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Pixote (Fernando Ramos da Silva) foi abandonado por seus pais e rouba para viver nas ruas. Ele já esteve internado em reformatórios e isto só ajudou na sua "educação", pois conviveu com todo o tipo de criminoso e jovens delinqüentes que seguem o mesmo caminho. Ele sobrevive se tornando um pequeno traficante de drogas, cafetão e assassino, mesmo tendo apenas onze anos.
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Que filme difícil de se assistir, com cenas muito pesadas, retrata uma realidade que todos sabemos que existe, mas muitas vezes é visto de certa distância e quando escancarado assim é realmente doloroso, amargo, sendo impossível não se revoltar com o que acontece na nossa sociedade.
Pois o filme é acima de tudo um recorte do retrato social que assola milhares de crianças no nosso país que foram abandonadas de todas as formas possíveis (pais, família, Estado) sem acesso a condições que resguardam o mínimo de dignidade (saúde, educação, moradia), é um problema real que há décadas é totalmente ignorado, e talvez o mais arrasador no filme seja isso, saber que 40 anos depois nada mudou.
É um problema que precisa ser resolvido da origem, é um ciclo destrutivo social, cujas consequências só se agravam, e o filme retrata tudo com uma propriedade ímpar.
A forma como o filme se apresenta é quase documental, e é desanimador ver como o próximo ato, o próximo momento da vida de Pixote (Fernando Ramos) é pior que o anterior, é uma vivência da qual não se tem fuga, atalho, esperança.
Aliás, saber o que aconteceu com o ator alguns anos após o filme é a demonstração prática e viva da realidade mostrada no filme. Devastador.
Assistido em 27 de setembro de 2026.
Nota: 8/10
"Me bateu pra caramba... E o pior de tudo é que eu nem sabia porque ele tava me batendo."
Pixote é daqueles filmes que parecem menos dirigidos e mais testemunhados. Hector Babenco não constrói cena, ele espia, e o espectador vira cúmplice desse olhar que se recusa a piscar diante da miséria. O filme acompanha um grupo de meninos jogados num reformatório paulista e depois nas ruas, e a câmera trata cada um deles com uma dignidade que o Estado brasileiro nunca demonstrou. É um cinema de estômago revirado, mas nunca gratuito.
O que impressiona é a ausência quase completa de sentimentalismo. Babenco não pede a nossa pena, ele nos nega o conforto de sentir pena à distância. Fernando Ramos da Silva, o garoto que interpreta Pixote, carrega o filme com uma naturalidade que atores profissionais gastam carreiras inteiras tentando fingir. Há uma tristeza duplicada em assistir a atuação dele hoje, sabendo o destino real que teve depois das câmeras, e o filme parece prever essa tragédia sem sequer tentar.
A estrutura é episódica, quase documental, e isso é proposital. Não existe arco de redenção porque a realidade que o filme retrata não oferece esse luxo. Cada capítulo, o reformatório, a fuga, o Rio de Janeiro, a vida do crime, funciona como um novo círculo de um inferno que não tem fundo. É desconfortável de assistir, mas é um desconforto necessário, do tipo que Ebert costumava dizer que separa o cinema que importa do cinema que apenas entretém.
Deixo esse review pra expressar todo o meu ódio ao capitalismo, ao governo e à sociedade!
Bom roteiro, mas confirma o padrão de atuações amadoras, cenas complicadas e controversas (pesadas, ora sem necessidade, ora bem encaixada ).
youtube.com/watch?v=BULTrc1WiHw