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Bom Menino me pegou muito mais pela tristeza do que pelo terror. O filme tem uma atmosfera sufocante e acompanhar tudo pela perspectiva do cachorro me deixou com o coração apertado. Por ele ser indefeso, a gente acaba entrando num modo protetor. Cada vez que ele é arrastado, puxado ou colocado em situações que não entende, eu só queria abraçar ele e tirar dali.
O dono sempre com o rosto na sombra deu um tom sinistro no filme. Essa ausência de expressão transforma ele numa presença quase sobrenatural, mas também profundamente triste, como alguém que carrega algo que não consegue enfrentar.
A Touch of Sin me chamou atenção justamente por mostrar uma China que parece existir fora do tempo. Enquanto a imagem que temos hoje é a de um país supermoderno, cheio de tecnologia e arranha-céus futuristas, o filme leva a gente para pequenas cidades e zonas rurais onde tudo parece parado. Dá até um certo estranhamento ver aquelas pessoas usando celular e moto, porque o ambiente ao redor parece ainda preso a um tempo antigo. Essa dualidade é visualmente muito forte.
A fotografia é triste, fria, mas ao mesmo tempo belíssima. Ela passa perfeitamente a sensação de abandono e dureza da vida nesses lugares. Existe um conflito constante entre passado e futuro: a modernização avança, mas milhões de pessoas ficam para trás, vivendo realidades que praticamente não mudaram. Os filhos migram para as cidades para sustentar os pais no campo, mas acabam presos em trabalhos difíceis, rotinas solitárias e expectativas frustradas.
Esse filme me fez refletir bastante. É um filme denso, que vai muito além da violência que aparece na superfície. Não é o meu favorito do diretor, mas achei muito bom.
Que filme interessante. Com uma atmosfera forte e um mistério que prende até o final.