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O amor entre Cristina (Aracy Balabanian) e Clóvis Di Lorenzo (Carlos Alberto), maestro atormentado pelas lembranças da esposa morta e pela busca de sua obra-prima, conduz a trama. A história é apresentada em cinco partes, que correspondiam aos movimentos de uma sinfonia: romanza, adagio, allegro, fuga e gran finale.
O maestro Clóvis Di Lorenzo (Carlos Alberto) é o autor de quatro peças que lhe valeram certo respeito da opinião pública e o status de gênio entre seus pares. Ainda assim, ele é um artista frustrado, que considera seu trabalho medíocre e seu sucesso, uma farsa. Convencido de que as frequentes transmissões de seus concertos por emissoras de televisão são compradas com o dinheiro de sua família rica e influente, e se julgando bajulado por todos, ele se torna um homem temperamental e solitário. Sua falta de confiança em si mesmo o impede de concluir sua quinta sinfonia, uma obra que ele considera que estará à altura do seu talento e que vai lhe conferir autoafirmação artística.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Novela classuda e cult, até chocado que tenha tido bastante audiência - mesmo tendo sido um produto de massa de seu tempo, nota-se que o público de antigamente era mais aberto a obras de teor mais refinado e tinha pelo menos algumas referências boas e conhecimento mínimo de mundo. Hoje temos um público cada vez mais boçal, autores medíocres e emissoras que deitam para o status quo, e novelas sobre música clássica e mínimo de cultura erudita são canceladas e ainda consideradas por pseudo-entendidos como "elitistas e fora da realidade" (foi o que aconteceu com O País de Alice, de Lícia Manzo). Dá para unir popular e erudito sim: a cena final dessa novela é a prova disso, quando o maestro toca para uma multidão popular no meio do Recife, que chega a se empilhar até mesmo nos telhados da praça da cidade para acompanhar o concerto. A questão é ter sensibilidade, interesse e disponibilidade para sair da caixa (digo isso não só pensando no público, mas também nas pessoas e instituições responsáveis pela produção e difusão da cultura).
Trilha sonora espetacular. Um elenco estelar com excelentes texto e direção. É difícil julgar uma novela de quase 200 capítulos por apenas 6, mas me pareceu uma novela bem conduzida que não deixava a peteca cair, mesmo sem grandes acontecimentos a todo momento. Acho fascinante como as novelas de antigamente tinham textos bem escritos e bem interpretados que podiam render cenas longas e densas, quase como teatro, saindo um pouco do ritmo trivial corrido da televisão e chegando mais perto do patamar de arte - afinal nós tínhamos artistas, e a vida não era essa correria insana, ansiosa e impaciente de hoje em dia. Neuza Amaral roubou a cena, como de costume. E Carlos Alberto, que homem!