Uma impulsiva biografia do artista de vanguarda Wladyslaw Strzeminski, que lutou contra a ortodoxia stalinista e suas próprias deficiências físicas para avançar suas ideias progressistas sobre a arte.
Foi uma boa despedida do Wajda, principalmente depois do fraco "Walesa". As posições neoliberalecas do Wajda não são novidade para ninguém, acho. Aqui ele centra todas as suas forças em criticar o stalinismo e é bem sucedido a partir da biografia de Strzeminski, um artista de esquerda, que apoiou inicialmente a URSS, mas que tão logo se decepcionou com a ditadura criada pelo regime leninista-stalinista, como inclusive o Malevich, citado no filme e com quem ele trabalhou (e mais reconhecido fora do Leste Europeu). Aqui, Wadja não precisou ser tão maniqueísta quanto foi em Walesa e Katyn, o que é um baita ponto positivo, destacando este filme como talvez o melhor do fim da sua carreira. Destaque também para as ótimas atuações. Apenas acho que poderia aparecer um pouco da vida do Strzeminski antes da Polônia socialista, enquanto artista mesmo... E não apenas enquanto sofredor depressivo e perseguido pelo Partido Comunista rs
Biografia correta, verdade um tanto pragmática e esquemática todavia é competente o trabalho de Wajda ao apresentar o indivíduo esmagado pelo sistema político e coitada da arte não? É , foi e sempre será perseguida pela direita e pela esquerda, a perseguição só depende de quem detém o poder.
- governo autoritário arrombado do carai - limitando a arte à sua própria agenda política - muito triste o que fizeram com o wlad, foram limando eles de todos os lados até não sobrar nada - tadinha da filha e ela bem que avisou
Último trabalho do premiado cineasta polonês Andrzej Wajda (1926-2016), que morreu um mês depois da premiére do filme, no Festival de Toronto. Ao lado de Roman Polanski, Krzysztof Kieślowski, Wojciech Has e Agnieszka Holland, Wajda foi um dos grandes nomes do cinema da Polônia e atuou frente às mudanças culturais de seu país nos anos 50 – ele integrou o movimento do Novo Cinema Polonês, realizando obras-primas como a ‘Trilogia da Guerra’, que criticava o domínio nazista na Polônia (com os filmes "Geração", de 1954; "Kanal", de 1957; e "Cinzas e Diamantes", de 1958), as fitas de arte políticas e críticas ao sistema comunista “O homem de mármore” (1977) e “O homem de ferro” (1981), o biográfico “Danton: O processo da revolução” (1983), os indicados ao Oscar de filme estrangeiro “Terra prometida” (1975) e “Katyn” (2007) e muitos outros. Wajda acumulou na carreira os principais prêmios do cinema mundial, como Bafta, Palma de Ouro em Cannes, César e prêmios em Berlim e Veneza, e em 2000 ganhou um Oscar honorário pela contribuição à Sétima Arte. Em “Afterimage” (2016) ele narra parte da biografia do artista plástico polonês Władysław Strzemiński (1893-1952), com foco nos últimos dez anos de sua vida, quando enfrentou a ditadura stalinista que assolou a Polônia, jogando o país numa profunda crise (em uma cena emblemática, o pintor rasga a bandeira de Stalin – vale lembrar que Wajda foi um crítico ao sistema comunista da Polônia e participou de movimentos em defesa do fim do regime soviético no país). Strzemiński revolucionou o campo das artes nos anos 20 e 30, foi professor da Escola de Artes de Łódź e ganhou notoriedade, mesmo com problemas sérios de saúde (ele não tinha uma perna e um braço e usava muletas para andar). Seu ateliê juntava alunos do mundo inteiro para conhecer sua arte neoplástica controversa, que rompia com os padrões estéticos da época. Foi duramente perseguido, proibido de pintar (em dado momento, não conseguia nem mais comprar tintas, pois os vendedores se recusavam a vender para ele). Presenciou a famosa Sala Neoplástica de Łódź ser desmanchada, mas não abaixou a cabeça: dentro de casa, escondido, continuava a pintar. Ele foi um homem à frente de seu tempo, que deixou profundas marcas na arte contemporânea polonesa (e pouco lembrado pelas pessoas hoje). Com uma fotografia precisa da Polônia stalinista e um bom trabalho do ator principal, o veterano Boguslaw Linda, o drama nos apresenta um artista praticamente desconhecido no Brasil, e ao conhecer sua trajetória, vemos como ela foi difícil, marcada por perseguições, ruínas e abandono. Wajda aproveita para lançar uma crítica ao autoritarismo, e em seus comentários percebemos como a arte incomoda e ao mesmo tempo como ela é fundamental para a sociedade, ainda mais em tempos de caos social. E viva Wajda, que fez uma belíssima obra e viveu até os últimos minutos respirando cinema! PS: ‘Afterimage’ é uma ilusão de ótica, uma imagem que persiste na retina após o estímulo visual – e é uma simbologia à arte única de Strzemiński, que fica em nossa memória para sempre. POR FELIPE BRIDA - BLOG CINEMA NA WEB
Ao recusar-se a adequar as suas obras ao ideal Comunista, o artista e ex- revolucionário foi impedido de lecionar na Escola de Belas Artes de Lodz. O Partido tinha um objetivo claro: cooptar artistas e intelectuais. Wladyslaw não aceitou e, por isso, morreu no ostracismo. Algumas de suas obras foram destruídas pelo conselho de artistas que era supervisionado pelo Partido dos Trabalhadores Unidos Poloneses, outras foram escondidas por amigos. Ele faleceu em 26 de Dezembro de 1952, em Lódz, na Polônia. Em Dezembro de 1948. Enquanto pintava, ele ouvia este discurso: Após o fim do Congresso do Partido dos Trabalhadores Unidos Poloneses, todos deveriam acatar as resoluções que foram aprovadas. Vamos mobilizar as massas e lutarmos para a implementação imediata delas. Aproximar a Polônia do Socialismo e o dever dos membros do partido. Camaradas, não resta duvida de que, para alcançar os objetivos determinados neste Congresso, teremos que unir as grandes massas do povo. Vida longa à Polônia! Ao findar o discurso, uma enorme bandeira com a foto de Stálin foi estendida no prédio onde Strzeminsk estava pintando causando-lhe indignação, pois cobriu as vidraças. Revoltado rasgou a bandeira e, por isso foi preso. Nascido no dia 21 de Novembro de 1893, em Minsk, na Bielorrússia, ele se declarava Polonês e, não Soviético. Wladyslaw Strzeminsk trabalhava na Escola de Artes de Loutz, onde era professor de Belas Artes. Posteriormente, foi levado ao Departamento de Segurança, . Na Rússia czarista, mandariam o senhor para a Sibéria. Mas não podemos fazer isso. Infelizmente, temos que educar o povo. Wladyslaw: Não sou contra vocês. Apenas tenho uma visão diferente da arte. Em uma sala, leram o texto que ele havia escrito provavelmente no Outono de 1934. "O limite entre a política e a Arte desapareceu agora que a crueldade se tomou monopólio do mesmo grupo facínora. Vamos liquidar todos eles sem piedade, não só porque estão controlando as Artes e a imprensa, mas principalmente porque aniquilam a equidade com suas ações. Porque, além de destruírem as artes, estão destruindo o homem. E por isso que pintores, poetas e escritores não são mais apenas artistas. Quer queiram, quer não, eles se transformaram em soldados políticos de uma frente comum". O texto não é sobre vocês e sobre o Senado. Por que o senhor não para de nos sabotar? Afinal, o sr. participou ativamente da Revolução. Em Moscou, depois da Resolução, ele fez várias exposições. Depois de retornar à Polônia, com Henrik Stawzeski, o famoso poeta Julian Przibos e outros, formou o grupo a.r. , que significa 'Artistas Revolucionários.' Em 1920 ele casou-se com Katarzyna Kobro, mãe de sua filha, Nika Strzemińska. Em 1922, mudou-se para Wilno e, no ano seguinte, apoiou Vytautas Kairiūkštis na criação da primeira exposição de arte de vanguarda no que hoje é o território da Lituânia.
Foi uma boa despedida do Wajda, principalmente depois do fraco "Walesa".
As posições neoliberalecas do Wajda não são novidade para ninguém, acho. Aqui ele centra todas as suas forças em criticar o stalinismo e é bem sucedido a partir da biografia de Strzeminski, um artista de esquerda, que apoiou inicialmente a URSS, mas que tão logo se decepcionou com a ditadura criada pelo regime leninista-stalinista, como inclusive o Malevich, citado no filme e com quem ele trabalhou (e mais reconhecido fora do Leste Europeu).
Aqui, Wadja não precisou ser tão maniqueísta quanto foi em Walesa e Katyn, o que é um baita ponto positivo, destacando este filme como talvez o melhor do fim da sua carreira.
Destaque também para as ótimas atuações.
Apenas acho que poderia aparecer um pouco da vida do Strzeminski antes da Polônia socialista, enquanto artista mesmo... E não apenas enquanto sofredor depressivo e perseguido pelo Partido Comunista rs
Biografia correta, verdade um tanto pragmática e esquemática todavia é competente o trabalho de Wajda ao apresentar o indivíduo esmagado pelo sistema político e coitada da arte não? É , foi e sempre será perseguida pela direita e pela esquerda, a perseguição só depende de quem detém o poder.
- governo autoritário arrombado do carai
- limitando a arte à sua própria agenda política
- muito triste o que fizeram com o wlad, foram limando eles de todos os lados até não sobrar nada
- tadinha da filha e ela bem que avisou
Último trabalho do premiado cineasta polonês Andrzej Wajda (1926-2016), que morreu um mês depois da premiére do filme, no Festival de Toronto. Ao lado de Roman Polanski, Krzysztof Kieślowski, Wojciech Has e Agnieszka Holland, Wajda foi um dos grandes nomes do cinema da Polônia e atuou frente às mudanças culturais de seu país nos anos 50 – ele integrou o movimento do Novo Cinema Polonês, realizando obras-primas como a ‘Trilogia da Guerra’, que criticava o domínio nazista na Polônia (com os filmes "Geração", de 1954; "Kanal", de 1957; e "Cinzas e Diamantes", de 1958), as fitas de arte políticas e críticas ao sistema comunista “O homem de mármore” (1977) e “O homem de ferro” (1981), o biográfico “Danton: O processo da revolução” (1983), os indicados ao Oscar de filme estrangeiro “Terra prometida” (1975) e “Katyn” (2007) e muitos outros. Wajda acumulou na carreira os principais prêmios do cinema mundial, como Bafta, Palma de Ouro em Cannes, César e prêmios em Berlim e Veneza, e em 2000 ganhou um Oscar honorário pela contribuição à Sétima Arte.
Em “Afterimage” (2016) ele narra parte da biografia do artista plástico polonês Władysław Strzemiński (1893-1952), com foco nos últimos dez anos de sua vida, quando enfrentou a ditadura stalinista que assolou a Polônia, jogando o país numa profunda crise (em uma cena emblemática, o pintor rasga a bandeira de Stalin – vale lembrar que Wajda foi um crítico ao sistema comunista da Polônia e participou de movimentos em defesa do fim do regime soviético no país). Strzemiński revolucionou o campo das artes nos anos 20 e 30, foi professor da Escola de Artes de Łódź e ganhou notoriedade, mesmo com problemas sérios de saúde (ele não tinha uma perna e um braço e usava muletas para andar). Seu ateliê juntava alunos do mundo inteiro para conhecer sua arte neoplástica controversa, que rompia com os padrões estéticos da época. Foi duramente perseguido, proibido de pintar (em dado momento, não conseguia nem mais comprar tintas, pois os vendedores se recusavam a vender para ele). Presenciou a famosa Sala Neoplástica de Łódź ser desmanchada, mas não abaixou a cabeça: dentro de casa, escondido, continuava a pintar. Ele foi um homem à frente de seu tempo, que deixou profundas marcas na arte contemporânea polonesa (e pouco lembrado pelas pessoas hoje).
Com uma fotografia precisa da Polônia stalinista e um bom trabalho do ator principal, o veterano Boguslaw Linda, o drama nos apresenta um artista praticamente desconhecido no Brasil, e ao conhecer sua trajetória, vemos como ela foi difícil, marcada por perseguições, ruínas e abandono. Wajda aproveita para lançar uma crítica ao autoritarismo, e em seus comentários percebemos como a arte incomoda e ao mesmo tempo como ela é fundamental para a sociedade, ainda mais em tempos de caos social. E viva Wajda, que fez uma belíssima obra e viveu até os últimos minutos respirando cinema! PS: ‘Afterimage’ é uma ilusão de ótica, uma imagem que persiste na retina após o estímulo visual – e é uma simbologia à arte única de Strzemiński, que fica em nossa memória para sempre.
POR FELIPE BRIDA - BLOG CINEMA NA WEB
Ao recusar-se a adequar as suas obras ao ideal Comunista, o artista e ex- revolucionário foi impedido de lecionar na Escola de Belas Artes de Lodz.
O Partido tinha um objetivo claro: cooptar artistas e intelectuais. Wladyslaw não aceitou e, por isso, morreu no ostracismo. Algumas de suas obras foram destruídas pelo conselho de artistas que era supervisionado pelo Partido dos Trabalhadores Unidos Poloneses, outras foram escondidas por amigos. Ele faleceu em 26 de Dezembro de 1952, em Lódz, na Polônia.
Em Dezembro de 1948.
Enquanto pintava, ele ouvia este discurso:
Após o fim do Congresso do Partido dos Trabalhadores Unidos Poloneses, todos deveriam acatar as resoluções que foram aprovadas. Vamos mobilizar as massas e lutarmos para a implementação imediata delas. Aproximar a Polônia do Socialismo e o dever dos membros do partido. Camaradas, não resta duvida de que, para alcançar os objetivos determinados neste Congresso, teremos que unir as grandes massas do povo. Vida longa à Polônia!
Ao findar o discurso, uma enorme bandeira com a foto de Stálin foi estendida no prédio onde Strzeminsk estava pintando causando-lhe indignação, pois cobriu as vidraças. Revoltado rasgou a bandeira e, por isso foi preso. Nascido no dia 21 de Novembro de 1893, em Minsk, na Bielorrússia, ele se declarava Polonês e, não Soviético. Wladyslaw Strzeminsk trabalhava na Escola de Artes de Loutz, onde era professor de Belas Artes. Posteriormente, foi levado ao Departamento de Segurança, .
Na Rússia czarista, mandariam o senhor para a Sibéria. Mas não podemos fazer isso. Infelizmente, temos que educar o povo.
Wladyslaw: Não sou contra vocês. Apenas tenho uma visão diferente da arte.
Em uma sala, leram o texto que ele havia escrito provavelmente no Outono de 1934.
"O limite entre a política e a Arte desapareceu agora que a crueldade se tomou monopólio do mesmo grupo facínora. Vamos liquidar todos eles sem piedade, não só porque estão controlando as Artes e a imprensa, mas principalmente porque aniquilam a equidade com suas ações. Porque, além de destruírem as artes, estão destruindo o homem. E por isso que pintores, poetas e escritores não são mais apenas artistas. Quer queiram, quer não, eles se transformaram em soldados políticos de uma frente comum".
O texto não é sobre vocês e sobre o Senado.
Por que o senhor não para de nos sabotar? Afinal, o sr. participou ativamente da Revolução.
Em Moscou, depois da Resolução, ele fez várias exposições. Depois de retornar à Polônia, com Henrik Stawzeski, o famoso poeta Julian Przibos e outros, formou o grupo a.r. , que significa 'Artistas Revolucionários.'
Em 1920 ele casou-se com Katarzyna Kobro, mãe de sua filha, Nika Strzemińska.
Em 1922, mudou-se para Wilno e, no ano seguinte, apoiou Vytautas Kairiūkštis na criação da primeira exposição de arte de vanguarda no que hoje é o território da Lituânia.