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Data de lançamento
22 Out. 1942Duração
Uma filha é controlada pela mãe, que lhe determina tudo que deve fazer. Um dia um famoso psiquiatra vai na sua casa e a vê prestes a ter um ataque de nervos. O psiquiatra lhe recomenda algumas semanas em uma casa de repouso, que ele administra. Quando ela sai da clínica faz uma viagem de navio até o Rio de Janeiro e, na viagem, sente-se altamente atraída por um homem casado, que tem sentimentos recíprocos. Ao voltar para casa ela é uma mulher muito diferente, que agora age e pensa por conta própria, não aceitando mais as imposições da mãe.
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27.06.2026
Embora há muito da tóxica relação intrafamiliar de uma mãe opressora sobre uma filha introvertida - e é necessário elencar os danos psicológicos causados, este belíssimo filme é uma elegia ao amor, e a como o afeto sendo um bom sentimento pode curar e reconfigurar um ser humano. Bem desenvolvido e canalizando as forças de uma mudança de comportamento, o longa, de tom ingênuo e açucarado, ainda tem em cena uma belíssima fotografia do Rio de Janeiro dos anos 40. Apesar de parecer uma melodramática história datada, há uma forte presença da paixão em tudo, desde as brilhantes atuações à mão amiga da ajuda e piedade, oferecendo uma obra graciosa e grandiosa. E como Bette Davis era maravilhosa em todos os sentidos!
"Vou lhe procurar em cada esquina", deve ser uma das frases mais românticas que já vi no Cinema; absolutamente tour de force da maravilhosa Bette Davis, em uma personagem tiranizada por uma mãe que lhe amava de modo estranho, imersa em um mundo que julga a independência feminina. Belo roteiro e excelente direção de Irving Rapper.
* Gosto como o roteiro está sempre em constante mudança como a metamorfose da protagonista.
* O cabelo curto de Tina não é só vaidade. É uma quebra de hábito, uma ideia.
* Qualquer relacionamento impulsivo dá errado. Tina prova isso na sua calma e sensibilidade com a criança, como um contraste de sua criação familiar.
* A demora do casal voltar a se ver era o medo, e sobretudo algo segurando seus calcanhares. É difícil derrubar um sistema conformista onde todo mundo está cansado demais para tentar de novo.
* O que nos faz fugir da dependência sistemática e escravista é a nossa procura pela dependência benigna, feita de reciprocidade, prazer, afeto e comunicação. De fato, o melhor jeito de se apaixonar.
A Obras-primas do Cinema distribuiu mês retrasado em DVD esse charmoso clássico da década de 1940, que traz uma das mais incríveis atuações de Bette Davis, um monstro sagrado da Sétima Arte, em papel que lhe rendeu sua sétima indicação ao Oscar. Originalmente da Warner Bros, numa época em que o estúdio se voltava para filmes sérios, que rompiam com tabus, esse romance melodramático conta com três bons coadjuvantes: Gladys Cooper, no papel da mãe controladora da protagonista, com seu olhar penetrante (indicada ao Oscar aqui de atriz coadjuvante, esteve em “Minha bela dama”), Paul Heinred (de “Casablanca”), o bonitão casado que a protagonista conhece no Rio de Janeiro (aliás, tem músicas brasileiras na trilha sonora) e Claude Rains (de “A mulher faz o homem”), o psiquiatra que ajuda a personagem central em sua clínica.
É um roteiro maduro, bem esquematizado pelo roteirista Casey Robinson (de “O capitão Blood”), que adaptou o romance da escritora Olive Higgins Prouty, sobre uma mulher em plena transformação, que precisa vencer medos e barreiras sociais para se impor como uma mulher independente e sair das garras da mãe dominadora. Dirigido pelo britânico Irving Rapper, de “Rapsódia azul”, é um grande filme dos anos de Ouro de Hollywood. Ganhou o Oscar de trilha sonora (de Max Steiner, de trilhas impecáveis como a de “E o vento levou”).
POR FELIPE BRIDA - BLOG CINEMA NA WEB