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Toku, operário de uma fábrica em greve, dá comida a uma mulher faminta, Tsuru, que acaba seguindo-o até sua casa. Ele divide um barraco em uma aldeia em Kawasaki com seu amigo Pin. Os dois homens tentam se livrar dela, mas acabam aceitando sua estadia quando ela oferece dinheiro. Tsuru conta aos residentes da aldeia sobre a perda do emprego durante a greve e a indenização roubada. Também revela ter sido vendida para uma casa de gueixas, de onde acabou fugindo. Toku e Pin resolvem tirar proveito da situação, vendendo-a novamente para outra casa de gueixas.
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Tsuru =(
Pois é @rodrigo, A Tsuru não tem dificuldades na vida por causa dela mesma, das fraquezas dela, é mais pelas fraquezas dos outros.
Os outros também tem uma vida difícil só que eles fazem a vida dos outros também mais difícil ao contrário de... unirem-se e lutarem pelo bem comum, como os trabalhadores da fábrica no início. Não é? No começo do filme vemos uns dos protagonistas chegar na fábrica para trabalhar e ver que está parada, ele olha a manifestação desinteressado e quando chega o grupo para bater e quebrar a greve ele foge para não se envolver. Todos tem zero interesse pela grave, afinal, deixa eles livres para bundearem e continuarem tomando más decisões para a vida deles e dos outros ao redor. Não atoa no testamento da Tsuru ela chama a Asako, a única que participa e incentiva os outros a participarem da grave, de "Arco-íris de Kappanuma" e "Trabalhadora Asako".
Eles acham que o mundo é só passar a perna nos outros para ser "alguém", então o interesse é apenas ser um dos que passam a perna nos outros, roubam os outros, sem nunca pensar que há outras alternativas, que não precisa ser assim.
Que filme maravilhoso do Shindô. Digo sem medo: dos 8 filmes que já vi deste cineasta, este é um dos melhores pra mim!! Ditch, literalmente traduzido por fosso,ou vala, traduz o filme, que poderíamos chamar de "Saga de Tsuru". OU a sua hora e sua vez! Este filme é um retrato cruel da pobreza, da miséria, da fome, da humilhação, do sofrimento, tudo encarnado numa protagonista, que pode-se comparar a uma Macabéa clariceana (pra mim, a personagem mais sofrida da literatura brasileira que eu ainda tenha lido). Nada é fácil pra Tsuru. E veja como Shindô, com maestria, filma de forma sutil. Pra quem quiser estudar o sofrimento, este filme é, de longe, aquilo que está no "Mundo como vontade e como representação" do Shopenhauer!!
Uma coisa que eu falei em Kuroneko, sobre a predileção do tema do inferno em Shindô, serve para este, mas não a questão mística. E sim aquilo que o velho Guimarães Rosa sabiamente dizia: o diabo é o homem!! E está aqui neste filme belíssimo.