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Duração
Pixote (Fernando Ramos da Silva) foi abandonado por seus pais e rouba para viver nas ruas. Ele já esteve internado em reformatórios e isto só ajudou na sua "educação", pois conviveu com todo o tipo de criminoso e jovens delinqüentes que seguem o mesmo caminho. Ele sobrevive se tornando um pequeno traficante de drogas, cafetão e assassino, mesmo tendo apenas onze anos.
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Pixote é daqueles filmes que parecem menos dirigidos e mais testemunhados. Hector Babenco não constrói cena, ele espia, e o espectador vira cúmplice desse olhar que se recusa a piscar diante da miséria. O filme acompanha um grupo de meninos jogados num reformatório paulista e depois nas ruas, e a câmera trata cada um deles com uma dignidade que o Estado brasileiro nunca demonstrou. É um cinema de estômago revirado, mas nunca gratuito.
O que impressiona é a ausência quase completa de sentimentalismo. Babenco não pede a nossa pena, ele nos nega o conforto de sentir pena à distância. Fernando Ramos da Silva, o garoto que interpreta Pixote, carrega o filme com uma naturalidade que atores profissionais gastam carreiras inteiras tentando fingir. Há uma tristeza duplicada em assistir a atuação dele hoje, sabendo o destino real que teve depois das câmeras, e o filme parece prever essa tragédia sem sequer tentar.
A estrutura é episódica, quase documental, e isso é proposital. Não existe arco de redenção porque a realidade que o filme retrata não oferece esse luxo. Cada capítulo, o reformatório, a fuga, o Rio de Janeiro, a vida do crime, funciona como um novo círculo de um inferno que não tem fundo. É desconfortável de assistir, mas é um desconforto necessário, do tipo que Ebert costumava dizer que separa o cinema que importa do cinema que apenas entretém.
Deixo esse review pra expressar todo o meu ódio ao capitalismo, ao governo e à sociedade!
Bom roteiro, mas confirma o padrão de atuações amadoras, cenas complicadas e controversas (pesadas, ora sem necessidade, ora bem encaixada ).
youtube.com/watch?v=BULTrc1WiHw
Revi esta obra-prima devastadora tantas e tantas vezes em minha adolescência que a sensação é a de que eu conheço diálogos e situações de cor. Precisei voltar a ele, depois de mais de duas décadas, e fui novamente arrebatado. Tudo é rigorosamente perfeito nesta obra: cada detalhe frasal pronunciado pelos personagens; cada corajosa inserção de algo que, hoje seria "infilmável"; cada denúncia ditatorial; cada participação de ator conceituado, em meio aos amadores mui eloqüentes; cada acorde da sublime trilha musical de John Neschling... Sem querer subestimar a pujança dramática de tudo o que envolve o personagem-título, é a evolução da personagem Lilica que me leva às lágrimas (hoje, novamente). A direção babenquiana é uma demonstração de pura entrega, aceitação e compreensão da marginalidade e mesmo o que poderia ser um defeito de continuidade (às vezes, Pixote está com gesso no pé; às vezes, não) abre possibilidade interpretativas, no que tange à atroz passagem de tempo naquele reformatório voltado à perpetuação dos horrores. O número musical de Roberto Pé de Lata antecipa algo que ocorrerá em CARANDIRU. É tudo impecável (e implacável) neste filme. Obra-prima, pura e simplesmente, um de meus filmes de cabeceira! (WPC>)
Triste, realista e atual, pois infelizmente muita coisa retratada no filme ainda acontece nos dias de hoje.