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Data de lançamento
8 Set. 2012Duração
Várias histórias em épocas diferentes, passado, presente e futuro, estão conectadas mostrando como um simples ato pode atravessar séculos e inspirar uma revolução.
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As Novas Desventuras de Cliff Booth
"Acredito que existem forças que determinam o curso de nossas vidas. Essas forças começam muito antes de nascermos e continuam depois que morremos."
— Sonmi-451
Perfeito demais, terminei em prantos (de novo). As irmãs Wachowskis são maravilhosas mesmo e esse elenco de peso faz tudo ficar melhor.
Reassistido em 16/08/2026
"A Viagem" 🚬😮💨😶🌫️🥴🫠🙃
Achei um pouco longo demais e talvez por isso tenha me perdido no processo. Eu estava achando que a ligação que havia entre os personagens era genética, de descendência, mas no final entendi que era de almas, de carmas (foi o que entendi, me desculpem se estiver errada). Vendo por esse ângulo, é um bom filme.
"Acredito que existem forças que determinam o curso de nossas vidas. Essas forças começam muito antes de nascermos e continuam depois que morremos."
— Sonmi-451
Século XIX, coração do Oceano Pacífico; um jovem advogado testemunha os horrores da escravidão e, sem saber, começa a ser envenenado lentamente por um médico ganancioso. A bordo, ele escreve um diário que cruza décadas e para nas mãos de um músico brilhante e falido na Europa dos anos 1930 que, inspirado por aquelas páginas, cria uma obra-prima musical antes de sua trágica partida. As cartas e a música viajam no tempo para 1970, servindo de trilha sonora e combustível para uma destemida jornalista que arrisca a vida para expor uma conspiração nuclear corporativa. A história da investigação vira um livro no presente caótico de 2012, nas mãos de um editor idoso que, após ser trancado num asilo pelo próprio irmão, planeja uma fuga espetacular com seus amigos. Uma fuga cômica, mas heroica, que vira um filme que sobrevive à decadência do mundo, chegando ao século XXII, numa Neo Seul apocalíptica, ultratecnológica e desumana. Ali, uma trabalhadora clonada assiste a esse filme, desperta sua consciência e lidera uma revolução contra a elite que excraviza e consome a própria humanidade. Seu sacrifício é tão avassalador que, séculos após o colapso total da civilização, ela passa a ser venerada como uma deusa por uma tribo primitiva que tenta sobreviver em uma Terra pós-apocalíptica. É nesse futuro distante que a última alma fecha seu ciclo, superando seus demônios internos para guiar o que restou da humanidade em direção às estrelas.
Adaptar uma obra literária com uma estrutura tão complexa e fragmentada era considerado um suicídio comercial e uma tarefa impossível em Hollywood. Mas as diretoras de Matrix, Lana e Lilly Wachowski, donas de mentes revolucionária e de um tesão inabalável por desafiar o sistema, recusaram-se a aceitar os limites da mesmice. Elas se uniram ao brilhante diretor alemão Tom Tykwer para dar vida a essa verdadeira viagem terrena.
"Nossas vidas não são nossas. Estamos amarrados a outros, no passado e no presente. E por cada crime, e cada ato de bondade, nós damos luz ao nosso futuro."
— Sonmi-451
Cloud Atlas é uma epopeia espiritual que atravessa o tempo em busca de redenção. Uma história que mostra as consequências da consciência, dos sentimentos e das ações que vários personagens têm durante séculos de vidas, resultando em histórias de dor, amor e alegrias. O trio de diretores tomou a decisão audaciosa de desestruturar o roteiro para que todas as seis eras avançassem ao mesmo tempo na tela, em vez de fazerem um filme episódico tradicional, criando um quebra-cabeça monumental de quase três horas. Foi um grito de liberdade artística corajoso, que preferiu arriscar o próprio prestígio em vez de entregar um produto mastigado e sem alma para as telas.
Colocar uma engrenagem monumental dessas para rodar exigiu uma engenharia de elenco foda e uma produção que beira o inacreditável:
Tom Hanks, Halle Berry, Hugo Weaving, Jim Sturgess, Bae Doona, Hugh Grant, Ben Whishaw, James D'Arcy, David Gyasi, Zhou Xun e Susan Sarandon.
Esses atores se despiram de suas vaidades para interpretar múltiplos personagens que mudavam radicalmente de idade, gênero e até de etnia através dos séculos. Uma dança de papéis que não foi um mero truque visual; foi uma tradução que procura se aproximar do conceito das reencarnações, mostrando visualmente a evolução e o carma dessas almas através do tempo.
Para dar conta desse desafio, as Wachowski e Tom Tykwer dividiram a produção em duas equipes completas filmando ao mesmo tempo. Mas, para mim, o verdadeiro milagre técnico do filme acontece na sala de edição. A montagem é cirúrgica! O corte de uma cena não respeita seu tempo cronológico, mas sim as ações, emoções e a sintonia de alma de cada personagem, costurando assim o destino dessas seis eras com decisões que eles têm em cada uma delas; tudo com uma fluidez musical impressionante e revolucionária.
A mensagem de Cloud Atlas ou A Viagem, está na sua poderosa essência filosófica e espiritual de que as nossas vidas não nos pertencem. Do útero ao túmulo, estamos todos conectados pelas nossas ações, e cada crime nosso, ou cada ato de bondade, dá luz ao nosso futuro. O filme é um manifesto avassalador sobre a reencarnação, sobre o amor e a eterna luta do indivíduo para evoluir e quebrar as correntes dos sistemas de opressão que se repetem através das eras, para assim mudar tudo.
Mas uma obra com essa profundidade e ambição seria incompreendida por quase todo o público. O filme foi covardemente massacrado e rotulado como "confuso" pela crítica engessada pelo sistema e incapaz de acompanhar um roteiro que exige uma mente mais aberta.
"Cloud Atlas" é um espetáculo cinematográfico gigante, que eu tive o privilégio de assistir no cinema. É uma ficção científica revolucionária feita por mentes livres que provaram que o cinema ainda pode ser uma experiência artística monumental, visceral e inesquecível.
Morte, Vida, Nascimento
Futuro, Presente, Passado
Amor, Esperança, Coragem
Tudo está conectado.
Filme perfeito