Dirigido por
Data de lançamento
15 Ago. 2019Duração
Baseado no livro de Eduardo Sacheri "La Noche de la Usina".
Em uma cidade distante na província de Buenos Aires, muitas coisas estão prestes a morrer. Durante a crise econômica que levou ao congelamento bancário traumático de 2001, um grupo de homens decide reunir a quantidade de dinheiro necessária para adquirir alguns silos abandonados em uma propriedade agroindustrial. Mas, mesmo antes de poderem executar o projeto, o golpe faz com que eles se encontrem no fundo do poço e reajam diante da injustiça. Agora é sobre roubar o ladrão. Este romance narra a história de uma vingança coletiva bem merecida realizada durante uma noite lendária que nunca será esquecida.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
que delícia de filme, que deleite as quase 2h de uma aventura com premissa tão simples, mas tão bem executada.
e que privilégio acompanhar os Daríns atuando como pai e filho.
amei demais. o cinema argentino é fantástico!
Um filme divertido e simples, que se vale de um roteiro afiado, personagens cativantes e motivações pertinentes para manter viva a lembrança dessa crise nacional - e de que sempre há alguém disposto a lucrar com a desgraça do outro.
Uma ótima história do cinema argentino, que consegue trazer uma carga dramática bem trabalhada e ainda assim ter momentos de comédia sem exageros. Outro filmaço do Ricardo Darín e o detalhe é que aqui ele atua junto com o filho Chino Darín.
Nota: 8/10
“A Odisseia dos Tontos” é aquele raro filme capaz de transformar um trauma financeiro nacional em uma fábula humana, divertida, amarga e absolutamente terna. Sebastián Borensztein pega um episódio devastador da história argentina e o transforma em algo profundamente cinematográfico sobre um conto sobre dignidade comunitária em guerra contra a esperteza institucionalizada. É emocional, onde o assalto é simbólico e a revolta, coletiva.
A estrutura narrativa é clássica, um grupo de pessoas comuns, injustiçadas até o osso, se une para tomar de volta o que lhes foi roubado por um banco e por um advogado tão escorregadio quanto inevitável. Mas o roteiro funciona porque não é sobre vingança simples. É sobre autoestima social. Sobre vizinhos que se veem como fracassados até perceberem que, juntos, podem ser algo mais que vítimas, podem ser uma força. Onde muitos filmes fariam uma história de ódio, Borensztein faz uma história de cura. A odisseia aqui não é épica mas íntima. Justamente por isso que se torna tão épica.
Fermin é o coração moral da história, teimoso, indignado e incapaz de aceitar a humilhação como destino. Ele é o tipo de líder que não pede para liderar mas não desiste. Morán, o vilão suave, é a cara da burocracia predatória de alguém que sorri enquanto te rouba, e te chama de irresponsável por ter confiado nele. O grupo dos “tontos” é o grande charme do filme com um mosaico de personalidades tão imperfeitas quanto encantadoras. Eles discutem, se atrapalham, duvidam… mas nunca deixam de tentar. A força do filme está justamente nisso de que ninguém ali é herói mas todo mundo é humano demais para isso.
A fotografia mistura tons terrosos com a luz natural das pequenas cidades argentinas, criando uma atmosfera calorosa e melancólica ao mesmo tempo. Campos vastos, galpões abandonados e interiores simples moldam um país real para um país que tenta sobreviver à própria instabilidade. O visual reforça a sensação de que aquela comunidade poderia ser qualquer comunidade da América Latina, ferida, mas resistente.
“A Odisseia dos Tontos” é sobre esperança coletiva, sobre descobrir que a justiça oficial é lenta demais, distante demais e as vezes inexistente. É sobre acreditar que ninguém é tão pequeno que não possa levantar a cabeça quando o sistema tenta esmagá-lo. E, acima de tudo, é uma história sobre união. Porque, no fim, o que vence o vilão não é genialidade, força ou poder mas é a teimosa insistência de pessoas comuns se recusando a continuar sendo vítimas. Um filme que consegue ser crítico, político, engraçado, humano e, acima de tudo, profundamente catártico. Afinal, como o próprio título brinca se ser “tonto” é confiar nos outros… talvez seja justamente isso que salva.
Que filmaço!!!