Dirigido por
Data de lançamento
17 Julho 1998Duração
Depois que sua esposa é assassinada e sua filha levada por seu maior inimigo, Don Diego (Anthony Hopkins) passa mais de 20 anos na prisão. Quando consegue fugir, toma o ladrão Alejandro Murrieta (Antonio Banderas) como pupilo a fim de transformá-lo em um novo Zorro e, com isso, vingar-se de seu antigo desafeto.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
IMPRIMATUR - visto no cinema em 1998:
A ascensão na carreira do Banderas pode ter sido o ensenjo necessário para a produção desse filme. Que bom, pois o diretor conseguiu fazer uma aventura divertida e versátil para época.
Avaliação em nota: 7.2
Esse Zorro continua bem bom. É a versão do mascarado que a geração dos anos 2000 conheceu e, de certo modo, deixou escapar da memória. Martin Campbell vinha de “salvar” James Bond em GoldenEye e aqui faz algo parecido: resgata um personagem adormecido e o reinsere no imaginário popular com pleno domínio do cinema de aventura. Há um frescor muito específico de Sessão da Tarde, uma leveza narrativa que convive sem ruído com temas trágicos, violência histórica e perda. O filme dialoga diretamente com a tradição do faroeste clássico — não apenas na iconografia, mas no senso de espaço, de corpo em cena, de espetáculo físico — algo que hoje parece cada vez mais raro. É cinema popular no melhor sentido.
Antes de super-heróis mascarados existirem em CGI, havia Zorro, o homem que fazia justiça com uma espada, um sorriso e uma assinatura em forma de “Z”. Em A Máscara de Zorro, Martin Campbell (sim, o mesmo que depois ressuscitaria James Bond) entrega uma aventura clássica com alma de tragédia e coração de novela. É o tipo de filme que acredita na elegância do exagero e, por algum milagre cinematográfico, faz tudo funcionar.
Na superfície, é uma história de vingança, legado e treinamento do velho Zorro (Anthony Hopkins) passando o manto ao jovem bandido (Antonio Banderas). Mas, no fundo, o que o filme realmente encena é uma fábula sobre o poder da representação: o que é ser um herói quando tudo ao redor é disfarce? O Zorro é símbolo, máscara, mito e o que Campbell entende, talvez melhor do que muitos diretores de ação, é que a máscara é tanto uma prisão quanto uma libertação. Ser o Zorro é renunciar à própria identidade para se tornar a esperança dos outros ou numa leitura mais sarcástica, é apenas usar um disfarce bonito pra resolver traumas com estilo.
Anthony Hopkins empresta à lenda uma dignidade quase shakespeariana de um herói cansado, arrastando o peso do passado com a elegância de quem já perdeu tudo, menos a ironia.
Antonio Banderas, por outro lado, é pura energia: um homem em constante transição entre ladrão e ícone. Sua atuação é tão física quanto cômica, equilibrando o charme latino e o drama clássico. Catherine Zeta-Jones, hipnotizante, transforma o papel de coadjuvante romântica em algo entre desejo e duelo. O trio carrega o filme com uma química que lembra que a aventura, antes de ser espetáculo, era sempre um jogo de sedução.
Campbell dirige com uma precisão quase coreográfica de cada luta ser uma dança, cada enquadramento, uma pintura de movimento. A fotografia é quente, dourada, banhada pela poeira e pela luz do entardecer, como se o próprio sol estivesse de luto por um tempo mais simples. Os figurinos e a trilha sonora ampliam esse romantismo exagerado: tudo é maior do que a vida, mas filmado com tanta sinceridade que parece verdade. Zorro, afinal, é o cinema em sua forma mais pura: espetáculo e ilusão.
No fim, A Máscara de Zorro é uma carta de amor ao próprio ato de contar histórias. Um lembrete de que heróis são apenas atores de um papel que o público precisa acreditar. O filme não tenta ser profundo e acaba sendo, justamente por acreditar na beleza da farsa. Há algo quase poético nisso: a ideia de que a justiça, às vezes, precisa vestir um disfarce pra ser ouvida. Zorro é o mito que sobrevive porque ninguém sabe quem ele é sua maior verdade.
Que elenco, que elenco de peso! E a Catherine? No auge da beleza.
16.05.1999