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Certa noite ao chegar tarde em casa, Kelly Sherwood (Lee Remick), é abordada em sua garagem por bandido de voz asmática Red Lynch (Ross Martin), por quem passa a ser aterrorizada. Ele pretende usá-la para roubar uma grande quantia do banco onde Kelly trabalha. Dentre suas ameaças Red promete matar, Toby, a irmã adolescente com quem Kelly vive, caso ela decida contar para a policia os seus planos e o que está acontecendo. Entretanto, Kelly não se intimida e consegue contatar o agente Ripley (Glenn Ford) do F.B.I.
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Experiment in Terror (1962), no Brasil Escravas do Medo, me surpreendeu positivamente. Desde o início o filme já estabelece um clima de tensão muito eficaz: a aparição inicial de Red Lynch (Ross Martin), sem revelar o rosto, é perturbadora, e o fato de ele
desaparecer fisicamente e passar a agir quase exclusivamente por chamadas telefônicas aumenta ainda mais o suspense psicológico.
A introdução de Nancy Ashton (Patricia Huston) é um ponto muito interessante. Sua aparição inesperada abre várias possibilidades narrativas —
cheguei a suspeitar que ela pudesse estar envolvida com Red ou tentando distrair Ripley para facilitar os crimes dele. Essa ambiguidade funciona bem até sua morte pelas próprias mãos de Red, que encerra o mistério e revela que ele já havia chantageado outras mulheres antes.
A revelação de seu rosto só ocorre após mais de 1h20 de filme, e é uma cena memorável e tenebrosa — especialmente quando ele entra disfarçado de velha no banheiro, um momento realmente cabuloso e inquietante.
Kelly Sherwood (Lee Remick) também se destaca como protagonista.
Ela nunca se torna histérica ou frágil demais; pelo contrário, mantém a compostura e chega inclusive a confrontar o vilão em determinado momento, o que a torna uma personagem forte e convincente dentro do suspense.
Um ponto positivo que gostei bastante é que o filme não apela para romance ou envolvimento romântico entre nenhum dos personagens
Glenn Ford, como o detetive John “Rip” Ripley, entrega uma ótima atuação. Ripley é perspicaz, contido e profissional, mas não frio — há humanidade e preocupação genuína em sua postura, especialmente em relação a Kelly. Ford constrói bem esse equilíbrio entre o investigador experiente e o homem emocionalmente envolvido no caso, o que enriquece o filme. Também gostei da postura da polícia: em nenhum momento desacreditam Kelly, permanecem sempre de prontidão e a apoiam o tempo todo.
A única falha deles foi quando Toby — que foi bem burra e juvenil nessa cena — sai correndo direto para as mãos de Red quando ele diz que sua irmã levou um tiro; em vez de segui-la, a polícia entra na lanchonete para perguntar o que aconteceu, e aí garotearam bonito.
Tecnicamente, o filme é muito bem realizado: a fotografia em preto e branco valoriza o clima noir, com sombras marcantes, enquadramentos expressivos e uma atmosfera constantemente opressiva. A direção mantém o nível de tensão e suspense do começo ao fim, sem perder ritmo.
No geral, o filme sustenta muito bem o clima de tensão até o desfecho. Apenas o final me incomodou:
Ripley afirma que queria capturar Red vivo, mas o vilão acaba morrendo sem sequer trocar uma palavra com ele. Para mim, teria sido muito mais impactante um confronto verbal entre Red e Ripley — e até com Kelly — seguido de sua prisão, servindo de exemplo. Esse tipo de final “bandido morre sem diálogo” é um clichê que enfraquece um pouco o encerramento de uma obra tão eficiente no restante.
Assistido em 14/01/2026
É um filme muito bem feito, direção dinâmica, criativa, uma técnica incrível. O roteiro é bom e bem desenvolvido, porém aquele final foi muito piegas para o que o filme vinha construindo.
Daqueles thrillers que chamam atenção já na cena inicial e que conseguem segurar a peteca do frisson o tempo todo mesmo que sua trama não faça lá todo o sentido. Filmado lindamente por Edwards e super bem atuado especialmente por Remick que nunca deixa sua personagem cair em clichês ou em estereótipos histéricos. Edwards subiu no meu conceito com este e Vício Malditos, afinal suas comédias me dão preguiça.
Um bom suspense do grande Blake Edwards!
Experiment in Terror demonstra todo um momento de terror da protagonista, com uma humanização do vilão, que assim como qualquer ser humano, dorme, possui problemas de saúde e vulnerabilidades, algo que o torna mais realista. Glenn Ford está ótimo no papel. É um bom filme neo-noir, que vale a pena.
Se você gosta e coleciona mídia física ainda (raro hoje em dia, mas ainda existe) a Versátil Home Vídeo lançou esse filme sensacional em DVD - Caixa que contém 6 filmes Noir, Cinema Noir anos 60. Filme raríssimo para se encontrar no streaming, acho que nem tem lá. Quanto ao filme, excelente.