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Duração
Um homem e uma mulher, irmão e irmã, rememoram os momentos de seu amor incestuoso, antes de se separarem definitivamente. “Tudo é tão confuso”, diz ela, “sim, acho que vou embora devido à força desse amor tão terrível que temos um pelo outro”. No diálogo, vemos construir-se o filme de um passado irrecuperável, que se faz presente pela palavra.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Amores proibidos me soam como uma temática limitada para pontos de partida.
Por exemplo: de onde pode-se começar?
Uma distância financeira? Pessoas de castas diferentes? Pessoas comprometidas? Pessoas que amam alguém do mesmo gênero?
Há histórias excelentes que usam todos esses inícios, claro. Mas de onde podemos partir com uma (quase) garantia de que aquela proibição será compreendida por todos que assistem?
Bem, um amor entre irmãos, claro. Essa escolha me parece simplesmente uma maneira de mostrar um amor proibido que fará quem assiste lembrar de alguma história que conhece, ao mesmo tempo em que com certeza essa história real não é igual à que é passada, devido ao tema aqui ser um dos maiores tabus existentes.
Dito isso, quando analisamos o filme apenas como uma história de um amor proibido em que as pessoas tentam fugir e não conseguem, há praticamente todos os elementos aí. Impossível não se identificar.
A começar pela forma, que é quase um diálogo reflexivo consigo mesmo dos personagens. Tentando se lembrar de como cada coisa aconteceu. De como esse amor começou, onde começou, se é que houve um tempo e um lugar onde isso teve início.
A descoberta de si a partir do olhar de outra pessoa que parecia diferente das outras, mas que te via da mesma forma que estas outras, apesar do sentimento enquanto observado ser totalmente diferente.
Não entender se os outros sabem sobre esse amor proibido e tentar escondê-lo, apesar de muitas vezes morrer de vontade de expor.
A fuga. Fugir constantemente de algo que está dentro de você, na esperança da outra pessoa nunca te abandonar mesmo assim, apenas alimentando mais ainda essa eterna fuga.
Para quem gostou, sugiro Ascent, de Fiona Tan. Possui um formato muito parecido em relação a serem reflexões dentro de diálogos sobre imagens.
Sinto que preciso te deixar tanto quanto sinto que preciso te ver.
Fazia tempo que queria ver um filme da Marguerite, escolhi esse. Creio que há a necessidade de uma preparação quanto a narrativa, havia assistido alguns filmes que lembram esse 'fazer audiovisual', pensando dessa forma "o que te pega é o que te convém".
Diálogos belíssimos que me deixam de boca aberta ao pensar em sua construção.
Fiquei absolutamente deslumbrado perante as revelações extremamente sexuais deste filme... Aos poucos, para quem já acostumou-se ao modo como a diretora revela as emoções e imagens correspondentes de seus personagens/instâncias narrativas, píncaros de genialidade e beleza instalam-se perenemente nas mentes e corações de espectadores apaixonados. A própria voz da autora nos conduz por um universo de revelações truncadas porque socialmente interditadas, familiarmente proibidas. Fortíssimo em apresentação de eventos, mas levíssimo em abordagem de sutilezas imagéticas aquáticas e especulares. Soberbo! (WPC>)
doce