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Data de lançamento
5 Nov. 2009Duração
Em uma cidade do Alasca, um grande número de sumiços foi registrado durante os últimos 40 anos. Alguns afirmam que as autoridades encobrem os casos.
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Tem Alguns Spoilers...
"Durante décadas, a remota cidade de nome censurado no Alasca foi palco de uma série de desaparecimentos misteriosos e inexplicáveis. Em 2000, a psicóloga Dra. Abigail Tyler começou a gravar em áudio e vídeo as sessões de hipnose de seus pacientes, que relatavam insônia, a visão perturbadora de uma coruja branca na janela e abduções aterrorizantes. Quando o diretor Olatunde Osunsanmi teve acesso a esse arquivo confidencial, resolveu dramatizar o caso. Na abertura do filme, a própria atriz Milla Jovovich encara a câmera e avisa de forma seca:
Eu sou Milla Jovovich e vou interpretar a Dra. Abigail... o que você vai ver a seguir são as filmagens reais arquivadas lado a lado com a reconstituição."
E você engoliu cada palavra...
Assistir a "Contatos de 4º Grau" pela primeira vez é uma experiência sufocante. O recurso da tela dividida (split screen), colocando a atriz de Hollywood ao lado da imagem "real" e granulada da verdadeira médica, desarma qualquer cético. Quando o áudio distorce e os pacientes começam a flutuar e a gritar frases em sumério ancestral, a mistura de ufologia com arqueologia congela a espinha. O filme não usa extraterrestres verdes de efeito especial; ele usa o pânico psicológico puro. Na noite em que assisti com a minha família, eu tive a certeza absoluta de que finalmente o mundo tinha a prova definitiva sobre os extraterrestres.
Mas a minha casa caiu...
Anos depois, a verdade vem à tona: a Dra. Abigail Tyler nunca existiu, as fitas arquivadas eram atuações de atores desconhecidos e a Universal Pictures acabou processada pela Associação de Imprensa do Alasca por inventar matérias de jornal e usar a tragédia real de famílias locais para promover uma ficção. Essa foi a maior e mais audaciosa farsa do cinema desde que "A Bruxa de Blair" espalhou cartazes de pessoas desaparecidas no fim dos anos 90, resgatando o espírito da mentira de quando Orson Welles parou os Estados Unidos no rádio em 1938 simulando uma invasão marciana.
"Contatos de 4º Grau" pode ter sido erguido sobre um castelo de mentiras e com um marketing agressivo, mas cumpriu o papel supremo do cinema de gênero: invadiu o inconsciente do espectador e fez o impossível parecer real por noventa minutos. Uma aula de manipulação e quebra da quarta parede que prova que, se a fita era falsa, o desespero de quem assistiu foi completamente verdadeiro. É um dos melhores filmes de ficção sobre OVNI já feitos, com uma história consistente, cheia de referências arqueológicas que mexem com a gente pelos seus mistérios. E revendo o filme várias vezes, mesmo sabendo que é uma história fictícia, "Contatos de 4º Grau" é foda demais.
P.S. Eu conheço muita gente que até hoje acha que esse filme é real. Quando eu revelo a verdade, chega a dar dó.
Reassisti, muitos anos depois de ver pela primeira vez. Não lembro exatamente o que achei da primeira, mas dessa vez, fui esperando mais. A ideia de que tem cenas reais misturadas com dramatização chama a atenção no começo, mas demora bem pouco pra se notar que é falso. O filme até tem uma proposta interessante, mas acho que não foi bem resolvido, acho que faltou amadurecer o roteiro. Todo o caso do marido ficou meio perdido e pouco claro no meio da história. As ações e reações de vários personagens parecem forçadas e irreais demais. No fim, acho que a escolha de
nunca mostrar as criaturas
A ideia de misturar “imagens reais” com dramatização até poderia funcionar, mas aqui soa preguiçosa e manipulativa. Em vez de construir tensão, o filme fica martelando na sua cabeça “isso é verdade, isso é verdade”, como se insistência substituísse qualidade. Spoiler: não substitui.
Pra quem entende minimamente de Ufologia, fica ainda pior. Os relatos são exagerados, desconexos e sem qualquer rigor parece mais fanfic sensacionalista do que qualquer coisa próxima de um estudo sério.
A Milla Jovovich até tenta dar dignidade aos filmes que ela atua, para variar não funciona. Em vários momentos, a atuação parece engessada justamente porque o roteiro não dá base nenhuma pra emoção funcionar.
E o maior pecado: não dá medo. Em nenhum momento. No máximo causa vergonha alheia ou tédio. Aquela tensão que o filme acha que tá construindo simplesmente não existe é tudo barulho, edição picotada e grito jogado pra ver se cola.
Esse filme só funciona para quem o assiste com uma disposição quase ingênua de acreditar em sua proposta de falso documentário, aceitando como autênticas as supostas “imagens reais” exibidas em paralelo às reencenações.
Bobíssimo.
Visto em 18/03/2026.
Um filme que sem dúvidas tem seus problemas, mas ganhou pontos comigo ao retratar o tema com seriedade e de maneira macabra.