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Na minha (pobre) concepção, Poor Things é um grande ensaio ou analogia sobre o conhecimento:
A gente acompanha Bella Baxter se desenvolver como um bebê, por conta do cérebro, num corpo crescido. E mesmo nos corpos de bebês com cérebros de bebês, é o que acontece: a gente se atrai pelo mundo, tenta entender, tenta comunicar, e começa a seguir aquele fluxo que nos é imposto, ensinado. Em dado momento começamos a questionar os motivos. Por que não posso sair de casa? Sou prisioneira? E ações a partir disso, como deixar Duncan dormindo no quarto e ir conhecer o mundo, sem pudor, sem imaginar perigos, sem preconceitos (como crianças na forma mais pura). Entendo os descontentamentos a respeito da relação com a prostituição apresentada no filme. Mas sinto que a entrada nesse "mundo" por Bella Baxter não era precedida de nenhuma possibilidade de algo ruim. Inclusive ela traz questionamentos de como tornar aquele lugar mais interessante: por que é que não são as mulheres que escolhem os homens para os quais vão trabalhar? E sem nenhum feminismo ditado ou regrado, mas pela simples lógica de que pode ser mais vantajoso para ambas as partes. Quando Bella sai da prostituição, sai como outra pessoa, com outras ideias. Já tinha "lido" a mulher dona daquilo tudo, já tinha entendido que ela as tratava bem e levava chocolate na cama porque tinha interesses, como quando se entende que as pessoas não fazem boas ações simplesmente por gostar de fazê-las. Enfim. Fiquei pensando que num primeiro momento, a prostituição talvez nem tenha como foco a prostituição em si. Mas entendo que isso possa gerar desdobramentos e leituras simplórias demais que esqueçam toda a problemática dessa "indústria" assustadora na qual o corpo é usado para saciar desejos de homens que querem dominar mulheres.
Também me destacou aos olhos o fato de Bella Baxter ter tantos embates com homens durante o filme. Homens que querem manipulá-la, trancá-la em torres, viver a vida dela por ela própria. E são poucas as mulheres que aparecem na vida de Bella e estão bem em encontrá-la. Várias a detestam, ou a invejam, ou não a querem por perto, como uma competição.
Muito legal perceber que as "Pobres Criaturas" não são Bella Baxter e suas semelhantes. São os outros.
Que presente ver esse filme! Ainda digerindo, mas impressionante como passei o filme todo com a impressão de deja vu, de que já tinha assistido antes. Talvez porque me lembre tantos outros filmes, mas ao mesmo tempo nenhum deles.
Viver depois de Mr Nobody é pensar e repensar as decisões que tomamos e como cada uma delas é certa, porque foi escolhida no ali e agora, e se fosse outra nos levaria a outras vidas possiveis (que tambem sao certas e passiveis de existencia).
Últimos recados
O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!
Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)
Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
Boa sorte! :)
* Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/
que filme INCRÍVEL!!!
um filme com tensão sexual do começo ao fim e apesar de todos os pesares, vontade de virar vampira bateu forte.
demorei até a cena da morte das meninas lá naquele "poço" pra entender que o filme todo se passa à noite... achei tudo muito bem iluminado, e nunca trazendo isso como parte relevante, até essa cena. genial!!!!