Aos 19 anos, Marie Allen é mandada para a uma penitenciária em Illinois por ter sido cúmplice de um assalto a banco. Apesar dos esforços do chefe da penitenciária, Marie sofre nas mãos da cruel Evelyn e muda seu comportamento para encarar a nova realidade.
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Eleanor Parker está primordial nessa obra que, de maneira muito eficaz, mostra como o sistema prisional perpetua aquilo que ele foi criado para encerrar. Mas a grande cereja do bolo é a acertada direção de John Cromwell que só enriquece ainda mais o filme.
O filme À Margem da Vida (Caged, 1950) é extremamente indigesto, cru e à frente do seu tempo — completamente atemporal. Mostra Marie Allen, uma jovem grávida que entra na prisão por ter estado junto com o marido durante um assalto que terminou em tragédia. Ele morre ao tentar roubar apenas 40 dólares, e ela afirma que só tentou ajudá-lo quando foi atingido. A partir daí, inicia-se todo o processo de transformação que muitos enfrentam ao ingressar no sistema prisional sem ter uma mente forte.
O sistema limita a vida das pessoas de forma brutal, começando pela identidade. Tudo que remete ao mundo exterior — aliança, maquiagem, batom, roupas, brincos — é retirado. Tirando tudo que é seu, que te dá identidade, eles vestem todas da mesma forma. Não é só o direito de ir e vir que se perde: é também o próprio senso de quem se é. A partir daí, colocam pessoas que roubaram 40 dólares para dividir espaço com latrocidas e criminosas de todo tipo.
Você pode até ter fé no começo, acreditar que vai pagar sua pena, se redimir com a sociedade e sair reabilitado. Mas isso tudo vai por água abaixo quando percebe que está num depósito de seres humanos — e que cadeia não regenera ninguém. Muito pelo contrário: na maioria das vezes, você sai pior do que entrou, aprendendo coisas novas, e quase todas ruins.
É exatamente o que acontece com Marie Allen, que tinha de 1 a 15 anos para cumprir, com possibilidade de condicional antes do primeiro ano. Ela, porém, não consegue a liberdade condicional, e o que se vê a seguir é uma transformação abrupta. Essa mudança dela parece até um pouco forçada, pois o filme não mostra claramente a passagem do tempo. A menina que entrou com medo se torna fria, com olhos que não transmitem mais emoção nem sentimento algum.
Entre as pessoas que tornam tudo ainda pior está Evelyn Harper, interpretada magistralmente por Hope Emerson — e não havia ninguém melhor para o papel. Totalmente corrupta, cheia de si, arrogante e abusando de todos os seus poderes e privilégios, ela faz o que quer com todas e dificulta ao máximo a vida de quem não se submete a ela.
Ainda bem que Kitty põe um fim nisso: depois de enlouquecer na solitária, ela crava um garfo no peito de Harper, numa cena intensa e libertadora.
Aliás, não só Kitty, mas todas as detentas que têm seu merecido tempo de tela estão muito bem. O que faz esse filme ser o que é não é apenas a atuação de Eleanor Parker como Marie Allen, mas também as de Olive Deering (June), Jan Sterling (Smoochie), a já citada Hope Emerson (Evelyn Harper), e Agnes Moorehead como a diretora Benton — uma figura compreensiva que tenta ajudar, mas muitas vezes se vê de mãos atadas diante do poder e da influência de Harper.
Penso que ela poderia ter tomado as rédeas da situação e feito muita coisa diferente; foi omissa, mas ainda assim sua presença é marcante.
Também vale citar Lee Patrick, como Elvira, uma chefona do crime que acaba ajudando Marie Allen a sair da prisão. Mas o final é amargo: pela visão da janela de Benton, vemos Marie sendo recepcionada por três homens em um carro, claramente a encaminhando de volta ao mundo do crime. Benton apenas diz para guardarem a ficha dela — “logo logo, ela estará de volta”.
No fim, tudo poderia ter sido diferente — não apenas pelas decisões de Marie Allen antes de estar ali, mas também se o próprio sistema tivesse sido mais justo com ela, que já havia perdido o marido, a família e o filho recém-nascido.
Assistido em 01/11/2025
Bom Dia!
Voltei a ver essa obra dramática.
Resumindo, existem filmes que eles Nos Jogam, para Realidades bem Desumanas desse "mundo Hipócrita"
Essa Obra de 1950 é um filme Notável Dramático, sobre Mulheres presas.
O Elenco é Esplêndido! Hope, Agnes Eleanor, Divinas atrizes que fazem muita falta.
Hope era uma atriz Excelente, Agnes Não sai por baixo, e A Grande Eleanor Parker foi umas das Melhores Atrizes do Cinema, Ela era muito boa, merecia um Oscars.
Nunca Entregaram um Oscar Nem De Honra para ela, sem mais comentários!
Enfim O Filme é bom.
Para quem ainda não viu Assistam, vale a pena.
Curiosamente, “Caged” marcou presença na edição dos Oscars de 1950, com três nomeações (duas delas por atuações - Eleanor Parker e Hope Emerson -, o ponto forte da obra), dividindo os holofotes com “Broken Arrow”, um dos primeiros western a retratar povos indígenas sob um olhar mais humanizado. Aqui, a humanização é a da condição feminina no sistema carcerário. O cinema americano no fim dos anos 40 e, especialmente, no início dos anos 50 mostrava-se promissor ao denunciar a ilusão do sonho americano, a corrupção das instituições e o fracasso das relações humanas.
Meio século depois, a HBO lançou a icônica série “The Wire”, um retrato cru do ciclo vicioso no mundo das drogas; “It’s all in the game”, como dissera Omar. Fácil entrar, difícil sair, e há sempre alguém prestes a te substituir, como acusado, como executor, ou como vítima. Em “Caged” também tudo faz parte do jogo, e o final é tão frio, duro, bruto e pessimista que nos faz pensar se é possível recuperar o indivíduo, se realmente somos capazes de impedir o afundamento do caráter humano? Mais de cinquenta anos passaram-se e essa pergunta continua sem resposta.
Um excelente drama de prisão que não perdeu a força depois de seis décadas! Eleanor Parker, aos 28 anos, convence como uma personagem de 19 que percorre um triste arco dramático. Agnes Moorehead trava uma luta inglória, tentando trazer justiça a um universo corrompido e violento. E Hope Emerson tira de letra o papel de uma diabólica carcereira. O diretor John Cromwell mantém a câmera perto de suas personagens, criando um clima claustrofóbico. Amargo e pessimista, este é um raro filme sem concessões da Hollywood clássica.