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Data de lançamento
3 Dez. 2004Duração
Uma inteligente, romântica e muito perigosa história de amor sobre encontros inesperados, atrações instantâneas e traições casuais. Uma visão sobre quatro estranhos – Julia Roberts, Jude Law, Natalie Portman e Clive Owen – com uma coisa em comum: eles mesmos
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Um filme sobre autossabotagem! Essas pessoas simplesmente são inimigas da estabilidade dentro dos relacionamentos. [Spoilers] Sempre que a coisa tá começando a dar certo, eles começam a cavar a cova do relacionamento até ele morrer. Confessar algo de forma tranquila ou como ato de arrependimento, ok, mas aqui, os personagens fazem isso de forma forçada, é o que falei da autossabotagem, pra quê querer detalhes de algo que vai ferir tão fortemente? Péssimo. Esse tipo de controle é punitivo. A Alice apesar de tudo, é a mais estável ali. Sinto que ela tem muitos problemas psicológicos, feridas do passado, mas mesmo assim tenta se manter forte no meio de tudo o que acontece na dinâmica dos relacionamentos conturbados entre os quatro. Narcisismo, controle, frieza, infidelidade, mentiras, acabam virando coisas comuns na rotina deles. Coisas que eu considero pesadíssimas e que não deveriam passar nem perto das pessoas. Todo mundo se diminuindo e se desdobrando em partes pra caber no mundo do outro, e quando consegue, começa a construir alguma intimidade, simplesmente destrói a relação e sai fora com qualquer desculpa que encontra. A Alice usa nome falso desde o início, mas parando pra pensar em tudo que a personagem já passou, acaba sendo aceitável, pois foi pra se proteger. E sair do jeito que ela saiu, sem inventar desculpas quaisquer, mandando a real na cara do outro, requer muita coragem. É a minha atuação favorita no filme, há uma entrega genuína por parte da Natalie em todas as cenas, são marcantes. Gosto de como estão montadas de forma desordenada passando pra gente essa sensação de bagunça que é reflexo do que o enredo conta. Tá tudo sempre bagunçado, a Alice sempre com visuais e cabelos diferentes, em busca de uma identidade nova, tentando se encaixar em algo que faça sentido. Com certeza a maior cena é a do Clube, ela como stripper, que é uma profissão de vulnerabilidade, onde a mulher está à mercê de tantos perigos mesmo com câmeras, reagindo com estabilidade emocional a todas as tentativas do Larry de desestabilizar ela. E isso que ele faz infelizmente é muito comum, quando a gente se decepciona muito com algo tende a descontar nossas frustrações no outro, parece mais fácil do que culpabilizar a si mesmo. Todos eles parecem ter medo de relações e laços genuínos, encontram fugas em chat online, em casos passageiros, beijar estranhos sem conexão. A Anna usa o estúdio fotográfico como QG da solidão. A relação dela com todos é sempre tão confusa. Ela parece querer algo, mas ter marcas que a fere demais pra conseguir abrir espaço para que o novo a preencha. Esse triângulo amoroso entre ela, o Larry e o Dan só serve pra confundi-la ainda mais, e a dependência emocional acaba fazendo com que eles se prendam um ao outro sem amor algum. Todos nós queremos alguém, ninguém quer a solidão da falta de afeto, mas ter alguém e viver numa solidão maior do que a de solteiro, não é pior? Se sentir sozinho pelo fruto do vazio entre duas pessoas é ainda mais doloroso. Achei tão patético quando os homens ficam competindo por território e explanando a parte sexual um para o outro. É só pra ferir o ego do outro, é violência psicológica gratuita. Fiquei muito revoltada quando o Dan bate na Alice. Dá pra sentir o quanto ela suportou toda a situação entre os casais para que no final tudo desse "certo" pra todos, até que ela se dá conta de que não é aquilo que ela quer pra ela. É possível deixar de amar alguém tão rápido? Acredito que sim. O amor tem que ser leve e não inclui suportar comportamentos abusivos e narcisistas, tais como desentendimentos diários, agradar o ego do outro o tempo todo, estar sob controle emocional, submissão forçada, e o mais grave: violência doméstica. Aquele tapa foi tão egoísta, era 100% sobre a masculinidade frágil dele de não ter aguentado saber os detalhes da relação sexual dela com o Dan, detalhes que ele fez questão de implorar por. Ele faz de tudo pra que ela conte e em seguida a pune, é de uma covardia! O Dan mesmo é um dos personagens completamente sem ética moral pra querer vir exigir isso dos outros, se interessou pela Alice quando ele namorava, depois tendo algo com ela se interessou pela Anna, depois aparentemente ficou interessado no Larry (que só chegou na vida delas porque foi enganado por ele), depois ficava nesse vai e vem brigando pela Anna, que quis o Larry e como sobra e impulsionado pelo mesmo, foi atrás da Alice. Ninguém tá certo, só há egoísmo por parte de quase todos. Tudo gira em torno das vontades e desejos, nada em torno do sentido emocional verdadeiro de amar. A Alice percebe que tá sendo usada pelos dois, disputada como um troféu qualquer, coisa inclusive muito comum entre a sociedade atual ( infelizmente, 20 anos depois e o mundo é o mesmo), ela impõe limites e as pessoas não querem respeitar. No estúdio da Anna ela pede pra ser respeitada, na boate, no quarto com o Dan no final, após momentos dolorosos a personagem aprendeu a criar esses limites e a decidir sair de verdade da vida de quem não os respeitasse. Por isso, inclusive, que no final a Jane (abandonou a identidade de Alice) caminha sorrindo, ela não está triste, ela está de branco, arrumada, alegre. A pessoa que aprende a delimitar a linha que não pode ser ultrapassada nas relações afetivas (todas na vida) é uma pessoa com uma inteligência emocional absurda. Não há arrependimentos, quem estabelece limites está fazendo o maior bem que pode fazer a si mesmo na vida. Limites desrespeitados geram dano emocional, autossabotagem, depressão, ansiedade. Sair da vida de quem fere a gente é provavelmente a decisão mais dolorosa e mais prazerosa do mundo. A Liberdade é nosso bem mais precioso. Atuações impecáveis de Jude Law, Natalie Portman, Julia Roberts e Clive Owen. As roupas dessa época são tão retrôs, eu gosto muito, é nostálgico, principalmente os relógios e sobretudos. Tem uma frase no filme que me marcou muito: "Onde está esse amor? Eu não consigo ver, não consigo tocar, não consigo sentir." O filósofo Bauman fala muito sobre a liquidez das relações da sociedade atual, e faz muito sentido, ele diz: "O amor não é cego, simplesmente aprendeu a fechar os olhos quando necessário", o ruim é que quem definiu essa necessidade é o próprio indivíduo que diz amar, de acordo com a conveniência, quando o preço de entrega emocional sai alto demais, as pessoas jogam as outras fora (ou ficam na abusividade) como se fossem nada. O amor não é tangível, mas precisa ser percebido. O sentimento amor pode até ser algo intangível, mas o que o outro faz por nós precisa ser completamente perceptível, memorável, estável, tão leve quanto uma pena pousando lentamente diante dos nossos olhos. Essas ações do dia a dia, gestos pequenos como um café, um abraço, palavras de ânimo, vulnerabilidade, intimidade, toque (além do sexo); são coisas acessíveis, necessárias, porque elas definem a presença do outro, quem o outro está sendo na nossa vida. Aos poucos vai criando um ambiente seguro onde quem é amado abaixa a guarda e a proteção após se sentir refugiado dos traumas passados. Quando isso não acontece, o parceiro serve apenas como gatilho, causando mais sofrimento e aumentando esse trauma. O oposto de uma relação líquida é a sólida. Onde você e o parceiro criaram uma base, uma planta firme para que algo seja construído em cima e não caia com o sopro de ventos ou tempestades, coisa que ninguém quis fazer pela relação ali. Apesar de sair de tudo aquilo, o filme não tem final feliz, os créditos passam enquanto o espectador digere essa coisa ruim que as relações disfuncionais deixam.
A melhor trilha sonora da vida
Diálogos excepcionais, personagens profundos, confusos e humanos.
quero proteger a alice do mundo
Muito bom filme! Mas não assistiria novamente. Fiquei um tanto desconfortável