Alemanha, anos 30. Hermann Hermann é um imigrante russo que vai progressivamente perdendo a razão. Ao conhecer um homem que crê parecer-se com ele, Hermann pretende assassiná-lo para trocar de identidade e fazer sua mulher retirar o dinheiro do seguro de vida. Adaptação do romance de Vladimir Nabokov.
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Este filme era uma das obras fassbinderianas que mais atordoavam-me: temia achá-lo cansativo, em razão de o diretor servir-se de estratégias mui específicas de sardônica codificação histórica em seus filmes de época. De fato, na primeira meia-hora, fiquei perturbadíssimo, para descobrir prontamente que este era o sentimento pretendido pelo diretor e seu fotógrafo recorrente Michael Ballhaus, que atua de maneira mui participativa, seja no aproveitamento genial dos uniformes lilases seja na predominância de seus efeitos especulares característicos. Dirk Bogarde está genialmente enlouquecido e deixa-nos da mesma forma, ao final: o filme contagia. Afinal, o modo como o Nazismo erige-se popularmente tem muito a ver, em versão tragicômica, com o crescimento lamentável do bolsonarismo, aqui no Brasil... Urgh! (*WPC>)
16/04/18
Uma viagem louca e sagaz na mente humana! O desespero se mistura ao desejo desenfreado e aos medos cotidianos.
A abordagem do desespero e tédio como ferramenta para a loucura do Hermann creio que também pode ser confundida com a necessidade do homem de fugir da selva de pedras, a ponto de criar uma projeção distorcida da realidade para penetrar num mundo livre e belo - mesmo que de loucura.
Apesar de algumas características marcantes do estilo do Fassbinder, como a presença permanente de espelhos, senti falta de um reflexo mais firme do personagem neles, que acabou ficando meio distorcido ou truncado. Enfim, podia ter sido maior explorado.