maira
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    5 anos atrás

    É uma obra que poderia ser potente, Fathia Youssouf é muito talentosa, e cenas como as do vestido e a própria sequência final são muito bonitas e simbólicas. Penso que a diretora talvez tenha tentado criticar dois extremos que servem, ambos, ao patriarcado: de um lado, o de submissão feminina na cultura tradicional senegalesa, e de outro, a sexualização e objetificação de meninas na cultura ocidental.

    Mas os ~~supostos~~ e pretendidos fins não justificam os meios. É possível falar de hipersexualização de meninas sem, ué, hipersexualizar meninas. São excessivas, gratuitas e desnecessárias as cenas de erotização, e o pior: o close da câmera nas regiões íntimas das crianças o tempo inteiro. Esse enfoque me fez questionar a real intenção da diretora, se a pretensão foi mesmo abordar os assuntos que mencionei linhas acima, ou apenas apropriar-se dessas temáticas pra vender mais o filme (a tão atualmente rentável cooptação do discurso feminista pelo capitalismo).

    Apenas sei que me senti assistindo pornografia infantil em diversos momentos, e o aperto no peito foi constante. Não podemos normalizar meninas dançando sensualmente e, quase performando sexo. Não é empoderamento se mantém o status quo. É preciso resistir a uma cultura da pedofilia, da fetichização e do estupro contra meninas, e esse filme só serve para fomentar essas culturas, não o contrário.

  • Dyveke 11 anos atrás
  • maira 11 anos atrás

    comfort the girl
    help her understand that no memory
    no matter how sad
    and no violence
    no matter how bad
    can darken the heart or tear it apart