O primeiro volume da trilogia autobiográfica de Maksim Górki (Infância, Ganhando meu pão e Minhas universidades), ineditamente publicada em conjunto no Brasil, narra a vida do pequeno Aleksiei, órfão de pai criado pelos avós no final do século XIX, na cidade russa de Níjni-Novgórod. No livro, acompanhamos a vida nesse ambiente violento e, ao mesmo tempo, cheio de afeto, pelos olhos de uma criança, que nem sempre compreende ao que está assistindo. As cenas familiares mostram os conflitos, sobretudo as brigas por dinheiro e pela parcas propriedades da família, compensados pela ternura da avó analfabeta, uma das personagens mais interessantes da trilogia, que encanta o garoto com sua religiosidade pagã e com as narrativas e canções da tradição popular russa. O estilo seco e refinado, com a justa dose de emoção, mostra a força do autor e confirma seu nome entre os maiores do século XX.
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Ao longo de toda a projeção, foi fácil entender de onde o dramaturgo biografado arranjou inspiração tramática para a sua peça "Ralé": é tudo muito caótico em sua infância, sendo que as conexões de convivência mútua dão-se muito mais em razão do clã de pertencimento que ao que conhecemos ocidentalmente como família. Neste primeiro volume da trilogia, as limitações de estúdio mais evidentes: algumas cenas de multidão soam um tanto artificiais, ainda que bem conduzidas. O garotinho protagonista é ótimo e as situações envolvendo as brincadeiras infantis são mui graciosas. Porém, as reações entre ele e seu rude avô nem sempre convencem, ainda que não sejam contextualmente inverossímeis. E, digo mais: aquilo que tanto incomodou alguns críticos (como o pesquisador Claude Beylie, por exemplo) - a saber, a ode explícita ao didatismo - encantou-me sobremaneira. Como não desejar ler e escrever com vigor ao testemunhar esta saga em que "a comiseração não se sobrepõe à verdade"? Muito bom! (WPC>)
A sua biografia foi a melhor que já li, assim como posso dizer que foi a melhor que assisti. Extremamente emocionante.
Belo resgate da infância de Górki. Não cheguei a ler "Infância", porém gostei da adaptação e de sua aura de nostalgia e inocência, do mundo sendo visto através da ótica infantil.
Linda e perfeita representação da avó, Varvara Massalitinova conseguiu dar uma familiaridade enorme à personagem de fácil identificação.
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Assisti num festival de cinema soviético no teatro do SESI da paulista.