Baseado no romance The Lady in the Lake (1944), de Raymond Chandler, este filme marcou a estréia do ator Robert Montgomery na direção. O filme destaca-se em parte pela notável perspectiva narrativa, sob o ponto de vista do personagem central, o detetive particular Philip Marlowe, interpretado pelo próprio Montgomery. A história se desenrola em Hollywood nos anos 40. Marlowe é contratado para encontrar a desaparecida esposa do editor Derace Kingsby. O detetive começa sua investigação pela casa de campo da família, que fica ao lado de um lago, onde a Sra. Kingsby foi vista pela última vez.
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Lady in the Lake é um bom filme, mas mais longo do que deveria. Poderia facilmente ter uns 15 minutos a menos, já que a história começa a ficar arrastada em seu terço final. Ainda assim, o longa traz todos os elementos clássicos do film noir com qualidade: a ambientação sombria, o mistério envolvente e uma femme fatale de presença marcante.
O grande destaque vai para Audrey Totter, que interpreta Adrienne Fromsett. Além de ser uma bela femme fatale, ela exala ambiguidade — é difícil acreditar em que lado ela está durante o filme, podendo estar de qualquer um dos dois. Totter domina a tela com seu magnetismo; todas as cenas em que aparece são um deleite visual, e a escolha da câmera em primeira pessoa acaba, de certo modo, reforçando isso, já que o olhar do espectador se torna o do próprio detetive.
A decisão de filmar quase todo o longa em primeira pessoa é, sem dúvida, o ponto mais ousado da produção. A ideia é boa e até remete a Dark Passage (1947), estrelado por Humphrey Bogart, que também utiliza esse recurso. A diferença é que, no filme de Bogart, o artifício é abandonado quando deixa de servir à narrativa, o que o torna mais fluido. Já em A Dama do Lago, o diretor — e também protagonista — Robert Montgomery opta por manter a técnica do início ao fim. O resultado, porém, acaba sendo cansativo e prejudica o impacto dramático, além de limitar a avaliação de sua própria atuação.
Outro problema é a falta de amplitude visual: o filme tem poucas cenas em locações abertas, o que torna a experiência um pouco claustrofóbica e monótona. Soma-se a isso o fato de que o “lago” do título nunca é mostrado, e a mulher desaparecida,
Chrystal Kingsby, jamais aparece. Curiosamente, a atriz Ellay Mort é creditada como Chrystal, mas não surge em cena em nenhum momento
O roteiro, embora interessante, sofre com alguns tropeços, especialmente em seu desfecho. O personagem DeGarmot, por exemplo, é um pé no saco,
e o fato de ele se tornar uma peça-chave na resolução final soa forçado e pouco convincente. Esse protagonismo repentino é
No geral, A Dama do Lago é uma experiência curiosa dentro do noir, com boas ideias, uma protagonista magnética e uma proposta visual arriscada, mas que não se sustenta plenamente. Faltou ritmo, sobrou artifício, e o resultado, embora interessante, fica aquém do potencial que a história e o gênero prometiam.
Curiosidades:
Lady in the Lake marcou a estreia de Robert Montgomery como diretor.
O filme é baseado em um romance de Raymond Chandler, criador do icônico detetive Philip Marlowe.
A técnica da câmera em primeira pessoa foi amplamente divulgada como um “experimento revolucionário” na época, mas dividiu o público e a crítica.
Apesar das críticas, o longa é lembrado como uma tentativa pioneira de colocar o espectador literalmente na pele do protagonista.
Assistido em 13/11/2025
Policial noir interessante, cuja curiosa opção por contar a história em 1a pessoa, consegue garantir o interesse, a despeito da trama ser bem convencional (embora baseada no especialista Chandler).
Adorei o filme... Vi muita gente reclamando do didatismo dele envolvendo a sua proposta. Mas precisamos entender que era uma aposta, algo novo... Eu adorei, achei tudo muito criativo e ousado!
Visualmente,chama bastante atenção.Partindo para a trama,temos momentos totalmente vazios e uma lentidão que atrapalha o andamento.
>Assistido em 17 de Abril de 2023
Filme longo, cansativo, cheio de dialogos, não gostei.