Últimas opiniões enviadas
Belo filme! Resolvi assistir depois de ver o chatíssimo "Valor Sentimental" só porque os comentários de lá recomendavam "A Pior Pessoa do Mundo", do mesmo diretor. Eu chamaria essa obra de "filme contextual", sem uma história linear com princípio-meio-fim, e sim um contexto pessoal, uma amostragem da vida como ela é. Pessoas relativamente jovens e relativamente comuns levam vidas relativamente comuns na Noruega. É um filme para se contemplar sem esperar reviravoltas e desfechos mirabolantes. Há cenas cansativas, outras interessantes. O conjunto é muito bom. Chorei num momento perto do final (detalhe: sou ruim de chorar em filmes). Os atores estão excelentes, expressivos, humanos, complexos, sem aquelas caras de salsicha de cinema americano. Os diálogos são simples, autênticos, verossímeis. Ritmo, enquadramento, fotografia: tudo muito delicado. Vou reassistir.
Já vi grandes filmes sobre relações conflituosas entre pais e filhos (e núcleos familiares), mas "Valor Sentimental" não me pegou. Achei chato, arrastado, pretensioso, um café requentado metido a Bergman. O chavão dramatúrgico sobre "silêncios que falam" serve aqui para suprir falhas do roteiro, tais como o porquê da ausência do pai e o tipo de relação que as filhas mantêm com ele, apesar dos pesares (quais pesares?!). Tudo muito vago, difuso, cheio de lacunas e atalhos fáceis para elucubrações pseudo-filosóficas. Outro dia vi uma bobagem dessas na Netflix, três filhas que se reencontram no apartamento onde o pai agoniza em NY (esqueci o título). Sobre "Valor Sentimental", perdi o interesse logo no começo. A própria cena inicial da atriz tendo chiliques antes de entrar no palco é um clichê surrado, apenas o primeiro de muitos. O final é outro clichê metalinguístico para lá de (bem) explorado por Fellini em "E La Nave Va" (1983). Sobre filmes de relacionamentos parentais, cito "De Salto Alto" (1991), quando Almodóvar ainda fazia bons filmes, "Tributo" (1980), com Jack Lemon, e "Sonata de Outono" (1978), que guarda notórias (e intencionais) semelhanças com a obra de Joachim Trier. Me lembrei agora de "Segredos e Mentiras" (1996), outro FILMAÇO sobre relacionamento entre mãe e filhas, com a espetacular Brenda Blethyn merecendo aplausos em cena aberta. Acho que o cinema "psicológico" está mal parado no passado e que "Valor Sentimental" é apenas mais uma colcha de retalhos mofados. Sobre o elenco, três ótimas atrizes. As irmãs se saem muito bem e Renate Reinsve é uma tremenda atriz. Que encontre um papel à sua altura.
Últimos recados
Rio de Janeiro
De que cidade você é?
Didático demais para ser cinema de verdade. Os diálogos, personagens e situações são excessivamente explicativos e cheios de clichês porque os personagens não estão falando uns com os outros, e sim com o espectador. Uma espécie de aula sobre o Tribunal de Nuremberg. Um Power Point dramatizado. Tem seu valor como advertência histórica, logicamente, mas os únicos vestígios de cinema nessa obra são a parte técnica e a atuação espetacular de Russel Crowe.