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Data de lançamento
29 Fev. 2008Duração
Ana (Natalie Portman) e Maria (Scarlett Johansson) são irmãs que foram convencidas por seu pai e tio ambiciosos a aumentar o status da família tentando conquistar o coração de Henrique Tudor (Eric Bana), o rei da Inglaterra. Elas são levadas à corte e logo Maria conquista o rei, dando-lhe um filho ilegítimo. Porém isto não faz com que Ana desista de seu intento, buscando de todas as formas passar para trás tanto sua irmã quanto a rainha Catarina de Aragão (Ana Torrent).
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Assistindo, sei lá, pela terceira vez, mas dessa vez bateu diferente.
Primeiramente, preciso reforçar o baita filmasso que é. Natalie Portman estraçalha tudo com esta atuação. É impossível não ficar hipnotizada.
Bom…
Na primeira vez que assisti, interpretei o filme de uma forma bem literal. Xinguei o pai, o tio, julguei as irmãs Bolena, a mãe… fiz uma auditoria moral da família inteira.
Mas hoje, mais madura e olhando a história também pelo contexto histórico, comecei a enxergar de outra forma.
Estamos falando de uma sociedade absolutista, profundamente misógina e brutal, em que as mulheres tinham pouquíssimo (para não dizer nenhum) poder de decisão. E, nesse contexto, talvez a família Bolena não tivesse exatamente muitas alternativas.
O rei não pedia. O rei tomava.
Se Henrique VIII via, gostava, queria e decidia que determinada mulher seria sua amante, não tinha muito “não, obrigada”. Aliás, até poderia ter um “não”. Só que talvez viesse acompanhado de uma forca ou de um machado. Então, melhor pensar bem. Rs
Dizer “não” ao rei não era simplesmente uma questão de moral, honra ou bons costumes. Poderia ser interpretado como afronta, desobediência ou até traição.
Então hoje consigo olhar para o pai delas com menos indignação moral e mais compreensão histórica.
Se ele impedisse completamente a aproximação das filhas com o rei, não necessariamente estaria “protegendo a honra” delas. Estaria colocando em risco sua posição, seus bens, seus títulos e a sobrevivência da família inteira.
Claro que havia outros interesses envolvidos. E muitos.
Havia uma espécie de “compensação”, por mais absurdo que isso possa parecer, na forma de terras, títulos, cargos, privilégios e ascensão social. Era uma corte em que proximidade com o rei significava poder. E poder significava sobrevivência.
O que hoje podemos enxergar como falta de caráter, oportunismo ou ausência de moralidade, no século XVI também podia ser compreendido como estratégia de sobrevivência e ambição política em um ambiente extremamente hostil.
Por isso, acho que a reunião e o estrategema da família para oferecer as filhas ao rei, mostrados no filme, me parecem muito mais uma decisão de roteiro do que algo claramente sustentado pelos fatos históricos.
Até por isso, não entendi o sentido de ser algo que teria partido de uma iniciativa deles, pois Ana ou Maria seriam mais uma das muitas amante do rei, e qualquer filho homem que nascesse dessa relação seria um bastardo, sem legitimidade para ocupar o trono. A família já era nobre e poderia ter alguns privilégios a mais e alguma ascensão na corte, claro, mas havia um limite para o que aquela relação poderia proporcionar.
E a partir disso, as pessoas lutavam com as armas que tinham.
E, para aquelas mulheres, infelizmente, as armas eram pouquíssimas.
O favor do rei era uma bênção enquanto durasse. Enquanto você fosse útil, estava protegida. Quando deixasse de ser, bastava surgir do nada, uma acusação de traição, adultério ou qualquer outra conveniência política para que o mesmo rei que havia elevado alguém ao topo pudesse simplesmente mandar essa pessoa para a morte.
É uma baita história. Mas é uma história extremamente cruel também.
E a maior ironia está justamente no legado de Ana Bolena.
Sua filha Elizabeth
O tão sonhado filho, motivo de tantas atrocidades, rompimento com Roma, mudança de religião do país, destruição de casamento, perseguição, não vingou (teve mas morreu cedo) e quem governou mesmo foi uma mulher. A filha deixada de lado. Preterida.
A menina que, dentro daquela lógica patriarcal, deveria ser apenas uma consequência secundária.
E que acabou se tornando Elizabeth I, uma das maiores monarcas da história inglesa.
As voltas que a vida dá… que satisfação… eu adorooo!
O filme poderia ter investido só um pouquinho mais de tempo na criação da igreja anglicana. Seria interessante. Mas entendo que a trama focou na história das Bolenas.
Outra reflexão é a tal pseudo moralidade dessas elites/ corte e da igreja que sempre existiu… sempre muito firme, rígida, absoluta, sagrada, inegociável mas sempre atravessada por uma hipocrisia gigantesca com olhos cegos e ouvidos surdos a depender de quem as violava. E isso se estende até hoje. Nada mudou!
A capacidade humana de criar regras rígidas para os outros e exceções convenientes para si mesma continua muito bem preservada.
Partiu reassistir Elizabeth I e II com a maravilhosa Cate Blanchett
Ambição Vs. Moralidade. Irmandade.
Henrique VIII literalmente um filho da puta.
A obra tem a capacidade de dramatizar as consequências devastadoras da desobediência à Lei Natural e o vazio das paixões desordenadas. Embora se perca ocasionalmente no melodrama, ela é uma poderosa lição sobre como a inteligência, quando escravizada pelo desejo, torna-se uma ferramenta de autodestruição
O tal do Henrique era viciado em bct né... mas rapaz, é cada coisa...
Como drama histórico, o filme não funciona nada bem. Romantizaram toda a situação, focaram no relacionamento do triângulo amoroso e tiraram todo o peso das decisões do rei, que mudariam de fato a geopolítica ocidental daquela época.
Mas como drama romântico, o filme funciona bem. A cenografia e os figurinos convencem bem, a presença de Portman e Johansson são marcantes e o elenco de apoio é excelente. A trama se desenvolve bem e consegue surpreender quem já conhece a história real (afinal eles criam situações que vão além do descrito nos livros de História).
Vale a pena como drama romântico de época, mas não como drama histórico.
Bom filem, porém muito romantizado.
31/05/2026