Cansada das traições do marido, Cissie Colpitts (Joan Plowright) afoga-o. Suas filhas (Juliet Stevenson e Joely Richardson), também insatisfeitas em seus casamentos, seguem o "exemplo" da mãe e assassinam seus maridos da mesma maneira. O legista local, que nutre uma paixão pelas mulheres da família Colpitts, impede que os crimes sejam descobertos.
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Muito difícil justificar, apenas gostei (talvez pelo final, pra lá de inteligente). Nota 7,0.
Daqueles filmes em que me perco e não me acho depois. Terminei triste, sem saber bem por quê, desconfortável. A relação dos personagens com seus corpos fizeram eu me sentir estranha, em muitos momentos senti uma repugnância que não sei explicar, que diz mais sobre mim que sobre o filme. Olhavam para o corpo, seu e do outro, assim como olhavam para a vida, tão radicalmente estranhos, como se fosse tudo um jogo, com consequências, mas aquelas consequências que se esperam de um jogo e não da vida. Matar e morrer eram conceitos leves, sem peso, como perder a vida nos muitos jogos que jogam ao longo do filme.
Nada possui um significado para além do próprio ato, as regras são gratuitas, mas são sempre respeitadas. Não as regras da sociedade, ou da vida (?), mas de um jogo interno e específico, de cuja regra só podemos captar relances. O sentido de tudo parece relegado ao acaso e à brincadeira, e não há uma motivação orgânica para agir, tudo parece seguir essa regra escondida, talvez só clara na cumplicidade silenciosa das 3 mulheres. Só elas vivem, não por um motivo a mais do que o fato de que é esse o jogo que jogam.
Há aquela estrutura rígida dos contos de fadas, que talvez também tenham um mesmo princípio lúdico, e de certa forma cruel no modo como precisa seguir aquele molde, passando por cima das individualidades dos personagens. Não há uma individualidade nesse filme, não importa no fundo a subjetividade e as escolhas de cada personagem, o que importa é essa precisão matemática que é maior do que eles. Os números estão por tudo, contam a história em sua contagem obsessiva. A racionalidade e objetividade que vemos em um número, em uma contagem, se deixam perverter nessa aleatoriedade com que aparecem, nessa regra oculta para que apareçam – e talvez não sejam pervertidos, mas seja isso que eles são no fundo, o caos em sua suposta ordem, a arbitrariedade levada ao extremo.
No início, a menina pula cordas contando as estrelas, até cem. Por que até cem se são muito mais estrelas? Porque é o suficiente, ela diz. Assim como cem números são o suficiente para guiar essa história. E talvez o desconforto esteja na mistura entre o caos dos corpos e dos cenários e das ações (o afogamento) – ordenados por um jogo interno – e a ordem dos números – revelada em seu caos pela sua arbitrariedade, pela obsessão que os circunda. Tudo isso em imagens que o tempo todo remetem a pinturas (me lembram o barroco, Caravaggio, há algo meio italiano nesse filme?), exuberantes em sua decadência.
achado dos cults, apenas vá.
Greenaway em outro filme simbólico.O título nos remete a cada momento único na trama e com vários significados.O diretor em sua melhor fase realiza um dos grandes de sua carreira.Humor negro com um final cheio de alívio.
>Assistido em 17 de Agosto de 2022
Uma obra de arte em cada um dos fotogramas, este filme, que havia visto não sei nem mais há quanto tempo no cine Bijou, não envelheceu. O elenco é fantástico, o roteiro, a utilização dos jogos e dos números, a música, a fotografia magnífica, tudo em perfeita harmonia. Algumas cenas são de uma composição e beleza de perder o fôlego, Que saudade do tempo em que Greenaway estava em sua melhor forma.