A Vida Como Ela É

A Vida Como Ela É (1996)
A Vida Como Ela É
Média do filme: 4.0 de 5 — baseado em 725 votos
MÉDIAFILMOW
4.0
725 Avaliações
Minha avaliação:
Salvando
Dirigido por Daniel Filho
País de origem Brasil 🇧🇷
Duração 384 min (6h24)
Classificação indicativa de A Vida Como Ela É: 14 - Não recomendado para menores de 14 anos
Status Streaming

Dirigido por

Duração

384 minutos Classificação indicativa de A Vida Como Ela É: 14 - Não recomendado para menores de 14 anos
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Sinopse

A Vida Como Ela É traz histórias dos melhores contos de Nelson Rodrigues, o Maior dramaturgo brasileiro de todos os tempos. Histórias de amor, mistério, traição e humor que recriam o universo rodrigueano em quarenta episódios. Mulheres insaciáveis, maridos traídos, ninfetas sensuais: os imortais personagens de Nelson voltam nesta série antológica, premiada no Brasil e no mundo.
Com a participação dos maiores astros da televisão e direção de Daniel Filho, A Vida Como Ela É é obscena e conservadora, machista e sensível, dramática e bem - humorada e, acima de tudo, contraditória. Afinal, é Nelson Rodrigues.

Disco 1
- Monstro
- Divina Comédia
- Quem Morre Descansa
- O Grande Viúvo
- Gagá
- O Homem Fiel
- O Decote
- A Grande Pequena
- Casal de Três
- O Anjo
- Gastrite
- Para Sempre Desconhecida
- Uma Senhora Honesta
- Covardia
- Fruto do Amor
- Marido Fiel
- Viúva Alegre
- Cheque do Amor
- O Pediatra
- O Único Beijo

Disco 2
- Delicado
- Vontade de Amar
- A Esbofeteada
- A Futura Sogra
- O Homem que Não Conhecia o Amor
- Fome de Beijos
- Sem Caráter
- Sacrilégio
- Pai por Dinheiro
- Teresinha
- Curiosa
- Amor Mercenário
- Desprezada
- Boa Menina
- Mártir em Casa e na Rua
- Dama da Lotação
- Enciumada
- O Padrinho
- Pacto de Amor e Morte
- A Grande Mulher

Gênero:
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Comentários 1
amigos querem ver
vini_corr3a
Vinicius.
2 semanas atrás

Batatíssimo

rwbgold
RAFAEL WILLIAM
1 ano atrás

Série muito boa. Gostei de vários episódios. E as atuações são excelentes. Felizmente vimos o fim da era de ouro dos atores de VERDADE. Pq hj em dia se passar uma peneira......

ststoyanst
filmes.st.g
4 anos atrás

Além da obra do Nelson que todo mundo já falou eu acrescentaria também a ótima geração de atores e atrizes jovens nos anos 90, que participam... Aquela geração da Fernanda Torres, Marcos palmeira, Andréa Beltrão e etc

editado
lelorpw
Leonardo Santos
½
6 anos atrás

No box os melhores episódios são o do primeiro disco o segundo achei meio fraco

jordisonfrancisco
Jordison
6 anos atrás

A vida como ela é...

Organizada em 1961 pelo próprio autor, a coletânea A vida como ela é... reúne cem textos publicados na coluna homônima que Nelson Rodrigues (1912-1980) mantinha, desde 1951, no jornal Última Hora. Chamadas de crônicas, as narrativas não têm como matéria-prima direta as notícias, embora os enredos se assemelhem ao noticiário policial. Tais características lhes conferem certa ambiguidade de gênero, podendo ser analisadas como contos.

Com linguagem simples e direta, própria dos textos jornalísticos, as narrativas abordam o amor, o casamento, o adultério, o crime e a morte. A ambientação é realista, quase sempre localizada no Rio de Janeiro. Os eventos descritos, transformam o extraordinário em corrente, propondo um quadro de costumes que critica a realidade ao observá-la no que tem de grotesco.

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

Em “Agonia”, o marido, que havia prometido à mulher não enterrá-la, é encontrado pelos vizinhos “moribundo e variando”, ao lado do corpo da companheira, já em decomposição. Em “Inferno”, a viúva que deseja proteger o filho do novo romance depara-se com a situação inversa: à custa do suicídio do menino, a relação se concretiza, unindo na culpa os amantes. De modo exemplar, nesses dois casos, a narrativa se desenvolve esgotando o recurso inicial: a fascinação da mulher pela morte, no primeiro caso, e a tentativa de proteção, no segundo.

O aproveitamento máximo de cada elemento é característico do autor.

Esse traço se faz notar nos enredos e nos recursos expressivos.

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

Em “O pediatra”, que mostra Menezes lutando para conquistar a amante, o campo semântico descreve o momento de sucesso como a vitória em uma batalha: “Finalmente, após quarenta e cinco dias de telefonemas desvairados, eis que a moça capitula. Toda a firma exulta. E o Menezes, passando o lenço no suor da testa, admitia: ‘Custou, puxa vida! [...]’”.

Nessa crônica, o encaminhamento também é exemplar, pois confirma as expectativas do protagonista de modo surpreendente. Menezes se encanta pela moça porque, tendo jamais traído o marido, ela lhe parece “de uma fidelidade mórbida”.
O efeito cômico aumenta na medida em que se revela o receio da moça em ceder à traição, o que intensifica o afeto do amante. A consumação da infidelidade é também a confirmação da lealdade: ao comparecer ao encontro, a mulher se diz agenciada pelo marido – “Dois mil cruzeiros. É quanto cobra o meu marido. Meu marido é quem trata dos preços”, ela afirma. Assim, depois de variadas inversões de sentido na expectativa inicial, o que se confirma é a ideia inicial da “fidelidade mórbida”.

Algo semelhante se dá em “O escravo etíope”, em que o desejo da protagonista – “Quero um casamento de arromba!” – se cumpre de forma inesperada: em vez da pompa prometida pela união com o noivo, o escândalo do casamento secreto com o amante, um “negro gigantesco”, motorista de ônibus.

Obedecendo a esse tipo de peripécia, as soluções para os contos parecem pouco realistas, por vezes artificiais.

Os exemplos ilustram a razão pela qual Nelson Rodrigues foi acusado de atacar as famílias brasileiras: fixando seu universo ficcional na burguesia, denunciava-lhe os preconceitos, o conservadorismo e os tabus. Os temas são semelhantes aos de suas peças, embora os procedimentos literários difiram. Considerado um dramaturgo revolucionário, o autor manejou a narrativa curta de modo tradicional, simplificando os recursos expressivos. O jogo de inversões resulta em textos de estrutura binária, sem nuanças na caracterização e nas reações das personagens.

Comentário contando partes do filme. Mostrar.

Em “Mausoléu”, por exemplo, um viúvo manipulado pelo sócio passa da veneração pela esposa morta e pura ao ódio contra o seu caráter sujo, porque traidor.

Representando a faceta mais popular de Nelson Rodrigues, A vida como ela é... inclui textos famosos, como “A dama do lotação”, que tem adaptações variadas para o cinema e o teatro, e origina os personagens das peças A Falecida (1953), Boca de Ouro (1959) e Beijo no Asfalto (1960).

A redação da coluna inicia-se num momento em que o autor está distanciado do público, e representa, em sua trajetória, a ligação entre o sucesso de Vestido de Noiva, encenada em 1943, e o das tragédias cariocas, levadas ao palco na década de 1960.

O estilo das crônicas se faz sentir sobretudo nos diálogos, que servem à caracterização das personagens, à representação de seus ânimos, e aprofundam a ambientação. As expressões “Tira o cavalo da chuva”, “Que diabo!”, “Isola!”, “Cruz-credo” reproduzem a oralidade da época.
Além disso, a relação com o Rio de Janeiro é um dos motivos para a popularidade das narrativas. Conforme escreve Ruy Castro (1948), biógrafo de Nelson Rodrigues, as crônicas retratam “um fascinante elenco de jovens desempregados, comerciários e ‘barnabés’, tendo como cenário a Zona Norte, onde eles viviam, o Centro, onde trabalhavam; e, esporadicamente, a Zona Sul, aonde só iam para prevaricar”.

Ainda que veja com reservas A vida como ela é..., a crítica reconhece a força com que representou os conflitos no interior da família de classe média, e a abertura para a literatura brasileira, com a linguagem direta e o evento chocante. Como resume os críticos literários Berta Waldman e Carlos Vogt (1943), se a ação violenta, sobretudo das peças para teatro, se faz sentir na dramaturgia de Plínio Marcos (1935-1999), na narrativa de Dalton Trevisan (1925) se nota o “estilo enxuto” e o “gosto cafajeste” da narração de Nelson Rodrigues.

Fontes para pesquisa:

CASTRO, Ruy. O anjo pornográfico: a vida de Nelson Rodrigues. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

MANFRINI, Bianca Ribeiro. Tragédia familiar: a formação do indivíduo burguês em obras literárias brasileiras do século XX. 2012. Tese (Doutorado em Teoria Literária e Literatura Comparada) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012.

MARTINS, Maria Helena Pires. Nelson Rodrigues. São Paulo: Abril Educação, 1981. (Coleção Literatura Comentada).

VOGT, Carlos; WALDMAN, Berta. Nelson Rodrigues: flor de obsessão. São Paulo: Brasiliense, 1985.

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