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Data de lançamento
14 Dez. 2002Duração
Los Angeles, Califórnia, quase uma da manhã de 3 de março de 1991. Uma perseguição policial tem início e Rodney King, um negro, foi detido e espancado por quatro policiais brancos: Theodore Briseno, Laurence Powell, Timothy Wind e Stacey Koon. Apesar de não ter resistido este "procedimento" foi filmado e assim, após um ano, os policiais estão sendo julgados. Paralelamente Darryl Orchard (Kurupt) e Gary Sidwell (Dash Mihok), que são ladrões e assassinos, invadem uma pequena loja e matam quatro possíveis testemunhas. Eldon Perry (Kurt Russell), um veterano policial que não hesita em ficar acima da lei se isto for necessário para colocar atrás das grades quem merece estar preso, está testemunhando para o chefe da polícia Arthur Holland (Ving Rhames), que averigua a corrupção na polícia e quer parar com isto. Perry torce alguns fatos quando fala em defesa de Bobby Keough (Scott Speedman), seu parceiro, que está sendo investigado por uso inapropriado de força. Por falta de um testemunho honesto Keough é liberado. Logo ele e Perry investigam este quádruplo homicídio, mas houve uma quinta testemunha que foi gravemente ferida, mas não morreu. Através das informações dadas por ela Perry e Keough ficam praticamente certos que os assassinos são Orchard e Sidwell, mas Perry é surpreendido quando seu chefe, Jack Van Meter (Brendan Gleeson), diz que os dois suspeitos estavam fora da cidade e acusa dois ex-condenados, que deveriam ser presos embora eles sejam inocentes deste crime. Perry acata as ordens de Van Meter, sem imaginar as profundas ligações que seu chefe tem com Orchard e Sidwell.
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Antes de ver o filme faça uma pesquisa breve sobre o caso Rodney King para entender o contexto da época do filme.
Não vou ficar falando rios de coisas técnicas, não sou especialista falarei a minha simples opinião.
Filme é bom, tem ação boa sem exageros hollywoodianos, há poucos clichês, as coisas acontecem rapidamente, exemplos são os diálogos rápidos. Tu tem que estar atento, precisei voltar algumas cenas para compreender o diálogo. A história faz refletir sobre como muitas vezes as pessoas não seguem a lógica e agem de forma egoísta e emocionada, além disso mostra como quem está mergulhado em desgraça não percebe o caos que vive e as consequências disso.
Obs: O filme me lembrou um pouco Dia De Treinamento (2001) e 16 Quadras (2006).
Dark Blue (2002) se passa num dos momentos mais inflamáveis da história recente de Los Angeles: os dias que antecedem o veredito do caso Rodney King. A cidade está em estado de combustão lenta, à beira de uma explosão, e o filme entende bem o valor cinematográfico desse contexto. Afinal, há um apelo quase automático na imagem de um policial atravessando uma cidade tomada por protestos, desviando de carros incendiados e objetos arremessados contra o para-brisa, enquanto caça um suspeito.
É nesse cenário que se desenrola uma trama de corrupção policial clássica, mas bem construída. Um assalto brutal a uma loja, testemunhas mortas demais, culpados desaparecidos. Desde o início, fica claro que descobrir a verdade não é exatamente o objetivo principal — o que importa é quem pode ser sacrificado para manter alianças, proteger chefes e preservar uma imagem de controle num sistema já podre por dentro. Dark Blue funciona muito bem como filme de intriga: há lados opostos, interesses cruzados, policiais honestos tentando derrubar os corruptos, e corruptos tentando se antecipar à queda.
No centro disso está Eldon Perry, o personagem de Kurt Russell: um policial veterano, agressivo, profundamente cínico, moldado por décadas de um discurso que mistura violência com uma ideia distorcida de justiça. Ele acredita que tudo é justificável em nome da ordem. Kurt Russell traz carisma e convicção ao papel, e o filme acerta ao não tentar torná-lo simpático. Onde Dark Blue poderia ir além é justamente no terreno mais íntimo desse personagem. Há conflitos familiares, há um filho que não quer seguir os passos do pai, há uma tradição familiar que se repete — mas tudo isso aparece mais como informação do que como vivência dramática. São discussões acaloradas, frases jogadas, indícios interessantes que raramente se aprofundam. Não chega a ser uma falha grave, mas é uma oportunidade parcialmente perdida de entender melhor como esse homem se tornou o que é.
O policial novato, colocado ao lado de Eldon também carrega um potencial que o filme explora apenas até certo ponto. Seu dilema — atirar ou não, obedecer ou questionar, se tornar cúmplice ou romper — está todo ali, mas raramente ganha espaço para maturar. Há momentos importantes, decisões irreversíveis, especialmente quando ele cruza a linha e mata alguém que não cometeu o crime. Ainda assim, o filme prefere deslocar parte desse conflito para um interesse amoroso e para jogos de lealdade externos, em vez de mergulhar mais fundo na mente do personagem. Essa escolha faz com que Dark Blue funcione mais como um thriller de engrenagem do que como um estudo psicológico. Diferente de Training Day, por exemplo, onde cada gesto e cada fala ajudam a revelar o abismo moral dos personagens, aqui o drama é mais contido, mais funcional. E diferente de Os Infiltrados, que se interessa obsessivamente pelo interior de seus personagens, Dark Blue parece mais preocupado em manter a trama girando — o que ele faz com competência.
Ainda assim, há muito mérito no modo como o filme articula seus conflitos. O chefe corrupto, disposto a jogar aliados uns contra os outros; o policial honesto tentando desmontar o sistema por dentro; a sensação constante de que ninguém sai ileso. O clímax, ambientado justamente quando a cidade começa a explodir, é eficaz e simbólico: enquanto as ruas entram em colapso, as máscaras finalmente caem. O discurso final, feito num púlpito sob olhares incrédulos, funciona menos como redenção e mais como exposição tardia — e talvez isso seja o mais honesto que o filme poderia oferecer.
Dark Blue é um filme sólido, inteligente, muito competente como narrativa policial. Talvez não aprofunde seus personagens tanto quanto poderia, talvez não explore todo o potencial dramático que tem em mãos. Mas sua força está na intriga, no contexto histórico bem utilizado e na sensação constante de que, naquele sistema, não existe linha azul suficiente para separar justiça de violência. No meio do caos, das sirenes e das intrigas, Dark Blue entende uma coisa simples: quando a cidade pega fogo, sempre tem alguém usando o incêndio como cortina. E quase sempre veste azul.
Bom filme policial,cheio de reviravoltas e algumas boas sequências de violência inesperada.
>Assistido em 22 de Junho de 2025
Nunca tinha ouvido falar desse filme. Eu achei um filmaço, com uma narrativa e ambientação noventista incríveis.
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