Em seu segundo longa metragem, Katharine Hepburn já demonstra seu imenso talento construindo uma personagem forte mas que também tem sensibilidade. O roteiro desenvolve bem e sem pressa a paixão entre Cynthia e Christopher. Infelizmente o final é insuportavelmente moralista.
Emendei dois filmes da diretora, em seguida, e gostei muito da subversão que ocorre aqui, ao fazer com que o personagem-título seja coadjuvante em seu próprio enredo: depois que a aviadora vivida por Katharine Hepburn, só temos olhos, ouvidos e coração para ela, ainda que os demais intérpretes também o mereçam. Há algo de internamente problemático (e questionado) na maneira como o casal Strong se auto-define como "bom", do mesmo modo que o roteiro é corajoso ao caracterizar Monica daquele jeito, antecipando IRENE, A TEIMOSA. a trilha musical de Max Steiner é muito boa e podemos perceber recorrências no estilo da realizadora (a importância concedida a uma pulseira entregue a uma amante, as passagens de tempo que não impedem que o amor cresça...). Grata surpresa, extraordinária descoberta: fiquei apaixonado - e que desfecho triste e realista. Ainda hoje é assim: quem deixa marcas passa por aquilo. Ótimo! (WPC>)
Meu filme favorito dirigido por Dorothy Arzner e revê-lo só fez com que eu me apaixonasse mais. O filme traz uma personagem que me identifico muito interpretada com muita segurança e naturalidade por Katharine Hepburn, em seu primeiro papel principal. No filme, ela interpreta Cynthia, uma mulher totalmente independente e solitária que jamais se apaixonou por um homem. Em seu caminho aparece Christopher Strong, um homem casado, antiquado e totalmente o oposto de sua personalidade. Ao se envolver com Cynthia, Christopher Strong revela toda sua hipocrisia como homem, já que dentro de sua própria casa, ele é testemunha do relacionamento de sua filha com um homem casado. Ele também tenta de certa forma impedir que Cynthia continue sua carreira como aviadora e ela abdica disso, porém ela mesma percebe que não vive mais sua própria vida e que precisa tomar uma decisão a respeito disso, já que ama aquele homem tão complicado, mas também ama sua liberdade. Eu acho esse filme ousado e diferenciado de todos os filmes Pre-Code que já vi, primeiro por trazer uma mulher tão independente e moderna como protagonista, segundo por trazer duas mulheres tendo relacionamento com homens casados e cada uma ter uma condução diferente, terceiro por abordar a rivalidade feminina de uma maneira diferente do que era mostrada até então e por fim, o final que eu acho espetacular, muitos podem achar antiquado, mas há uma transgressão ali, uma grande ousadia que se esse filme tivesse sido feito anos depois jamais permitiriam aquele final. O título original do filme faz alusão ao personagem masculino, porém o filme é todo das mulheres.
Em seu segundo longa metragem, Katharine Hepburn já demonstra seu imenso talento construindo uma personagem forte mas que também tem sensibilidade. O roteiro desenvolve bem e sem pressa a paixão entre Cynthia e Christopher. Infelizmente o final é insuportavelmente moralista.
Emendei dois filmes da diretora, em seguida, e gostei muito da subversão que ocorre aqui, ao fazer com que o personagem-título seja coadjuvante em seu próprio enredo: depois que a aviadora vivida por Katharine Hepburn, só temos olhos, ouvidos e coração para ela, ainda que os demais intérpretes também o mereçam. Há algo de internamente problemático (e questionado) na maneira como o casal Strong se auto-define como "bom", do mesmo modo que o roteiro é corajoso ao caracterizar Monica daquele jeito, antecipando IRENE, A TEIMOSA. a trilha musical de Max Steiner é muito boa e podemos perceber recorrências no estilo da realizadora (a importância concedida a uma pulseira entregue a uma amante, as passagens de tempo que não impedem que o amor cresça...). Grata surpresa, extraordinária descoberta: fiquei apaixonado - e que desfecho triste e realista. Ainda hoje é assim: quem deixa marcas passa por aquilo. Ótimo! (WPC>)
Meu filme favorito dirigido por Dorothy Arzner e revê-lo só fez com que eu me apaixonasse mais. O filme traz uma personagem que me identifico muito interpretada com muita segurança e naturalidade por Katharine Hepburn, em seu primeiro papel principal. No filme, ela interpreta Cynthia, uma mulher totalmente independente e solitária que jamais se apaixonou por um homem. Em seu caminho aparece Christopher Strong, um homem casado, antiquado e totalmente o oposto de sua personalidade. Ao se envolver com Cynthia, Christopher Strong revela toda sua hipocrisia como homem, já que dentro de sua própria casa, ele é testemunha do relacionamento de sua filha com um homem casado. Ele também tenta de certa forma impedir que Cynthia continue sua carreira como aviadora e ela abdica disso, porém ela mesma percebe que não vive mais sua própria vida e que precisa tomar uma decisão a respeito disso, já que ama aquele homem tão complicado, mas também ama sua liberdade. Eu acho esse filme ousado e diferenciado de todos os filmes Pre-Code que já vi, primeiro por trazer uma mulher tão independente e moderna como protagonista, segundo por trazer duas mulheres tendo relacionamento com homens casados e cada uma ter uma condução diferente, terceiro por abordar a rivalidade feminina de uma maneira diferente do que era mostrada até então e por fim, o final que eu acho espetacular, muitos podem achar antiquado, mas há uma transgressão ali, uma grande ousadia que se esse filme tivesse sido feito anos depois jamais permitiriam aquele final.
O título original do filme faz alusão ao personagem masculino, porém o filme é todo das mulheres.
Pelos comentários já vi que ela não fica com o mocinho. Nem vou perder meu tempo.
Carão tudo da Katherine Hepburn.