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28 Abril 2025A trama segue a história de Leona (Clara Moneke), mais conhecida como Léo, uma jovem humorada, batalhadora e determinada, que vive passando por perrengues financeiros e que convive com uma dor imensa que tenta a todo custo não revelar. Morando com a avó Yara (Cyda Moreno) e a irmã Stephany (Nykolly Fernandes) no bairro do São Cristóvão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, Leona, no passado, era estudante de Publicidade, quando ia se casar com Marlon (Humberto Morais), grávida de seis meses de Sophya, sua primeira filha. No entanto, Leona viu seu mundo desabar em uma sala de ultrassonografia quando descobre que sofreu um aborto espontâneo, fazendo com que desenvolvesse um grande trauma, causando o fim de seu relacionamento com o rapaz. Seis anos depois, a dupla se reencontra, mas agora, Léo passou a se aventurar em desafios mal-sucedidos para ganhar dinheiro fácil e ajudar sua família, enquanto que Marlon inicia um novo relacionamento com a lutadora de kickboxing Bárbara (Giovana Cordeiro) e segue determinado com o seu sonho de se tornar Policial Militar, mas precisa encarar a dura realidade da profissão.
Léo acaba aceitando uma proposta de emprego da família Boaz, que são proprietários de uma fábrica de lingerie. Os Boaz são compostos por Abelardo (Tony Ramos), mais conhecido como Abel, o presidente da empresa, que é casado com a artista plástica Filipa (Cláudia Abreu). Juntos, o casal tem quatro filhos: o esforçado Samuel (Juan Paiva), o ambicioso Davi (Rafael Vitti), a talentosa Ayla (Bel Lima) e a encrenqueira Sofia (Elis Cabral). Sofia foi adotada por Abel e Filipa após a sua mãe, Ellen (Camila Pitanga), que era uma das funcionárias da empresa, morrer quando a garota ainda era um bebê e a entregou para o empresário. Buscando meios de chamar a atenção de seus pais e dos seus irmãos, Sofia sempre acaba aprontando peças contra as babás, inclusive Léo, mas a chegada da protagonista acaba mudando a visão da garotinha, virando a sua melhor amiga (apesar da coincidência do nome da menina ser o mesmo da filha que Leona perdeu), assim como ela também conquista a simpatia dos outros três meios-irmãos de Sofia.
O maior entrave em meio à fábrica de lingeries está na falta de diversidade nas propagandas da peça de roupa, o que acaba incomodando Samuel, que quer mudar a visão dita como machista do lugar por conta da escolha de modelos magras, brancas e negras de pele clara. Mas a problemática acaba afetando a família, que se vê envolvida em um grande desafio pela frente, o que acaba colocando no meio também a babá Léo. Outro desafio é a chegada de Jacques Boaz (Marcello Novaes), o irmão de Abel. Ele é o advogado da fábrica, mas quer tomar todo o controle da firma através de golpes e esquemas fraudulentos.
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Vou direto: se arrastou demais. A novela tinha um ponto de partida forte, emocional, popular, mas a Globo esticou a corda sem dó. Tramas paralelas inúteis, conflitos que não levavam a lugar nenhum e reviravoltas que pareciam existir só pra preencher capítulo. Faltou coragem de encurtar. Teve semana inteira que dava pra resolver em dois dias. Isso cansa — e cansa o público que já entendeu a mensagem.
Dito isso… eu gostei. Porque quando Dona de Mim acertava, acertava em cheio. A relação entre Léo e Sofia tinha verdade, afeto e humanidade — algo raro numa faixa que costuma subestimar emoção. E aí entra o maior trunfo da novela: Clara Moneke. Ela segura a protagonista com carisma, dor, humor e presença. Clara cresce em cena, domina o texto e nunca deixa Léo virar caricatura. É estrela em construção? Não. Já chegou pronta.
E Elis Cabral merece aplauso de pé. Sem exagero: uma das melhores atuações infantis recentes da TV aberta. Natural, expressiva, emocionante sem forçar fofura. A novela funciona de verdade quando ela está em cena — e isso diz muito.
No fim, Dona de Mim é aquela novela cheia de gordura, mas com coração. Poderia ter sido muito melhor se tivesse sido mais enxuta e menos dispersa. Mesmo assim, deixou afeto, bons momentos e duas atuações que salvam tudo. Nem toda novela precisa ser perfeita pra marcar — às vezes basta ser honesta. E essa foi, mesmo tropeçando.
A trajetória de "Dona de Mim": uma análise de seus altos e baixos!
Após uma jornada de quase oito meses, a novela das sete chegou ao seu encerramento nesta sexta-feira (09/01/2026), concluindo uma fase que, embora marcada por alguns êxitos, também apresentou diversas limitações. Com 218 capítulos, "Dona de Mim" tornou-se a segunda mais longa do horário após "Caras e Bocas" (2009), um projeto de Walcyr Carrasco de grande sucesso. Criada por Rosane Svartman e dirigida por Allan Fiterman, a trama conseguiu elevar a média de audiência em três pontos em relação à sua antecessora, reafirmando a autoridade da autora no horário. Entretanto, sua recepção foi bastante diferente de seus trabalhos anteriores, como "Totalmente Demais", "Bom Sucesso" e "Vai na Fé", que conquistaram grande repercussão e fãs fervorosos. A novela, por sua vez, recebeu muitas críticas quanto ao seu desenvolvimento narrativo.
A premissa inicial tinha potencial: uma mulher que, após perder sua filha ainda grávida, assume uma nova maternidade cuidando de uma criança que carrega o mesmo nome que ela planejava dar à sua própria filha. A introdução da história foi bastante cativante, conquistando o público desde os primeiros capítulos. Os núcleos paralelos também despertaram interesse, e a relação delicada entre Leona e Sofia, assim como os laços que a protagonista construiu com a família Boaz, foram momentos de destaque. No entanto, com o passar do tempo, essa promessa inicial foi se diluindo. Sentia-se que faltava uma força maior na narrativa, um arco mais consolidado para Leona que justificasse sua trajetória. A sensação de que a história permanecia em uma fase de preparação, sem avançar de fato, foi se intensificando.
A chegada de Vanderson trouxe uma expectativa de reviravoltas, mas essas nunca se concretizaram de maneira convincente. Seu impacto inicial foi forte, mas a narrativa não conseguiu explorar seu potencial, deixando-o em uma espécie de limbo. O conflito envolvendo a guarda de Sofia, por exemplo, foi mal conduzido, com Vanderson conquistando uma guarda provisória sem ter condições mínimas para isso — residência ou emprego — o que dificultou a aceitação do público.
Outro ponto que prometia uma mudança na trama foi a volta de Nina, filha de Filipa. Sua reentrada, após um afastamento traumático, não trouxe as mudanças esperadas. Os conflitos se tornaram repetitivos, com uma troca de provocações entre mãe e filha e a introdução de um ex-namorado traficante que logo foi descartado. A personagem de Nina, aliás, foi pouco explorada, assim como outras figuras secundárias, que tiveram seus arcos superficiais ou mal desenvolvidos.
A morte de Abel, o personagem mais querido da história, parecia ser uma oportunidade para uma reviravolta verdadeira. Rosane Svartman, em várias entrevistas, já havia mencionado que o ator sabia que sua passagem seria breve, preparando o terreno para uma mudança dramática. E, de fato, o acidente causado por Jaques trouxe uma das cenas mais impactantes da novela, com efeitos especiais bem trabalhados e uma forte carga emocional — especialmente nas atuações de Suely Franco, como dona Rosa. Contudo, após a tragédia, os desdobramentos ficaram aquém do esperado. A substituição do núcleo por uma nova fase não conseguiu gerar o impacto desejado, e a saída de Vanderson, acusado injustamente de um crime, acabou sendo um episódio frustrante. A morte de Abel serviu mais para evidenciar as maldades de Jaques do que para promover uma verdadeira virada na história.
A ascensão de Jaques à presidência da Boaz, impulsionada por sua obsessão, foi um dos poucos momentos de destaque. No entanto, seu caráter permaneceu homogêneo, sempre com o mesmo discurso, focado em demissões e modernizações na empresa de lingerie. Sua vitória constante na narrativa acabou tornando-se um problema, pois os vilões precisam experimentar fracassos para que os protagonistas possam se desenvolver. Além disso, a ausência de uma antagonista forte para Leona prejudicou o conflito principal. Os demais vilões, sempre com o mesmo objetivo de roubar dinheiro, perderam força ao não se enfrentarem ou criarem rivalidades que movimentassem a trama. Leona, por sua vez, permaneceu como uma personagem sem uma história própria definida, vivendo praticamente em função de Sofia, sua relação amorosa marcada por indecisões cansativas e triângulos amorosos que, às vezes, desagradaram o público.
Os núcleos secundários também apresentaram problemas de desenvolvimento. A trama do campeonato de rimas, por exemplo, começou bem, mas acabou se repetindo e sumindo da história. Enredos como o de Jussara com Alan, ou o casamento de Gisele com Ayla, não conseguiram conquistar o público, transformando-se em histórias superficiais e pouco envolventes. Mesmo o arco de Kamila, que tinha potencial para ser uma das melhores tramas, acabou sendo mal conduzido, com acontecimentos que destoaram do que se esperava de uma narrativa mais autêntica. A relação de Gisele e Ayla, por exemplo, virou um enredo confuso, com inserções de personagens que não acrescentaram em nada e que, na verdade, dispersaram o foco da história.
O núcleo de kickboxing, inspirado por "Malhação Sonhos" (2014), também não conseguiu engajar. Tentativas de recriar o sucesso anterior não passaram de meros refritos, e o retorno do vilão Heideguer, interpretado por Odilon Wagner, foi mal aproveitado, com poucas aparições. A narrativa, nesse aspecto, ficou na expectativa, sem alcançar o impacto esperado.
No aspecto emocional, a personagem de Filipa foi uma das melhores construções, abordando com sensibilidade a bipolaridade. A relação com Jaques, contudo, foi problemática, pois o vilão abusou dela de formas diversas, mas a narrativa insistiu em mostrar uma relação “bonitinha”, o que destoou da realidade. Filipa, embora manipulada e enganada por Jaques, tinha consciência de certas atitudes dele, o que tornava sua relação com o vilão incoerente com a sua dor. Seu envolvimento com Danilo nas últimas semanas também foi confuso e pouco convincente, culminando em um final pouco crível, com uma cena de assassinato que pareceu deslocada.
Outros personagens também tiveram finais pouco satisfatórios. Ricardo, por exemplo, foi atropelado e entrou em coma, mas foi morto logo após acordar, uma decisão que não fez sentido. Tânia, uma vilã interessante, acabou relegada à sombra do enredo, sem o destaque que merecia, permanecendo ao lado do vilão até o último capítulo — uma estratégia que decepcionou. A volta de Ellen, na fase final, também não trouxe novidades relevantes, limitando-se a uma tentativa de reaproximação com Sofia que se mostrou superficial e pouco impactante.
Apesar de tantos problemas, a novela contou com pontos positivos. O roteiro de Rosane Svartman mantém sua qualidade técnica, com boas abordagens, como a questão do Alzheimer de Rosa, que foi retratada com sensibilidade, e a saga de Kamila, marcada por cenas fortes e inteligentes. A temática da saúde mental foi bem explorada, assim como a trajetória de Ryan, que fugiu do maniqueísmo ao mostrar a complexidade de um ex-detento buscando redenção. O elenco, por sua parte, foi de alto nível: Clara Moneke, mesmo com um arco que poderia ser mais desenvolvido, teve destaque constante, enquanto nomes como Tony Ramos, Claudia Abreu, Marcello Novaes e Giovana Cordeiro entregaram atuações memoráveis.
A revelação infantil Elis Cabral foi uma das surpresas do ano, demonstrando talento nato ao interpretar cenas desafiadoras com naturalidade. Lorenzo Reis também brilhou, especialmente nas cenas de humor, e o trio infantil funcionou muito bem, complementando a narrativa de forma encantadora.
Nos momentos finais, a história tentou fechar suas pontas com alguma dramaticidade, mas acabou repetindo fórmulas conhecidas, como o incêndio na Boaz e o confronto final entre Leona e Jaques. O desfecho foi morno, com cenas que tentaram criar suspense, mas que pareceram artificiais. Os finais felizes de Leona e Samuel, com casamento e anúncio de gravidez, trouxeram um toque emotivo, assim como a despedida de Ellen e Hudson. Já a resolução de Jaques, sempre na cadeia, foi previsível, reforçando a figura do vilão clássico encerrado atrás das grades.
Em suma, "Dona de Mim" foi uma novela que, apesar de seus altos, ficou marcada por uma série de decisões mal conduzidas, enredos que se prolongaram além do necessário e personagens sem o desenvolvimento adequado. É uma produção que, mesmo com talento e potencial, acabou sendo uma das mais decepcionantes de Rosane Svartman até então. Ainda assim, fica a esperança de que suas próximas obras aprendam com esses erros e retornem ao padrão de qualidade que a consagrou anteriormente.