O filme tem uma proposta interessante na linha teatral, tipo "Deus da Carnificina", mas acho que exagerou na pegada cômica, na tentativa de causar impacto e estranhamento a cada cena, inclusive com uma trilha sonora que pretende falar mais do que os próprios personagens. Talvez a trama melhorasse com cenas menos afetadas e mais naturais, na linha "gente como a gente", deixando essa naturalidade despertar a empatia e amplificar o estranhamento do espectador sem tantos (e tão previsíveis) truques dramatúrgicos. Woody Allen fez isso maravilhosamente nos anos 1980 e 90.
Sirat é uma cópia ruim e pretensiosa de "A Aventura", de Michelangelo Antonioni (1960), com paisagens desérticas que remetem aos épicos bíblicos dos anos 1950/60, a "O Céu que nos Protege" (1990) e outros clássicos como "Profissão: Repórter" (1975). Nada de novo sob o sol. O filme de Antonioni explora bem a falta de sentido da vida e os incidentes que vão tirando o foco da meta original. Sirat tem personagens ruins, forçados, nem o menino desperta empatia, um Mágico de Oz de quinta categoria, uma viagem ruim de maconha estragada.
Não tem licença poética que explique a facilidade daquela aproximação, tudo lindo e harmonioso, perfeitinho, gostoso, comovente, instantâneo, até o conserto da luz do jardim, a protagonista com sorriso de anjo barroco, ele com cara de velho menino órfão, nenhum conflito, nenhuma ressalva, nenhum constrangimento, nenhum senão. Isso é coisa de roteiro ruim e preguiçoso que se acha a fina flor do lirismo e da audácia só porque fala de amor na terceira idade dentro de um país opressor. De repente acontece uma tragédia forçada e o filme acaba. O bolo na boca dele é grotesco. Aliás, a velha é forte o suficiente para arrastar e sepultar o corpo, mas precisa de alguém para fazer a cova... Se querem ver um bom filme sobre amores frustrados na vida de uma pobre sonhadora, recomendo "Noites de Cabíria", de Fellini.
Didático demais para ser cinema de verdade. Os diálogos, personagens e situações são excessivamente explicativos e cheios de clichês porque os personagens não estão falando uns com os outros, e sim com o espectador. Uma espécie de aula sobre o Tribunal de Nuremberg. Um Power Point dramatizado. Tem seu valor como advertência histórica, logicamente, mas os únicos vestígios de cinema nessa obra são a parte técnica e a atuação espetacular de Russel Crowe.
Belo filme! Resolvi assistir depois de ver o chatíssimo "Valor Sentimental" só porque os comentários de lá recomendavam "A Pior Pessoa do Mundo", do mesmo diretor. Eu chamaria essa obra de "filme contextual", sem uma história linear com princípio-meio-fim, e sim um contexto pessoal, uma amostragem da vida como ela é. Pessoas relativamente jovens e relativamente comuns levam vidas relativamente comuns na Noruega. É um filme para se contemplar sem esperar reviravoltas e desfechos mirabolantes. Há cenas cansativas, outras interessantes. O conjunto é muito bom. Chorei num momento perto do final (detalhe: sou ruim de chorar em filmes). Os atores estão excelentes, expressivos, humanos, complexos, sem aquelas caras de salsicha de cinema americano. Os diálogos são simples, autênticos, verossímeis. Ritmo, enquadramento, fotografia: tudo muito delicado. Vou reassistir.
Já vi grandes filmes sobre relações conflituosas entre pais e filhos (e núcleos familiares), mas "Valor Sentimental" não me pegou. Achei chato, arrastado, pretensioso, um café requentado metido a Bergman. O chavão dramatúrgico sobre "silêncios que falam" serve aqui para suprir falhas do roteiro, tais como o porquê da ausência do pai e o tipo de relação que as filhas mantêm com ele, apesar dos pesares (quais pesares?!). Tudo muito vago, difuso, cheio de lacunas e atalhos fáceis para elucubrações pseudo-filosóficas. Outro dia vi uma bobagem dessas na Netflix, três filhas que se reencontram no apartamento onde o pai agoniza em NY (esqueci o título). Sobre "Valor Sentimental", perdi o interesse logo no começo. A própria cena inicial da atriz tendo chiliques antes de entrar no palco é um clichê surrado, apenas o primeiro de muitos. O final é outro clichê metalinguístico para lá de (bem) explorado por Fellini em "E La Nave Va" (1983). Sobre filmes de relacionamentos parentais, cito "De Salto Alto" (1991), quando Almodóvar ainda fazia bons filmes, "Tributo" (1980), com Jack Lemon, e "Sonata de Outono" (1978), que guarda notórias (e intencionais) semelhanças com a obra de Joachim Trier. Me lembrei agora de "Segredos e Mentiras" (1996), outro FILMAÇO sobre relacionamento entre mãe e filhas, com a espetacular Brenda Blethyn merecendo aplausos em cena aberta. Acho que o cinema "psicológico" está mal parado no passado e que "Valor Sentimental" é apenas mais uma colcha de retalhos mofados. Sobre o elenco, três ótimas atrizes. As irmãs se saem muito bem e Renate Reinsve é uma tremenda atriz. Que encontre um papel à sua altura.
- Terminei de ver o filme - Desisti de ver o filme mas resolvi terminar de ver o filme - Comecei a ver o filme mas desisti de ver o filme - Achei que valia a pena ver o filme e comecei a ver o filme - Estava em casa sem fazer nada, procurei algo pra fazer e achei o filme num streaming - Eu ia fazer uma caminhada saudável na rua, mas começou a chover e resolvi ficar em casa sem fazer nada - Eu queria fazer alguma coisa interessante porque era feriado e prometi aproveitar bem o dia - Desperdicei parte do dia porque achei o filme uma confusão pretensiosa cheia de informações desnecessárias e concluí que a ideia da narrativa retroativa poderia ser bem explorada com uma trama mais simples, com menos subtramas e menos personagens. - Minha mãe conheceu meu pai e resolveram ter um filho.
Achei muito chato, cópia mequetrefe de "Hannah e suas irmãs" e outros trabalho de Woody Allen nos anos 1980. Diálogos e conflitos com ares profundos são apenas triviais, clichês de filmes "psicológicos" à la Bergman e Visconti. Um café requentado com um final implausível e desnecessário.
Achei o filme chato, didático, roteiro esquemático demais, cheio de clichês, com atuações forçadas e diálogos inverossímeis. Parecia uma aula escolar sobre cuidados paliativos e o enfrentamento da morte. Alguns atores são excelentes no papel de moribundos, mas não salvam o filme.
O filme tem cenas lindas, mas é longo demais. Fica a impressão de que continuaram a espremer um limão sem suco só para aumentar o suspense. Muitos personagens, relatos, narrativas que não empurram a história para a frente. As imagens das floresta são deslumbrantes, mas excessivas. Ao final, o encontro das crianças foi muito rápido em comparação com a interminável fase das buscas. Vale a pena assistir, mas o documentário poderia ter meia hora a menos sem perder a beleza, mesmo abordando as tradições indígenas e a conotação política das buscas.
Bons atores, ótimas atuações, produção cuidadosa, mas é um filme burocrático, arrastado, com muito papo furado. As pistas que o protagonista encontra para chegar ao criminoso são elementares demais: fotos, cartas, time de futebol, tudo tão simples e esquemático quanto colagem de quinta série. Tem o charme argentino e a ótima reconstituição de época - e quase só isso.
Achei o filme interessante e com excelentes atuações, mas os conflitos e lições da segunda metade me soaram forçados e didáticos demais, beirando o inverossímil em alguns momentos. Sem discursos professorais e atritos melodramáticos, com mais silêncios e ações (e uns quinze minutos a menos), o filme seria mais sutil e igualmente eficiente nas transmissão de sua mensagem.
Achei o filme fraco, uma tentativa de recriar Ingmar Bergman com "cores de Almodovar" (o nome Ingrid é uma clara alusão à Suécia). Roteiro arrastado, esquemático, insosso, com falas teatrais e pretensões poéticas à la Persona, de Bergman. Almodovar já está em decadência há muitos anos, fazendo filmes confusos, alguns grotescos. Agora largou o sangue latino para entregar um mix de NY com Escandinávia, um "chiaroscuro" de batom. A única coisa realmente boa é o desempenho das duas atrizes, com destaque para a maravilhosa Tilda Swinton.
O filme se perde completamente depois que os problemas aparecem. O começo é espetacular e a atuação do garoto russo merece aplausos em cena aberta. Mas uma velha maldição criativa se repete aqui: os roteiristas não souberam desenvolver a premissa e o filme virou uma embromação com gritos e pancadarias inconsequentes (e intermináveis). A segunda metade é uma encheção de linguiça. Até o garoto russo foi desperdiçado.
Nunca vi um filme se perder tão espetacularmente no final. A primeira metade funciona relativamente bem, apesar da escatologia exagerada. Ainda assim funciona, flui, evolui. Só que em algum momento o filme desanda completamente. Às 2hs de exibição eu olhava o marcador do streaming, exausto, e só assisti aos 20 minutos seguintes para entender como roteiristas e diretores podem estragar uma premissa interessante, dobrando e redobrando a aposta numa escatologia que deveria se ater ao seu simbolismo, sem querer o protagonismo do filme. Pois conseguiu da pior forma possível. E as citações eloquentes a outros filmes dão um tom pernóstico e desnecessário, com o recorrente corredor de O Iluminado, Carrie - A Estranha e 2001, Uma Odisseia no Espaço, entre outros. Concluir uma história não é nada fácil, como sabem os bons roteiristas, escritores, autores de peças teatrais - enfim, narradores. O final desse filme é uma aula do que NÃO fazer. De bom, fica a interpretação de Demi Moore, lindíssima em sua maturidade.
Minha opinião é puramente cinematográfica, sem viés ideológico: filme interessante ou até necessário como registro histórico, mas não é cinema de verdade. Está mais para um panfleto dramatúrgico com roteiro previsível, esquemático, com personagens sem profundidade, sem complexidades pessoais: quem não é bom, é mau. A história é burocrática e unilateral. Nenhum confronto de ideias, nenhuma entrelinha. O suspense é forçado e a trilha sonora, banal. Ricardo Darín está sempre sério, circunspecto, de paletó e gravata, dedicado a ser justo enquanto os vilões parecem uns espantalhos fardados que não dialogam, só rosnam impropérios em ambientes públicos. Fica a impressão de que o roteiro saiu de um trabalhinho escolar.
Ótima ideia falar sobre a apropriação e estigmatização de minorias usadas para o deleite intelectual da "maioria esclarecida". Só que o filme é mal desenvolvido, mal situado entre o drama e a comédia, com subtramas que não levam a nada, conflitos inúteis, personagens que não agregam nada e uma lacração desnecessária e incoerente num filme que pretende questionar estereótipos, retratando a homossexualidade com personagens rasos e "alegres" cujo maior problema na vida é sair do armário e ser aceito pelo papai, entre outros clichês do cardápio progressista. Não vou opinar sobre a estigmatização racial, mas sou gay, tenho quase 60 anos e posso garantir que questões polêmicas como homofobia, adoção de crianças, casamento gay, transfobia e outros versículos da bíblia militante não representam nem 10% dos problemas que realmente afetam os gays, que são questões íntimas de altíssima complexidade, com desdobramentos mentais e comportamentais que só podem ser analisados com um tipo de seriedade, honestidade, profundidade e empatia que não tem nada a ver com passeata carnavalesca, lacração e toda aquela estigmatização progressista que o filme pretende criticar. O buraco é muito, mas muito, muito mais embaixo.
Filme razoável, mais interessante para o público francês. Entendi como uma merecida homenagem a Catherine Deneuve. Sua despedida das telas (ao menos como protagonista).
Assisti a esse filme quando era adolescente, em 1981. John Travolta interpretava um homem comum depois de arrasar corações como o gostosão de "Os Embalos de Sábado à Noite" e "Grease". O filme ficou datado no bom sentido, graças à estrutura clássica do roteiro e ao timing da época, mais lento e romântico, sem a meteórica sobrecarga de informações de nossos tempo, com cenas como ele fumando num hospital e vilões conversando em telefones públicos, além do uso de equipamentos de gravação e filmagem de um mundo mais artesanal e menos tecnológico. As cenas da parada cívica são espetaculares. Imaginem filmar e montar aquilo à moda antiga, com edição cronológica e milhares de figurantes de verdade, sem as facilidades da era digital. Uma boa síntese da virada dos anos 1970/80 para quem tem um olhar nostálgico ou quer entender os caminhos da dramaturgia e da revolução tecnológica deflagrada nos anos 1990, com a popularização da internet.
A perda de Léo é quase inevitável na vida homossexual. O amor interditado pela culpa, pela incerteza, pela angústia, pela desinformação.
Sou carioca e tenho 53 anos. Em 1989, com 18 anos, fiquei amigo de um colega de faculdade no Rio de Janeiro. Ele era mineiro, 24 anos, morava num quarto alugado, tinha noiva em MG e pretendia se casar no ano seguinte. Tivemos uma afinidade incrível e me apaixonei. Eu sabia, eu pressentia, tinha a certeza de que ele também gostava de mim, mas a conversa nunca chegava lá. Um dia tomei coragem para dizer que “eu não sentia tesão por mulher”. Ele respondeu com naturalidade que “isso não era problema” e nada mais aconteceu. Silêncio. Passei meses me perguntando o que ele teria pensado, se eu teria me precipitado, usado as palavras erradas, escolhido o momento errado, se nosso encontro teria futuro (e qual futuro). Ele mudou, ficou superficial, meio esquivo, sem falar sobre coisas pessoais. A dor da incógnita me torturava. Eu queria um sim ou um não.
Meses depois (não lembro quantos), ele me chamou para uma conversa particular e disse que gostaria de ter uma “experiência com outro cara”. Fiquei eufórico. Foi um dia intenso, os dois abraçados durante horas, rolando no chão do meu quarto, conversando e transando.
Havia amor entre nós, mas o assunto morreu e nos dias seguintes ele se comportou como se nada tivesse acontecido. Um dia falei que eu estava apaixonado, ele respondeu que tinha sido apenas uma “experiência”, assunto resolvido, que ia se casar, ter filhos etc. Insisti no assunto, ele disse que poderíamos “transar de vez em quando”, mas que o casamento já estava marcado e que ele voltaria para MG depois da formatura. Achei a situação insustentável, eu não queria ser “o outro”. Me afastei. Sofri tanto que passei a estudar à noite para nunca mais vê-lo.
Tivemos alguns encontros casuais na faculdade e em eventos acadêmicos. Num desses eventos conheci a futura esposa e ele disse que iam se casar em breve e morar no Rio porque ele tinha conseguido um trabalho aqui. Foi uma facada no estômago, mas vida que segue. Me formei em 1994 e perdemos contato. Demorei anos para esquecê-lo e superar o luto. Eu tinha certeza de que a gente se amava, que havia um encontro ali. Com o passar dos anos, outras pessoas vieram e minha inocência foi se perdendo, o romantismo também. Cheguei a me arrepender do afastamento por achar que seria ótimo “transarmos de vez em quando”. Mas tínhamos perdido contato. Ponto, parágrafo.
Em 2015 participei de uma palestra profissional. Na saída do auditório, uma pessoa me abordou dizendo ser amiga do fulano de tal. O próprio. Custei a entender de quem ela estava falando. Marcamos um café para a semana seguinte com o pretexto de falar sobre a palestra, mas fiquei intrigado. Foi tiro e queda: ela queria me perguntar se “eu estava disposto a ter um relacionamento com alguém do passado”. Fiquei perplexo, paralisado, sem resposta. A certeza reconfirmada 25 anos depois. Não consegui responder. Claro que ela se referia a ele, que já estava no segundo casamento, pai de adolescentes, profissional bem-sucedido. Levei uma semana digerindo o assunto, abrindo gavetas, exumando ossadas, vendo fotos dele em redes sociais (continuava lindo, agora grisalho e gordinho, com um filho idêntico a ele nos anos dourados). Conversei com o Paulo de antigamente e decidimos que não. Nem pensar.
Marquei com a amiga num restaurante. Foi uma conversa difícil (sempre sem citar nomes). Eu era outra pessoa, a vida era outra, eu não teria a menor condição de manter uma relação afetiva com ele (nem com ninguém), não precisava de mais problemas do que já tinha, não acreditava em amor homossexual (no meu caso). Foi uma conversa longa, sofrida e delicada. Ela literalmente chorou. Fiquei comovido, impressionado, imaginando o que ele teria falado com ela, o que seria a vida dele atualmente, pensativo sobre “as voltas que a vida dá”.
O luto da primeira separação já fazia parte da minha vida, da minha alma, já não podia ser extirpado, revertido, transformado. Nem havia chance de novo encontro com alguém que tinha me causado tanto sofrimento num passado remoto. Eu estava solteiro, sozinho, mas tinha outras preocupações, outras responsabilidades, outra mentalidade, outros tesões, sem tempo nem energia para mergulhar nessa aventura.
Nunca me arrependi da recusa ou reencontrei a amiga dele. Mas carrego essa dor desde a juventude, diluída entre outras dores, alegrias e ensinamentos – assim como Léo vai carregar a dor dele pelo resto da longa vida que terá à frente.
Minha vida é sofrida e cheia de frustrações, mas me orgulho de certas conquistas. Se Deus me oferecesse um catálogo de vidas paralelas mais felizes e realizadoras, eu só aceitaria se elas me permitissem alcançar alguns resultados e o nível de consciência que o destino me proporcionou (ou impôs). Talvez o maior paradoxo da vida seja esse: quase ninguém está totalmente satisfeito com suas escolhas e circunstâncias, mas quem abriria mão daquele filho amado, fruto do casamento infeliz? Daquela conquista profissional, fruto de renúncias dolorosas? Daquela reflexão existencial, fruto de um trauma? O mundo ideal seria aquele onde conseguíssemos conciliar a felicidade com um tipo de sabedoria que só a dor proporciona. Esse mundo não existe.
Adoro filme cult, mas não consegui chegar ao final deste. Perdi a paciência, o interesse, era a última sessão em Botafogo (RJ), eu queria comer um sanduíche antes que fechassem as lanchonetes do bairro. O filme tem cheiro de café requentado, a resignação do homem médio, sua irrelevância, a solidão urbana, a trivialidade do anonimato, encontros e desencontros, pequenas alegrias numa rotina metódica, insossa, cercada por multidões. Já vimos isso milhões de vezes, desde Chaplin em "Tempos Modernos" até "Taxi Driver". Achei um saco.
Documentário mediano, correto, com alguma encheção de linguiça para adiar a revelação do mistério que já era óbvio na metade do filme. No fim das contas, é um desses casos policiais que acontecem às dúzias todo dia.
O Convite
3.9 337 Assista AgoraO filme tem uma proposta interessante na linha teatral, tipo "Deus da Carnificina", mas acho que exagerou na pegada cômica, na tentativa de causar impacto e estranhamento a cada cena, inclusive com uma trilha sonora que pretende falar mais do que os próprios personagens. Talvez a trama melhorasse com cenas menos afetadas e mais naturais, na linha "gente como a gente", deixando essa naturalidade despertar a empatia e amplificar o estranhamento do espectador sem tantos (e tão previsíveis) truques dramatúrgicos. Woody Allen fez isso maravilhosamente nos anos 1980 e 90.
Sirāt
3.4 200 Assista AgoraSirat é uma cópia ruim e pretensiosa de "A Aventura", de Michelangelo Antonioni (1960), com paisagens desérticas que remetem aos épicos bíblicos dos anos 1950/60, a "O Céu que nos Protege" (1990) e outros clássicos como "Profissão: Repórter" (1975). Nada de novo sob o sol. O filme de Antonioni explora bem a falta de sentido da vida e os incidentes que vão tirando o foco da meta original. Sirat tem personagens ruins, forçados, nem o menino desperta empatia, um Mágico de Oz de quinta categoria, uma viagem ruim de maconha estragada.
Meu Bolo Favorito
4.1 52 Assista AgoraAchei o filme muto ruim. O começo é bom, mas a coisa desanda quando os protagonistas se encontram.
Não tem licença poética que explique a facilidade daquela aproximação, tudo lindo e harmonioso, perfeitinho, gostoso, comovente, instantâneo, até o conserto da luz do jardim, a protagonista com sorriso de anjo barroco, ele com cara de velho menino órfão, nenhum conflito, nenhuma ressalva, nenhum constrangimento, nenhum senão. Isso é coisa de roteiro ruim e preguiçoso que se acha a fina flor do lirismo e da audácia só porque fala de amor na terceira idade dentro de um país opressor. De repente acontece uma tragédia forçada e o filme acaba. O bolo na boca dele é grotesco. Aliás, a velha é forte o suficiente para arrastar e sepultar o corpo, mas precisa de alguém para fazer a cova... Se querem ver um bom filme sobre amores frustrados na vida de uma pobre sonhadora, recomendo "Noites de Cabíria", de Fellini.
Nuremberg
3.6 101 Assista AgoraDidático demais para ser cinema de verdade. Os diálogos, personagens e situações são excessivamente explicativos e cheios de clichês porque os personagens não estão falando uns com os outros, e sim com o espectador. Uma espécie de aula sobre o Tribunal de Nuremberg. Um Power Point dramatizado. Tem seu valor como advertência histórica, logicamente, mas os únicos vestígios de cinema nessa obra são a parte técnica e a atuação espetacular de Russel Crowe.
A Pior Pessoa do Mundo
4.0 715 Assista AgoraBelo filme! Resolvi assistir depois de ver o chatíssimo "Valor Sentimental" só porque os comentários de lá recomendavam "A Pior Pessoa do Mundo", do mesmo diretor. Eu chamaria essa obra de "filme contextual", sem uma história linear com princípio-meio-fim, e sim um contexto pessoal, uma amostragem da vida como ela é. Pessoas relativamente jovens e relativamente comuns levam vidas relativamente comuns na Noruega. É um filme para se contemplar sem esperar reviravoltas e desfechos mirabolantes. Há cenas cansativas, outras interessantes. O conjunto é muito bom. Chorei num momento perto do final (detalhe: sou ruim de chorar em filmes). Os atores estão excelentes, expressivos, humanos, complexos, sem aquelas caras de salsicha de cinema americano. Os diálogos são simples, autênticos, verossímeis. Ritmo, enquadramento, fotografia: tudo muito delicado. Vou reassistir.
Valor Sentimental
3.9 403 Assista AgoraJá vi grandes filmes sobre relações conflituosas entre pais e filhos (e núcleos familiares), mas "Valor Sentimental" não me pegou. Achei chato, arrastado, pretensioso, um café requentado metido a Bergman. O chavão dramatúrgico sobre "silêncios que falam" serve aqui para suprir falhas do roteiro, tais como o porquê da ausência do pai e o tipo de relação que as filhas mantêm com ele, apesar dos pesares (quais pesares?!). Tudo muito vago, difuso, cheio de lacunas e atalhos fáceis para elucubrações pseudo-filosóficas. Outro dia vi uma bobagem dessas na Netflix, três filhas que se reencontram no apartamento onde o pai agoniza em NY (esqueci o título). Sobre "Valor Sentimental", perdi o interesse logo no começo. A própria cena inicial da atriz tendo chiliques antes de entrar no palco é um clichê surrado, apenas o primeiro de muitos. O final é outro clichê metalinguístico para lá de (bem) explorado por Fellini em "E La Nave Va" (1983). Sobre filmes de relacionamentos parentais, cito "De Salto Alto" (1991), quando Almodóvar ainda fazia bons filmes, "Tributo" (1980), com Jack Lemon, e "Sonata de Outono" (1978), que guarda notórias (e intencionais) semelhanças com a obra de Joachim Trier. Me lembrei agora de "Segredos e Mentiras" (1996), outro FILMAÇO sobre relacionamento entre mãe e filhas, com a espetacular Brenda Blethyn merecendo aplausos em cena aberta. Acho que o cinema "psicológico" está mal parado no passado e que "Valor Sentimental" é apenas mais uma colcha de retalhos mofados. Sobre o elenco, três ótimas atrizes. As irmãs se saem muito bem e Renate Reinsve é uma tremenda atriz. Que encontre um papel à sua altura.
Amnésia
4.1 2,2K Assista Agora- Terminei de ver o filme
- Desisti de ver o filme mas resolvi terminar de ver o filme
- Comecei a ver o filme mas desisti de ver o filme
- Achei que valia a pena ver o filme e comecei a ver o filme
- Estava em casa sem fazer nada, procurei algo pra fazer e achei o filme num streaming
- Eu ia fazer uma caminhada saudável na rua, mas começou a chover e resolvi ficar em casa sem fazer nada
- Eu queria fazer alguma coisa interessante porque era feriado e prometi aproveitar bem o dia
- Desperdicei parte do dia porque achei o filme uma confusão pretensiosa cheia de informações desnecessárias e concluí que a ideia da narrativa retroativa poderia ser bem explorada com uma trama mais simples, com menos subtramas e menos personagens.
- Minha mãe conheceu meu pai e resolveram ter um filho.
As Três Filhas
3.6 73 Assista AgoraAchei muito chato, cópia mequetrefe de "Hannah e suas irmãs" e outros trabalho de Woody Allen nos anos 1980. Diálogos e conflitos com ares profundos são apenas triviais, clichês de filmes "psicológicos" à la Bergman e Visconti. Um café requentado com um final implausível e desnecessário.
Uma Bela Vida
3.7 11Achei o filme chato, didático, roteiro esquemático demais, cheio de clichês, com atuações forçadas e diálogos inverossímeis. Parecia uma aula escolar sobre cuidados paliativos e o enfrentamento da morte. Alguns atores são excelentes no papel de moribundos, mas não salvam o filme.
As Crianças Perdidas
4.0 45 Assista AgoraO filme tem cenas lindas, mas é longo demais. Fica a impressão de que continuaram a espremer um limão sem suco só para aumentar o suspense. Muitos personagens, relatos, narrativas que não empurram a história para a frente. As imagens das floresta são deslumbrantes, mas excessivas. Ao final, o encontro das crianças foi muito rápido em comparação com a interminável fase das buscas. Vale a pena assistir, mas o documentário poderia ter meia hora a menos sem perder a beleza, mesmo abordando as tradições indígenas e a conotação política das buscas.
O Segredo dos Seus Olhos
4.3 2,2KBons atores, ótimas atuações, produção cuidadosa, mas é um filme burocrático, arrastado, com muito papo furado. As pistas que o protagonista encontra para chegar ao criminoso são elementares demais: fotos, cartas, time de futebol, tudo tão simples e esquemático quanto colagem de quinta série. Tem o charme argentino e a ótima reconstituição de época - e quase só isso.
Boa Sorte, Leo Grande
3.7 168 Assista AgoraAchei o filme interessante e com excelentes atuações, mas os conflitos e lições da segunda metade me soaram forçados e didáticos demais, beirando o inverossímil em alguns momentos. Sem discursos professorais e atritos melodramáticos, com mais silêncios e ações (e uns quinze minutos a menos), o filme seria mais sutil e igualmente eficiente nas transmissão de sua mensagem.
O Quarto ao Lado
3.6 192 Assista AgoraAchei o filme fraco, uma tentativa de recriar Ingmar Bergman com "cores de Almodovar" (o nome Ingrid é uma clara alusão à Suécia). Roteiro arrastado, esquemático, insosso, com falas teatrais e pretensões poéticas à la Persona, de Bergman. Almodovar já está em decadência há muitos anos, fazendo filmes confusos, alguns grotescos. Agora largou o sangue latino para entregar um mix de NY com Escandinávia, um "chiaroscuro" de batom. A única coisa realmente boa é o desempenho das duas atrizes, com destaque para a maravilhosa Tilda Swinton.
Anora
3.4 1,2K Assista AgoraO filme se perde completamente depois que os problemas aparecem. O começo é espetacular e a atuação do garoto russo merece aplausos em cena aberta. Mas uma velha maldição criativa se repete aqui: os roteiristas não souberam desenvolver a premissa e o filme virou uma embromação com gritos e pancadarias inconsequentes (e intermináveis). A segunda metade é uma encheção de linguiça. Até o garoto russo foi desperdiçado.
A Substância
3.9 1,9K Assista AgoraNunca vi um filme se perder tão espetacularmente no final. A primeira metade funciona relativamente bem, apesar da escatologia exagerada. Ainda assim funciona, flui, evolui. Só que em algum momento o filme desanda completamente. Às 2hs de exibição eu olhava o marcador do streaming, exausto, e só assisti aos 20 minutos seguintes para entender como roteiristas e diretores podem estragar uma premissa interessante, dobrando e redobrando a aposta numa escatologia que deveria se ater ao seu simbolismo, sem querer o protagonismo do filme. Pois conseguiu da pior forma possível. E as citações eloquentes a outros filmes dão um tom pernóstico e desnecessário, com o recorrente corredor de O Iluminado, Carrie - A Estranha e 2001, Uma Odisseia no Espaço, entre outros. Concluir uma história não é nada fácil, como sabem os bons roteiristas, escritores, autores de peças teatrais - enfim, narradores. O final desse filme é uma aula do que NÃO fazer. De bom, fica a interpretação de Demi Moore, lindíssima em sua maturidade.
A Garota Ideal
3.8 1,2K Assista grátisFilme meio chato, mas tem sua beleza. A verdadeira história de amor é a da comunidade por Lars.
Argentina, 1985
4.3 340Minha opinião é puramente cinematográfica, sem viés ideológico: filme interessante ou até necessário como registro histórico, mas não é cinema de verdade. Está mais para um panfleto dramatúrgico com roteiro previsível, esquemático, com personagens sem profundidade, sem complexidades pessoais: quem não é bom, é mau. A história é burocrática e unilateral. Nenhum confronto de ideias, nenhuma entrelinha. O suspense é forçado e a trilha sonora, banal. Ricardo Darín está sempre sério, circunspecto, de paletó e gravata, dedicado a ser justo enquanto os vilões parecem uns espantalhos fardados que não dialogam, só rosnam impropérios em ambientes públicos. Fica a impressão de que o roteiro saiu de um trabalhinho escolar.
Ficção Americana
3.8 424Ótima ideia falar sobre a apropriação e estigmatização de minorias usadas para o deleite intelectual da "maioria esclarecida". Só que o filme é mal desenvolvido, mal situado entre o drama e a comédia, com subtramas que não levam a nada, conflitos inúteis, personagens que não agregam nada e uma lacração desnecessária e incoerente num filme que pretende questionar estereótipos, retratando a homossexualidade com personagens rasos e "alegres" cujo maior problema na vida é sair do armário e ser aceito pelo papai, entre outros clichês do cardápio progressista. Não vou opinar sobre a estigmatização racial, mas sou gay, tenho quase 60 anos e posso garantir que questões polêmicas como homofobia, adoção de crianças, casamento gay, transfobia e outros versículos da bíblia militante não representam nem 10% dos problemas que realmente afetam os gays, que são questões íntimas de altíssima complexidade, com desdobramentos mentais e comportamentais que só podem ser analisados com um tipo de seriedade, honestidade, profundidade e empatia que não tem nada a ver com passeata carnavalesca, lacração e toda aquela estigmatização progressista que o filme pretende criticar. O buraco é muito, mas muito, muito mais embaixo.
Bernadette - A Mulher do Presidente
3.5 8 Assista AgoraFilme razoável, mais interessante para o público francês. Entendi como uma merecida homenagem a Catherine Deneuve. Sua despedida das telas (ao menos como protagonista).
Um Tiro na Noite
3.9 274 Assista grátisAssisti a esse filme quando era adolescente, em 1981. John Travolta interpretava um homem comum depois de arrasar corações como o gostosão de "Os Embalos de Sábado à Noite" e "Grease". O filme ficou datado no bom sentido, graças à estrutura clássica do roteiro e ao timing da época, mais lento e romântico, sem a meteórica sobrecarga de informações de nossos tempo, com cenas como ele fumando num hospital e vilões conversando em telefones públicos, além do uso de equipamentos de gravação e filmagem de um mundo mais artesanal e menos tecnológico. As cenas da parada cívica são espetaculares. Imaginem filmar e montar aquilo à moda antiga, com edição cronológica e milhares de figurantes de verdade, sem as facilidades da era digital. Uma boa síntese da virada dos anos 1970/80 para quem tem um olhar nostálgico ou quer entender os caminhos da dramaturgia e da revolução tecnológica deflagrada nos anos 1990, com a popularização da internet.
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4.2 665 Assista Agora(AVISO: ou tudo é spoiler, ou nada é spoiler. Mas vou marcar o primeiro parágrafo por precaução)
A perda de Léo é quase inevitável na vida homossexual. O amor interditado pela culpa, pela incerteza, pela angústia, pela desinformação.
Sou carioca e tenho 53 anos. Em 1989, com 18 anos, fiquei amigo de um colega de faculdade no Rio de Janeiro. Ele era mineiro, 24 anos, morava num quarto alugado, tinha noiva em MG e pretendia se casar no ano seguinte. Tivemos uma afinidade incrível e me apaixonei. Eu sabia, eu pressentia, tinha a certeza de que ele também gostava de mim, mas a conversa nunca chegava lá. Um dia tomei coragem para dizer que “eu não sentia tesão por mulher”. Ele respondeu com naturalidade que “isso não era problema” e nada mais aconteceu. Silêncio. Passei meses me perguntando o que ele teria pensado, se eu teria me precipitado, usado as palavras erradas, escolhido o momento errado, se nosso encontro teria futuro (e qual futuro). Ele mudou, ficou superficial, meio esquivo, sem falar sobre coisas pessoais. A dor da incógnita me torturava. Eu queria um sim ou um não.
Meses depois (não lembro quantos), ele me chamou para uma conversa particular e disse que gostaria de ter uma “experiência com outro cara”. Fiquei eufórico. Foi um dia intenso, os dois abraçados durante horas, rolando no chão do meu quarto, conversando e transando.
Havia amor entre nós, mas o assunto morreu e nos dias seguintes ele se comportou como se nada tivesse acontecido. Um dia falei que eu estava apaixonado, ele respondeu que tinha sido apenas uma “experiência”, assunto resolvido, que ia se casar, ter filhos etc. Insisti no assunto, ele disse que poderíamos “transar de vez em quando”, mas que o casamento já estava marcado e que ele voltaria para MG depois da formatura. Achei a situação insustentável, eu não queria ser “o outro”. Me afastei. Sofri tanto que passei a estudar à noite para nunca mais vê-lo.
Tivemos alguns encontros casuais na faculdade e em eventos acadêmicos. Num desses eventos conheci a futura esposa e ele disse que iam se casar em breve e morar no Rio porque ele tinha conseguido um trabalho aqui. Foi uma facada no estômago, mas vida que segue. Me formei em 1994 e perdemos contato. Demorei anos para esquecê-lo e superar o luto. Eu tinha certeza de que a gente se amava, que havia um encontro ali. Com o passar dos anos, outras pessoas vieram e minha inocência foi se perdendo, o romantismo também. Cheguei a me arrepender do afastamento por achar que seria ótimo “transarmos de vez em quando”. Mas tínhamos perdido contato. Ponto, parágrafo.
Em 2015 participei de uma palestra profissional. Na saída do auditório, uma pessoa me abordou dizendo ser amiga do fulano de tal. O próprio. Custei a entender de quem ela estava falando. Marcamos um café para a semana seguinte com o pretexto de falar sobre a palestra, mas fiquei intrigado. Foi tiro e queda: ela queria me perguntar se “eu estava disposto a ter um relacionamento com alguém do passado”. Fiquei perplexo, paralisado, sem resposta. A certeza reconfirmada 25 anos depois. Não consegui responder. Claro que ela se referia a ele, que já estava no segundo casamento, pai de adolescentes, profissional bem-sucedido. Levei uma semana digerindo o assunto, abrindo gavetas, exumando ossadas, vendo fotos dele em redes sociais (continuava lindo, agora grisalho e gordinho, com um filho idêntico a ele nos anos dourados). Conversei com o Paulo de antigamente e decidimos que não. Nem pensar.
Marquei com a amiga num restaurante. Foi uma conversa difícil (sempre sem citar nomes). Eu era outra pessoa, a vida era outra, eu não teria a menor condição de manter uma relação afetiva com ele (nem com ninguém), não precisava de mais problemas do que já tinha, não acreditava em amor homossexual (no meu caso). Foi uma conversa longa, sofrida e delicada. Ela literalmente chorou. Fiquei comovido, impressionado, imaginando o que ele teria falado com ela, o que seria a vida dele atualmente, pensativo sobre “as voltas que a vida dá”.
O luto da primeira separação já fazia parte da minha vida, da minha alma, já não podia ser extirpado, revertido, transformado. Nem havia chance de novo encontro com alguém que tinha me causado tanto sofrimento num passado remoto. Eu estava solteiro, sozinho, mas tinha outras preocupações, outras responsabilidades, outra mentalidade, outros tesões, sem tempo nem energia para mergulhar nessa aventura.
Nunca me arrependi da recusa ou reencontrei a amiga dele. Mas carrego essa dor desde a juventude, diluída entre outras dores, alegrias e ensinamentos – assim como Léo vai carregar a dor dele pelo resto da longa vida que terá à frente.
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Vidas Passadas
4.1 963 Assista AgoraMinha vida é sofrida e cheia de frustrações, mas me orgulho de certas conquistas. Se Deus me oferecesse um catálogo de vidas paralelas mais felizes e realizadoras, eu só aceitaria se elas me permitissem alcançar alguns resultados e o nível de consciência que o destino me proporcionou (ou impôs). Talvez o maior paradoxo da vida seja esse: quase ninguém está totalmente satisfeito com suas escolhas e circunstâncias, mas quem abriria mão daquele filho amado, fruto do casamento infeliz? Daquela conquista profissional, fruto de renúncias dolorosas? Daquela reflexão existencial, fruto de um trauma? O mundo ideal seria aquele onde conseguíssemos conciliar a felicidade com um tipo de sabedoria que só a dor proporciona. Esse mundo não existe.
Dias Perfeitos
4.2 632 Assista AgoraAdoro filme cult, mas não consegui chegar ao final deste. Perdi a paciência, o interesse, era a última sessão em Botafogo (RJ), eu queria comer um sanduíche antes que fechassem as lanchonetes do bairro. O filme tem cheiro de café requentado, a resignação do homem médio, sua irrelevância, a solidão urbana, a trivialidade do anonimato, encontros e desencontros, pequenas alegrias numa rotina metódica, insossa, cercada por multidões. Já vimos isso milhões de vezes, desde Chaplin em "Tempos Modernos" até "Taxi Driver". Achei um saco.
Amante, Stalker e Mortal
3.5 86 Assista AgoraDocumentário mediano, correto, com alguma encheção de linguiça para adiar a revelação do mistério que já era óbvio na metade do filme. No fim das contas, é um desses casos policiais que acontecem às dúzias todo dia.