível de roteiro deve dar muito trabalho e muito cuidado. escolher o que mostrar e o que manter indefinido não é fácil. e eu senti que estava vendo algo cuidadosamente trabalhado e escolhido.
também senti que o filme conseguiu se recusar a cair na lógica da categorização excessiva que assombra os nossos dias: não é terror, não é ação, não é documentário, não é thriller, não é drama, não é ficção. é tudo isso misturado de uma maneira em que não há uma hierarquia e faz com que cada cena seja muito engajante, mesmo quando "nada" parece estar acontecendo.
o filme não deixa nada escancaramente explicado e nossa, como é bom poder assistir coisas que exigem minha imaginação e criatividade operante.
os comentários a que me referi anteriormente me fizeram pensar em como nos relacionamos com a arte atualmente: sempre mastigada e mediada por explicações (de terceiros, geralmente), buscando um significado aparente em tudo, que precisa ser mostrado (na tela ou explicado por terceiros) para que você "entenda".
quando um filme não te explica, não parece ter um só significado claramente exposto, parece que isso incomoda. não para dizer que não existem milhares de significados possíveis, milhares de entendimentos sobre o que experimentamos, mas para dizer que, se isso não é feito de maneira explícita (e frequentemente linear), as vezes nos recusamos a imaginar e pensar, uma das oportunidades mais incríveis que existem em ser espectador.
uma coisa que me impressiona muito na direção do kleber mendonça é como ele consegue homenagear a história (canônica) do cinema através da montagem ao mesmo tempo que mostra o respeito e amor pela cultura brasileira (as cores, a música, a língua e outros aspectos culturais), é lindo de ver.

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apenas para ressaltar uma das coisas que eu amei sobre o filme foi como os diferentes períodos retratados foram costurados: o presente de 1977, o passado quando armando era professor e sua esposa faleceu, e o futuro, com a pesquisa sobre sua história sendo conduzida por uma universidade privada que posteriomente pretende descontinuar essa pesquisa ~possivelmente pelas consequências que poderiam se desenrolar ao descobrir os motivos do assassinato. esse filme é tão cheio das complexidades que envolvem a história brasileira: corrupção do setor privado e pública, em específico durante a ditadura, mas não somente, o desmonte das universidades públicas brasileiras e seu aparelhamento pelos setores privados disfarçado de uma "produtividade" e desenvolvimentismo, perseguição política financiada por sabemos quem, a misoginia, o descaso para com a população (100 morrem durante carnaval, mas tudo bem, porque é carnaval), a manipulação midiática e controle desses setores por instituições privadas (turista morre em pernambuco)....mas também o senso de comunidade, as redes de suporte fora das instituções (para comida, moradia e segurança—dona sebastiana, os refugiados), a felicidade, a dança e a celebração de estar vivo (como bem ressalta armando: "eu quero viver"), a compromisso com a pesquisa sobre si e sobre o mundo, saber sobre sua própria história, da família, da comunidade, da região, da cidade, do Estado, do país, a colaboração e a coletividade. cada cena, cada diálogo, abrem espaço para tanta discussão, que, pra ser bem sincera, comentários sobre como o filme é preguiçoso me deixaram incomodada: poxa, serio mesmo que não dá pra passar um pouco dessa interpretação de que o filme vai [tem que] te contar tudo? não dá pra passar um pouco do excesso de explicação pra poder acessar outras maneiras de contar uma história?

enfim, a pirraça não começou e definitivamente não terminou nos anos 70. e preciso lembrar...e seguir imaginando.

lola
6 meses atrás

eu sei que é um filme oscar bait e blablabla, MAS teve coisas muuuuuito interessantes que eu fiquei pensando mais do ponto de vista do roteiro e como isso pode possivelmente desdobrar para a vida "real"

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primeiro que a JULIA ROBERTS conhece um cara aleatório perebado de moto que é SUPER RUDE com ela e no outro dia o cara me entra na casa dela pra cuidar das crianças. gente pelo amor isso aqui se não é um filme de terror eu não sei o que é. serio, essa primeira cena já me deixou extremamente panicada que o cara aleatório entrou na casa dela SEM PERMISSÃO para olhar as CRIANÇAS PEQUENAS!!! serio...não sei nem o que pensar mais disso só sei que alugou um quarteirão na minha cabeça e só consigo pensar nisso com pânico.
segundo que o cara é extremamente rude com ela em todas as situações possíveis, tipo quando ela ta sofrendo de não poder estar com a criança e ele simplesmente joga na cara dela isso, por telefone, fazendo questão de contar todos os detalhes, que tipo de pessoa faz isso? fora que eu algumas cenas eles tão conversando e o roteiro faz parecer que é "bonitinho" e "fofinho" "comédia romântica" e eu me pergunto: pra quem? como o patriarcado realmente se infiltra na nossa imaginação só pra gente engolir coisas tipo isso, as coisas que ele fala pra ela são extremamente grosseiras, zombando dela (e ela dá um sorriso de canto...pqp).
por último, mas não obstante, a cena em que ele diz que vai embora e ela faz um monólogo belíssimo sobre como ela sempre esteve sozinha e dessa vez vai se escolher. e o que o cara faz? vai embora. porque pra ele o importante eram palavras de carinho, "poxa ela não está me valorizando"....realmente, é só a mulher começar a dar certo na carreira ou ter algum reconhecimento que vem um perebado encher o saco e tentar botar ela pra baixo, achei lindíssimo ela se escolher e ele ir embora. realmente, tava ali só pra atrapalhar mesmo...a performance sempre chega a seu fim (performou e performou que cuidaria das crianças para poder jogar na cara dela depois que ela era insensível, parabéns)

  • Filmow 1 semana atrás

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    Equipe Filmow