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Um grupo de homens está em um safári na África, quando se deparam com uma tribo de nativos. Um deles se recusa a dar uma oferenda, o que deixa a tribo ofendida. Os nativos então matam cruelmente os homens brancos, deixando apenas um vivo. Este será objeto de uma competição para eles, que o fazem fugir como se fosse um leão para em seguida ser caçado.
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Tem filme que a gente assiste e já sabe, na hora: hoje, ele não passaria ileso. The Naked Prey é exatamente isso. Uma cápsula dos anos 60 onde o cinema ainda se achava muito corajoso por despir um homem e soltá-lo nu pela savana africana — enquanto tratava uma tribo inteira como selvageria com tambor.
É impossível não notar o desconforto. A representação da tribo beira o caricatural, o sádico, o fetichizado. Não há nomes, não há vozes, não há contexto. Só corpos pintados, tambores rufando, rituais que parecem saídos de um King Kong mais cruel. Os homens matam com prazer, punem com espetáculo, enquanto o herói conquista nossa simpatia apenas por ser o menos insuportável da excursão invasora. O roteiro não tenta dar nuance. Ele não quer que a gente entenda aquela tribo. Só que a tema. E isso, sim, é desonesto.
Mesmo assim… alguma coisa nesse filme funciona. E o desconforto se mistura com o fascínio. Talvez seja a força da premissa — um homem sozinho, despido de tudo, tentando sobreviver em uma terra que já o rejeitou. Uma versão bruta do arquétipo da caça reversa. É primitivo, rudimentar, quase arcaico. Mas tem uma pureza instintiva nisso. E é essa base crua que mais tarde renderia descendentes mais sofisticados, como Apocalypto, que encena a barbárie com câmera ágil e moral confusa, ou Jogos Vorazes, que reembala o instinto de sobrevivência em Reality Show.
Claro, Wilde não tem a sofisticação de Mel Gibson na direção de ação. Aqui, as fugas são cortadas, as lutas são truncadas, a morte acontece mais fora de cena do que dentro. Mas há beleza — e, por vezes, até poesia. Um babuíno enfrenta um leopardo. Um homem adormece e uma cobra repousa sobre ele. A savana respira entre um ritual e outro. E em meio a tudo isso, uma pequena menina cruza o caminho do protagonista e, por instantes, há humanidade. Cantarola-se uma canção. Trocam-se silêncios que dizem mais que a trilha inteira.
The Naked Prey é um filme que incomoda. E não é pra menos. Ele traz, sim, um pacote problemático, embebido numa visão colonial do mundo. Mas entre um incômodo e outro, há também um gesto de cinema tentando capturar algo cru: a tensão entre o homem e o mundo, a natureza como cenário e juíza, a sobrevivência como espetáculo, sim — mas também como instinto. É um filme que vacila em representações, pisa no território escorregadio da exotificação, mas também abre uma trilha que muitos outros seguiriam. Talvez não seja um clássico imaculado, mas é um artefato digno de análise — e de um certo fascínio culposo. Não é fácil amar esse filme. Mas também não é simples descartá-lo. É como engolir areia: raspa, incomoda, mas fica na boca tempo suficiente pra lembrar da travessia.
Um belo filme com cenas bem agradáveis em um ritmo intenso. Conheci por acaso em algum vídeo aleatório na internet e baixei em um site de filmes menos "mainstream", visto que em torrent não achei seeds.
Tirando algumas cenas de animais atacando outros animais, gostei do filme. É um bom filme sobre sobrevivência, que não enrola muito e parte logo para a ação, também tem poucos diálogos. Merecia ser mais conhecido.
03-10-2021
Co-produção dos Estados Unidos e África do Sul indicado ao Oscar de melhor roteiro original. Este drama de aventura e suspense foi filmado totalmente na África, em Zimbabwe, Botswana e África do Sul. Este foi o 5° de 8 filmes dirigidos pelo ator húngaro Cornel Wilde (1912-1989), que também acabou produzindo e atuando no longa.
Foi, também, uma refilmagem de Renegando o meu sangue (57), com Rod Steiger, cuja premissa completa para este filme foi usada do filme original. Houve também um remake amador: o curta Zeimers in Zambezi (70), dos irmãos Ethan e Joel Cohen. O roteiro foi originalmente um verdadeiro incidente histórico sobre um caçador chamado John Colter sendo perseguido pelos índios Blackfoot em Montana, mas os custos de filmagem, incentivos fiscais e assistência material e logística oferecida pela África do Sul convenceram Cornel Wilde e os outros produtores a filmar lá. Cornel Wilde ficou doente durante a maior parte das filmagens, mas continuou, observando que isso parecia aumentar sua performance.
São várias cenas horríveis que servem para dar autenticidade, mas o filme ainda é uma mera fantasia. É um tanto pretensioso, mas ficou muito bem registrado. Entretenimento pobre e de mau gosto, resgatado pela autenticidade de sua localização africana e pelo uso eficaz de percussão tribal e música nativa.
Há algumas cenas desnecessárias de mortes de animais que parecem muito realistas, principalmente contra os elefantes e servos.