Phillip Raven (Alan Ladd) é um assassino profissional que mata um chantagista, mas acaba sendo pago pelo "serviço" com dinheiro marcado. Além disto, Willard Gates (Laird Cregar), o homem que o traiu, pede para polícia caçá-lo, pois é um criminoso que deve ser eliminado. Visto isso, Raven pega um trem e vai para Los Angeles para acertar as contas com o seu desafeto. Lá acaba conhecendo Ellen Graham (Veronica Lake), uma bela mulher que está noiva do tenente encarregado da sua captura. Juntos eles vão se deparar com uma trama fantástica, que envolve a venda de uma arma de guerra aos japoneses.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Primeiro filme que assisto com a dupla Allan Lado e Verônica Lake, de modo que, segundo disseram a interação dos dois ocorre de modo frio, sem tanta conexão, muito por causa do roteiro confuso por demais que abusa de subtramas que não empolga tanto. Entretanto, a presença luminosa da Verônica Lake (aqui fazendo ate número de mágicas) faz valer a sessão. Allan Ladd por outro lado, está frio e quieto como assassino. O desfecho bem que poderia ser melhor não apelando a uma dramaticidade que não funcionou! Por hora, satisfeito por ter visto o filme desta dupla.
Quando assisti This Gun for Hire, de 1942, eu já sabia que era considerado um marco dentro do noir, mas vou ser sincero: apesar de ser um filme muito bom, bem dirigido e cheio de pontos fortes, não é tudo isso que eu esperava. Ainda assim, vale muito pelos personagens, pelas atuações e por algumas figuras que, para mim, elevam qualquer cena em que aparecem.
A história acompanha Raven, interpretado por Alan Ladd, um assassino frio, direto, alguém que não é mocinho e nem um injustiçado. Muito pelo contrário: ele faz muita coisa errada, vive de escolhas moralmente questionáveis e carrega uma raiva interna que molda sua personalidade.
Só que, ao mesmo tempo, o filme mostra que ele também foi traído — e justamente pelo personagem de Laird Cregar, que aqui interpreta um intermediário corporativo envolvido em espionagem industrial, alguém que atua como elo entre os chefões que realmente mandam e os criminosos contratados.
Essa traição coloca a engrenagem da história pra rodar e deixa claro que não tinha como isso terminar com um final feliz.
Alan Ladd está ótimo no papel de Raven, com aquele jeito contido, quase impenetrável, e fico pensando como ele era um bom ator dentro desse perfil de anti-herói duro. Assim como Laird Cregar, ele também morreu jovem, o que sempre me causa uma certa melancolia, porque claramente era alguém com muito mais pra entregar. Já Cregar, especificamente, era um ator formidável, imponente, dono de uma presença absurda, que dava peso real ao personagem. É triste saber que também morreu muito cedo, e por motivos trágicos ligados à pressão estética de Hollywood — algo que só reforça como sua carreira poderia ter sido ainda maior.
No meio dessa trama pesada entra Veronica Lake, que interpreta Ellen, a cantora que cruza o caminho de Raven por uma série de coincidências que o filme usa como motor narrativo.
Praticamente todo mundo ali se entrelaça por encontros improváveis: o assassino contratado, a artista que é namorada de um agente federal que está investigando os mesmos caras que traíram Raven, e os envolvidos no esquema que trabalham para interesses muito maiores.
Falar da Veronica Lake sem citar, além de seu talento, a sua beleza absurda — e com certeza ela era uma das mais bonitas de Hollywood. Cada cena dela de cabelo solto é um deleite para os olhos, aquele tipo de presença que hipnotiza naturalmente. E aqui ela divide a tela com Alan Ladd, numa parceria que viria a se repetir muitas vezes no futuro, uma dupla que marcaria época e que funciona muito bem justamente pela química silenciosa que os dois conseguem passar.
O enredo em si funciona muito bem dentro do estilo noir: a motivação de Raven é simples, direta — ele quer vingança depois de ter sido passado para trás —, enquanto Ellen é arrastada para a trama por força das circunstâncias e tenta, de alguma forma, equilibrar a moralidade da história. A investigação paralela conduzida pelo governo, os esquemas de espionagem, figuras respeitáveis envolvidas em negócios sujos, tudo isso serve para mostrar aquele mundo onde os personagens se cruzam por coincidências que, no fim, parecem inevitáveis.
No geral, This Gun for Hire é um filme bom que vale a pena pelos atores envolvidos, em especial pela trinca já citada — Alan Ladd, Veronica Lake e Laird Cregar — que realmente carregam a produção.
E com personagens tão marcados por erros, traições e destinos selados, realmente não tinha como isso acabar de outra forma.
Assistido em 19/11/2025
Noir de qualidade.
Excelente policial noir, com destaque para a incrível performance do estreante Alan Ladd!
Grande exemplar do cinema noir que traz uma trama bem conduzida e carregada de tensão que só exagera um pouco nas coincidências. Alan Ladd, que mesmo não sendo o primeiro nome nos créditos é o protagonista do filme, se tornou astro depois dele onde brilha ao lado de Veronica Lake que acabaria se tornando uma das maiores musas dos filmes noir e repetiria em outras produções a sua parceria com Ladd.