Famoso cartunista tem a mão decepada em acidente de carro. A mão ganha vida própria e sai assassinando os desafetos do cartunista, que não consegue detê-la.
Michael Caine precisava de dinheiro. Para quê? Para construir uma garagem. Essa foi a razão, confessada sem pudor, que o levou a "A Mão" (1981). Ironia pura. O filme que pagou uma construção, construiu uma amizade. A amizade com Oliver Stone. O mesmo Stone que viu Jon Voight, Christopher Walken e Dustin Hoffman recusarem o papel do cartunista Jonathan Lansdale. Todos fugiram, mas Caine viu uma oportunidade e a agarrou. O set era um laboratório para um diretor que encarava apenas seu segundo longa-metragem. Trinta mãos animatrônicas foram criadas. Uma para rastejar, uma para andar, outra para estrangular. Carlo Rambaldi, o gênio por trás de King Kong, agora pensava pequeno, miniaturizando mecanismo pra dar vida a um punho maligno. Por sua vez, Barry Windsor-Smith, lenda da Marvel, desenhava "Mandro", o herói dos quadrinhos dentro do filme. E tudo se conectava. Stone, que coescrevera “Conan”, via seu mundo ganhar forma. A mão filmada em três longos dias. A loucura do personagem, meticulosamente elaborada. Caine deu uma lição a Stone. Numa cena, o diretor pediu outra tomada. Caine recusou. "Está certa, espere pelas filmagens diárias”, disse. Stone entendeu depois. O instinto do veterano era preciso. O filme estreou e as críticas foram mistas. Mas o tempo é um crítico mais compreensivo e, então, a "A Mão" ganhou status de cult. A mão que devia pagar uma garagem, afinal, valia mais que isso. Tornou-se um símbolo da colaboração e do acaso. E do estranho caminho que a criatividade percorre.
Eu sempre adorei este filme, perdi as contas de quantas vezes assisti, e toda vez que assisto há elementos diferentes que eu capto. Oliver Stone já demonstrava um enorme talento no começo de carreira, mesmo fazendo um filme B, que mesmo parecendo superficial é muito mais profundo do que aparenta. Michael Caine está ótimo, me espanta ele ter topado fazer isso, mas só prova que ele dá o melhor de si independente do projeto. Minhas impressões sempre mudam e entram em conflito a cada assistida: A mão existe ou não existe? Os desenhos do filme são feitos por ninguém menos que Barry Windsor-Smith, conhecido pelo seu trabalho com Conan por anos e pela história mais clássica de Wolverine.
Esperava me deparar em mais um dos filmes de terror oitentistas, neste aqui, com a marca de assinatura de Oliver Stone. Entretanto, o longa-metragem é muito que mais que só um filme de terror é um um estudo sobre as instituições sociais, família, trabalho, além de ser por, excelência, um estudo psicanalítico, por extensão. Confesso que ele se estende por demais, mas isso não o desqualifica enquanto obra atemporal. Michael Caine mostra mais uma vez sua verve louca em mais um personagem psicótico, papel defendido um ano antes em Vestida para Matar de Brian De Palma, mostrando o quão se encaixa bem em papeis esquisitos. Andrea Marcovicci está linda! E Oliver Stone deixa aqui, logo em sua quase estréia no cinema sua marca autoral de um grande cineasta. Não esperava que fosse tão bom!
17-07-2026
Michael Caine precisava de dinheiro. Para quê? Para construir uma garagem. Essa foi a razão, confessada sem pudor, que o levou a "A Mão" (1981). Ironia pura. O filme que pagou uma construção, construiu uma amizade. A amizade com Oliver Stone. O mesmo Stone que viu Jon Voight, Christopher Walken e Dustin Hoffman recusarem o papel do cartunista Jonathan Lansdale. Todos fugiram, mas Caine viu uma oportunidade e a agarrou.
O set era um laboratório para um diretor que encarava apenas seu segundo longa-metragem. Trinta mãos animatrônicas foram criadas. Uma para rastejar, uma para andar, outra para estrangular. Carlo Rambaldi, o gênio por trás de King Kong, agora pensava pequeno, miniaturizando mecanismo pra dar vida a um punho maligno. Por sua vez, Barry Windsor-Smith, lenda da Marvel, desenhava "Mandro", o herói dos quadrinhos dentro do filme. E tudo se conectava. Stone, que coescrevera “Conan”, via seu mundo ganhar forma. A mão filmada em três longos dias. A loucura do personagem, meticulosamente elaborada.
Caine deu uma lição a Stone. Numa cena, o diretor pediu outra tomada. Caine recusou. "Está certa, espere pelas filmagens diárias”, disse. Stone entendeu depois. O instinto do veterano era preciso. O filme estreou e as críticas foram mistas. Mas o tempo é um crítico mais compreensivo e, então, a "A Mão" ganhou status de cult. A mão que devia pagar uma garagem, afinal, valia mais que isso. Tornou-se um símbolo da colaboração e do acaso. E do estranho caminho que a criatividade percorre.
Eu sempre adorei este filme, perdi as contas de quantas vezes assisti, e toda vez que assisto há elementos diferentes que eu capto. Oliver Stone já demonstrava um enorme talento no começo de carreira, mesmo fazendo um filme B, que mesmo parecendo superficial é muito mais profundo do que aparenta. Michael Caine está ótimo, me espanta ele ter topado fazer isso, mas só prova que ele dá o melhor de si independente do projeto. Minhas impressões sempre mudam e entram em conflito a cada assistida: A mão existe ou não existe? Os desenhos do filme são feitos por ninguém menos que Barry Windsor-Smith, conhecido pelo seu trabalho com Conan por anos e pela história mais clássica de Wolverine.
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Primeiro filme comercial de Stone e temos algo bem mediano.O mais interessante é poder ver um elenco bastante conhecido.
>Maratona Michael Caine - Assistido em 18 de Novembro de 2024
Esperava me deparar em mais um dos filmes de terror oitentistas, neste aqui, com a marca de assinatura de Oliver Stone. Entretanto, o longa-metragem é muito que mais que só um filme de terror é um um estudo sobre as instituições sociais, família, trabalho, além de ser por, excelência, um estudo psicanalítico, por extensão. Confesso que ele se estende por demais, mas isso não o desqualifica enquanto obra atemporal. Michael Caine mostra mais uma vez sua verve louca em mais um personagem psicótico, papel defendido um ano antes em Vestida para Matar de Brian De Palma, mostrando o quão se encaixa bem em papeis esquisitos. Andrea Marcovicci está linda! E Oliver Stone deixa aqui, logo em sua quase estréia no cinema sua marca autoral de um grande cineasta. Não esperava que fosse tão bom!