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Um casal de ex-militantes do movimento terrorista dos anos 70 vive há tempos na clandestinidade com sua filha adolescente, Jeanne. Em algum lugar em Portugal, eles tentam construir uma identidade mais ou menos legal, mas um descuido faz tudo ruir por terra. No meio do caos, Jeanne se apaixona por Henrich, que acolhe a família em sua casa abandonada em Hamburgo.
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Acho interessante a ideia de mostrar uma jovem como a protagonista de uma história de exilados. Ela não sabe muito bem o que se passa ali, apesar de ter uma noção do que pode e não pode ser feito, ao mesmo tempo que não quer deixar de ter uma vida de uma adolescente normal, tudo isso unido, é claro, a hormônios que não a deixam raciocinar direito.
O Petzold faz aqui o que já fez em Barbara, por exemplo, de focar no indivíduo ao invés de dar um contexto mais amplo do que se passa. Em Barbara, ao contrário daqui, vejo como uma péssima escolha, basicamente porque lá ele não tem a coragem de dizer que a refugiada em questão estava presa em um campo de concentração destinado a nazistas. Mas aqui isso não vem ao caso.
Por outro lado, vejo que o filme peca ao mostrar um pouco mais sobre como esta protagonista pensa e se porta. Adolescentes acabam caindo, em vários filmes, num problema de representação: Ou eles agem como gênios maduros, ou acabam sendo um pouco ingênuos demais. Aqui, Jeanne toma atitudes que sabe que não pode tomar, agindo não de maneira imatura, mas de modo burro. Acho que isso perde um pouco o desenvolvimento da personagem.
Pra citar um melhor exemplo de personagem infantil/juvenil, vejo que Chihiro consegue um desenvolvimento muito digno.
Estilo inconfundível de Petzold!! Gostei muito!!
No meu ponto de vista, "The State I Am In" não está entre os melhores filmes de Christian Petzold, mas permanece fiel ao seu estilo: silencioso e denso, sempre deixando aquela sensação inicial de estranhamento e avisando que só muito lentamente iremos descobrir do que se trata a história, para depois termos um filme que se prolonga na mente.
Esta obra integra a trilogia conhecida por 'Fantasmas', mas aqui os fantasmas não são criaturas sobrenaturais, e sim as consequências de escolhas passadas que se infiltram na vida dos personagens. Temos a história de uma família em constante fuga, com uma filha adolescente que carrega o peso de um passado que não é o seu.
Senti desconforto com as atuações, achei mecânicas, frias, mas depois me perguntei se essa não teria sido uma escolha proposital e estética de Petzold: a de mostrar uma família sem afeto, em que todos parecem tratar-se como cúmplices e não como pais e filha. O filme é todo atravessado por espaços vazios, diálogos mínimos e uma atmosfera de suspensão, num clima de limbo existencial.
Comparado a obras posteriores como "Phoenix" ou "Barbara", este filme parece menos lapidado e com menor densidade emocional. Mas talvez seja peça importante no processo criativo de uma linguagem que caracteriza o cinema de Petzold e que ele passou a refinar nos trabalhos seguintes. Sempre crítico da opressão, temos mais uma história em que ele demonstra, sem fazer ruídos, sua coerência ideológica.
- nhe, até o momento é o que menos me pegou do diretor
- eu entendi a proposta, toda a trama dos pais fugitivos é apenas pano de fundo, o principal são as mazelas que a adolescente sofre por ter uma vida assim
- mas deixa muita coisa em aberto, qualquer outro diretor seria cobrado por mais respostas
- a atuação da jovem também não me agradou, achei exagerada
Três, certeiro!