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Duração
Em uma cidade brasileira chuvosa em um futuro próximo, um homem amnésico embarca em uma jornada trágica e absurda para encontrar seu verdadeiro lugar após usar um dispositivo de IA criado para ajudar pessoas com uma estranha síndrome neurológica.
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Tortura.
Tive o privilégio supremo de passar algumas dias no Festival de Brasília, ano passado, e conheci o diretor Davi Pretto, super simpático, com quem comentei, a partir da sinopse, que seu filme "era o grande favorito o festival". Dito e feito o filme foi premiado, mas viajei de volta para casa antes de assistir ao filme, por lá. Vendo-o hoje, percebo diante de algo ainda melhor do que eu vislumbrara e do que fora comentado por meus amigos: a direção de arte é esperta e soube aproveitar de maneira magistral o orçamento reduzido. O protagonista Zé Maria Pescador é sobremaneira expressivo em sua combinação entre melancolia e amnésia, sendo o seu encontro com o personagem de João Carlos Castanha transformador, em mais de um sentido. Amei o homoerotismo inaudito de uma breve (e linda) seqüência, antes da mudança de tom que converte obra num anuncio apocalítico-climático explícito: ou seja, a depender da classe social com quem o protagonista K esteja vivendo, modifica-se também o tom advertente da ficção cientifica. Entre os menos favorecidos, o presente em si já é assaz assustador; para os ricos, entretanto, o que atemoriza é a ameaça de um futuro devastador. A trilha musical é extraordinária (amei as duas cenas festivas) e o desfecho soa interrompido, mas obriga-nos a vasculhar com mais precisão as agruras de nosso entorno, aceitando os benefícios da convivência. Ótima fotografia com tons freqüentemente avermelhados e direção sóbria e adulta, combinando com um roteiro que evita o pecado de explicar tudo, deixando para a nossa imaginação, para a nossa vontade de lembrar e saber, a complementação acerca do que ocorre para a instauração daquela distopia. Filmaço, adorei! (WPC>)
- a ideia em si é bem interessante, se utiliza das crescentes tecnologias e da inteligência artificial para apresentar uma espécie de mundo pós apocalíptico e os que não conseguiram lucrar com as mudanças lutam para sobreviver
- não faz da tecnologia um total vilão, mostra os benefícios que ela também poderia trazer para a humanidade
- gosto tambem das atuações e das relações entre os personagens
- mas não consegue passar muito bem como esse mundo distópico funciona e falta firmeza no roteiro para mostrar o que o filme realmente pretende
Ficção científica distópica brasileira, o novo trabalho de Davi Pretto, diretor de “Rifle” (2016) e “Continente” (2024), foi o vencedor do Troféu Candango de melhor longa no Festival de Brasília, além de ter ganhado lá também os prêmios de roteiro, montagem e menção honrosa para o ator Zé Maria Pescador (uma descoberta incrível esse ator). É um drama scifi desafiador que cria uma Porto Alegre chuvosa, uma metrópole decadente, conflitante e labiríntica, marcada pela presença da Inteligência Artificial e por uma estranha síndrome neurológica. Na trama, acompanhamos K (Zé Maria Pescador), um homem que andarilha pela cidade, sem memória. Ele é acolhido por um senhor solitário (João Carlos Castanha) em seu simples casebre. A relação entre os dois vira um misto de sexo e companheirismo, até K se viciar em um dispositivo tecnológico: sentado à frente da peça, o objeto lança um triângulo infravermelho em sua testa, que o faz conhecer uma outra cidade e situações absurdas. O filme funciona como metáfora para os dilemas contemporâneos: a dependência tecnológica, a fragilidade da memória num mundo tomado pela rapidez das coisas e a luta por sentido em um mundo cada vez mais fragmentado e mediado por máquinas. Filme de atmosfera sombria e pessimista, faz críticas diretas em como a tecnologia nos molda, com dispositivos viciantes, transformando sem volta os humanos. Filme de festival, com pegada diferente e nada fácil de digerir (por isso mesmo interessante, que vale conhecer). Teve três sessões especiais no Festival Olhar de Cinema e já tem data de estreia oficial nos cinemas brasileiros: dia 23/07, com distribuição da Cajuína Filmes. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom